“NECROFILIA”, DE JOÃO BATISTA DO LAGO, É REFLEXÃO FILOSÓFICA E ESPIRITUAL
(Manoel Serrão da Silveira Lacerda)
O poema "Necrofilia" de João Batista do Lago é uma meditação profunda sobre a mortalidade e a natureza transitória da existência humana. O poema começa com uma imagem visceral e sombria da carne do “Sujeito” que se deteriora e apodrece, e levanta a questão do que acontecerá com sua alma, espírito e ossos quando sua carne desaparecer.
A resposta do sujeito do poema é complexa e simbólica. Ele sugere que, quando sua carne se transformar em pó, ele será lembrado como um "antropoema", ou seja, um poema humano. Ele se tornará uma parte da consciência coletiva de todos os que sofreram uma vida miserável, mas também será lembrado como uma expressão única do épico humano em sua própria cosmogenia.
O poema é um exercício de linguagem poética, que utiliza uma linguagem muito densa e obscura para expressar ideias profundas sobre a natureza da existência humana. A imagem da carne apodrecendo é uma metáfora forte para a mortalidade, e a ideia de se tornar um poema humano sugere que a arte e a expressão são formas de transcender a mortalidade e deixar um legado duradouro.
A referência ao "eterno retorno do mesmo" sugere uma filosofia niilista que afirma que a vida humana é essencialmente sem sentido e que tudo o que fazemos é repetir as mesmas ações sem sentido indefinidamente. No entanto, o poema também sugere que a criação de arte é uma forma de transcender essa repetição sem sentido e deixar um legado duradouro que permanece mesmo depois que a carne se transforma em pó.
Em última análise, o poema "Necrofilia" é um exemplo de como a poesia pode ser uma forma poderosa de reflexão filosófica e espiritual. O poeta usa imagens fortes e linguagem simbólica para explorar ideias profundas sobre a vida e a morte, a mortalidade e a imortalidade, e a natureza da existência humana em geral.
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NECROFILIA
De João Batista do Lago
E esta carne que se me apodrece
a alma, o espírito e os ossos,
que fará de mim?
‒ Me danará pó
na consciência de todos
os condenados de miserável sorte!?
‒ Terei então dado a resposta do que sou:
antropoema nascido da vagina do universo,
sacrário que me guardará no ventre
do meu eterno retorno do mesmo;
Serei, então, o épico do humano
na minha própria cosmogenia
enterrado no sarcófago
da minh’alma errante e vagabunda.
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