Linda Barros, professora e escritora. Membro da Academia Poética Brasileira
Hoje, mais que nunca, está valendo a célebre frase de Monteiro Lobato “Um país se faz com homens e livros”. E como será que está a leitura em nosso país? Pois, para que haja livros, é importante também termos leitores, para devorar esses livros.
Nesta data, 18 de abril, celebramos o Dia Nacional do Livro Infantil. Data, muito importante, pois exaltamos a importância da leitura literária para crianças. Mas, será é que é só para crianças? Um ponto aqui, faz-se necessário chamar a atenção dos leitores em geral: quando falamos em Literatura Infantil, muitos levam a crer, que é um deleite somente para os pequenos, haja visto que é uma leitura voltada único e exclusivamente para o imaginário das crianças. Mas, na verdade, sabemos que não. Alguém já parou para pensar que quase não há autores mirins de literatura infantil? Pois quem as cria, são, na maioria, os adultos, ou seja, temos literatura infantil produzida pelos adultos com o público alvo, os pequenos leitores que às vezes ainda nem sabem ler. E quem lê para eles? Sim, nós, os adultos. Então por que muitos adultos rejeitam esse gênero literário?
A lista para autores de literatura infantil é enorme, mas podemos começar pelo principal deles, Monteiro Lobato, o primeiro escritor brasileiro que se dedicou ao mundo mágico do livro infantil, inclusive a data de hoje, 18 de abril, é em seu louvor e seu nome, isso porque nessa mesma data, em 1882, nascia Monteiro Lobato, considerado o pai da literatura Infantil brasileira. E quantos de nós adultos não nos apaixonamos pelo célebre e inesquecível Sítio do Pica-Pau Amarelo, que inclusive foi adaptado para a tv, aumentando ainda mais a grandiosidade e genialidade criativa de Lobato. A lista de obras desse autor é imensa, entre elas podemos listar: Fábulas (1922); Memórias de Emília (1930); Reinações de Narizinho (1931); As Caçadas de Pedrinho (1933) Histórias de Tia Anastácia (1937), entre tantas mais.
Por aqui, pelas Terras das Palmeiras temos muitos e muitos autores também desse gênero literário, como por exemplo e um dos principais nomes da literatura infantil no Maranhão Wilson Marques, esse caxiense que dedica grande parte de seu talento literário para o imaginário infantil, entre suas obras estão Corre que a Manguda vem ai!; A Festa da Onça; Quem tem medo de Ana Jansen?; A Lenda do Rei Sebastião e o touro encantado; A menina inhame; O Segredo da Serpente Encantada; entre tantas outras obras. Grande parte de suas obras foram incluídas no catálogo de Bolonha selecionados para o PNDL literário.
Além de Wilson, temos muitos outros nomes como Josué Montello, com A cabeça de ouro; Calunga; O Carrasco que era Santo; Temos também Cleo Rolim O Gato que queria ser sapo e Miguel na Terra das cores; Natinho Fênix com As aventuras de uma gotinha d’água; O Gatinho que não sabia miar; de Neuriva Sousa, temos Ribamar, o menino-peixe; O Pequeno Poeta; não podemos esquecer da riqueza literária de Sharlene Serra, autora da coleção “incluir” Ouvindo com Vitória; Interagindo com Lucas; Aprendendo com Biel; Olhando com Ritinha; Caminhando com Paulo; E ainda Joaquim Gomes com O Jabuti que falava inglês e O Jabuti internauta. São muitos autores que dão vida ao imaginário infantil e adulto, através das palavras com histórias bem contadas, que chegam para divertir todos os tipos de leitores.
Não podemos esquecer um dos pioneiros da literatura infantil no Maranhão, Viriato Correa, com a encantadora obra Cazuza, uma das mais belas obras da literatura infantil, uma história contada em 1938, mas que até hoje nos leva para mundos imaginários de qualquer época.
E por fim, dizer que o mundo imaginário das crianças perpassa pelo mundo dos adultos que um dia foram crianças, e que, com certeza, ao se depararem com livros que levam para o imaginário infantil, têm o mesmo deslumbramento de uma criança. Então sim, o livro infantil é também livro para o adulto ler.
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