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Brasil Efemérides

Manoel Serrão da Silveira Lacerda analisa poema impactante de João Batista do Lago

Manoel Serrão era poeta, ensaísta, escritor e resenhista maranhense.

21/04/2023 10h28
Por: Mhario Lincoln Fonte: Manoel Serrão da Silveira Lacerda/João Batista do Lago
Arte: MHL
Arte: MHL

“NECROFILIA”, DE JOÃO BATISTA DO LAGO, É REFLEXÃO FILOSÓFICA E ESPIRITUAL

(Manoel Serrão da Silveira Lacerda)

 

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O poema "Necrofilia" de João Batista do Lago é uma meditação profunda sobre a mortalidade e a natureza transitória da existência humana. O poema começa com uma imagem visceral e sombria da carne do “Sujeito” que se deteriora e apodrece, e levanta a questão do que acontecerá com sua alma, espírito e ossos quando sua carne desaparecer.

A resposta do sujeito do poema é complexa e simbólica. Ele sugere que, quando sua carne se transformar em pó, ele será lembrado como um "antropoema", ou seja, um poema humano. Ele se tornará uma parte da consciência coletiva de todos os que sofreram uma vida miserável, mas também será lembrado como uma expressão única do épico humano em sua própria cosmogenia.

O poema é um exercício de linguagem poética, que utiliza uma linguagem muito densa e obscura para expressar ideias profundas sobre a natureza da existência humana. A imagem da carne apodrecendo é uma metáfora forte para a mortalidade, e a ideia de se tornar um poema humano sugere que a arte e a expressão são formas de transcender a mortalidade e deixar um legado duradouro.

A referência ao "eterno retorno do mesmo" sugere uma filosofia niilista que afirma que a vida humana é essencialmente sem sentido e que tudo o que fazemos é repetir as mesmas ações sem sentido indefinidamente. No entanto, o poema também sugere que a criação de arte é uma forma de transcender essa repetição sem sentido e deixar um legado duradouro que permanece mesmo depois que a carne se transforma em pó.

Em última análise, o poema "Necrofilia" é um exemplo de como a poesia pode ser uma forma poderosa de reflexão filosófica e espiritual. O poeta usa imagens fortes e linguagem simbólica para explorar ideias profundas sobre a vida e a morte, a mortalidade e a imortalidade, e a natureza da existência humana em geral.

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NECROFILIA

De João Batista do Lago

 

 

E esta carne que se me apodrece

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a alma, o espírito e os ossos,

que fará de mim?

 

 

‒ Me danará pó

na consciência de todos

os condenados de miserável sorte!?

 

 

‒ Terei então dado a resposta do que sou:

antropoema nascido da vagina do universo,

sacrário que me guardará no ventre

do meu eterno retorno do mesmo;

 

 

Serei, então, o épico do humano

na minha própria cosmogenia

enterrado no sarcófago

da minh’alma errante e vagabunda.

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João Batista Gomes do LagoHá 3 anos atrásSão Luis - MASem querer cair no "lugar comum" devo inferir, meu irmão-poeta Mhario Lincoln: Manoel Serrão foi daquelas pessoas que jamais poderiam morrer fisicamente. Era um "Sujeito" muito querido e amador. Para além disso, um poeta de extrema qualidade. Gratidão eterna.
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