*Mhario Lincoln
Hoje pela manhã, coincidentemente estudava Doug Tallamy para escrever um texto para uma revista de Brasília (DF), quando recebi pelo "WhatsApp" um vídeo com o poema de Sharlene Serra, "Em Nós, Natureza!", onde ela revela seu lado lírico mais natural - de natureza mesmo - mais delicado, transformando em belos axiomas, versos como, " (...) na borboleta que ama/ (...) que a celulose, declama (...)".
Se o professor Doug Tallamy esse fantástico entomologista americano, (conhecido por seus esforços para promover a conservação da vida selvagem e a restauração de ecossistemas em áreas urbanas e suburbanas), tivesse acesso a esse poema, com certeza deixaria seu 'like'.
Mesmo porque é um apanhado lírico - aparentemente - simples, mas com explícita dança de versos e ideias combinadas subjetivamente com sentimentos e formas regidas por leis próprias, inclusive pela lei da natureza. E por que não? Pelo visto, as regras que citei acima levam literalmente ao modo simbolista literário, com grande significância nesse trabalho de Sharlene Serra.
O belo e forte poema "Em Nós, Natureza!", é uma conexão profunda com nosso ecossistema, enfatizando sua vitalidade e beleza: uma "natureza viva", não como algo simplesmente estático e passivo, mas como vertentes em constante movimento e transformação. O trecho "na veia-liberdade" sugere algo que é uma característica intrínseca da natureza e pode ser sentida em sua essência.
Difícil não se emocionar lendo: "Natureza viva/ na veia-liberdade". Então, como todos os que leem meus textos sabem, eu sempre procuro comparar o que analiso com outra referência próxima. Por isso, trago para esta conversa Louise Glück, cuja coleção de poemas sobre flores e jardins ganhou o Prêmio Pulitzer de Poesia, em 1993. Diz ela, em "The Wild Iris" (A Íris Selvagem):
"(...) e sentir o sol em meu rosto.
Deixe-me ser parte da terra (...)".
O poema é longo, mas nesses dois versos já se pode imaginar o desenrolar desse 'grito-lírico' aplaudido na Europa, EUA e Asia, inclusive.
À propósito, no trabalho de Sharlene, tem-se também a incrível sensação da luta da natureza contra o seu principal algoz: o Homem. Basta ler os versos que falam das queimadas, (um grito) destacando a resistência doída contra as ameaças humanas.
Enfim, a poeta Sharlene Serra deu seu 'grito-lírico', como inúmeros outros poetas contemporâneos também gritaram. Não obstante a inúmeros desinteresses pertinentes ao tema - natureza - em forma lírica, Sharlene mostra, nesta obra, que essa insensibilidade humana pode até desencorajar algumas pessoas de se envolverem na luta pela conservação da natureza. No entanto ela e outras dezenas estão dedicando suas vidas a essa causa. No caso de Sharlene, ainda, a luta pela inclusão social de crianças com deficiência física e outras.
Muitos trabalham para promover a consciência sobre a importância da conservação da natureza, lutam em prol do desenvolvimento de políticas públicas que protejam o meio ambiente. Há um pacote de ações e medidas concretas para restaurar ecossistemas degradados, precisando de gritos.
Por isso que a poesia não é só uma poesia. Necessita-se ter sensibilidade para analisar uma poesia. Johann Goethe escreveu certa vez: "A natureza é o único livro que oferece um conteúdo valioso em todas as suas folhas". Disse tudo!
Parabéns, então, Sharlene, por seu poema "Em Nós, Natureza!", aplaudido por quem o lê de forma sábia e inteligente.
Curitiba, 13.04.2023
Mhario Lincoln,
Presidente da Academia Poética Brasileira
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