Carta a Carmen,
Carmen Dias é inspiração na arte. Sua poesia é raio de sol. Sua sensibilidade é flor delicada. Sua dinâmica e habilidade como atriz e produtora comercial são exemplos a serem seguidos, mostrando o poder da arte de transformar vidas.
Sua presença é um farol. Há um espírito incrivelmente forte e resiliente, capaz de superar os desafios que a vida lhe apresenta. Sua paixão pela escrita é contagiosa e inspira todos aqueles que têm o privilégio de conhecê-la.
Sim, Carmen, minha confreira APB, você é uma artista multifacetada, cujos predicados reluzentes são um testemunho da sua dedicação e amor pela arte. Brilhe mais ainda, Carmen Dias, pois o mundo precisa da sua luz e do seu talento para continuar a ser transformado pela beleza e pela força da arte. (MHL).
Abaixo, alguns poemas de Carmen Regina Dias, convidada do Sábado Poético, do Facetubes:
A Bella Tarde*
A bella tarde se lança
ao espaço entre o dia e a noite.
Gostosa e lânguida,
desce o zíper de seu vestido de seda dourado
para seduzir,
ombros à mostra,
fenda horizontal insinuando-se
no limite entre o céu e o chão.
Sentidos aflorados,
chama...
O poeta,
rosa rubra nos lábios,
pena fina na mão,
poema ardendo na ponta da língua,
corre ao seu encontro,
inebriado, encantado, fascinado.
As maçãs exalam, as sereias espiam,
as areias suspiram.
Eu espero sentada
à beira do a mar.
CRD*
*O SONHO DO RIO
Eu sei onde nasce o mar.
É logo ali, ao pé do riacho.
Ali, nasce o sonho do mar.
Parece pequeno,
mas é um manancial.
E vai crescendo na travessia.
Enquanto se distancia,
o riacho se esquece.
Já se sente rio,
tem curva, tem correnteza,
alargou-se... Lá vai ele!...
Milhas adiante, desaparece,
já não posso vê-lo.
Mas, eu sei que irá crescer,
que será um rio
do tamanho do seu sonho.
Eu sei o sonho do rio.
O sonho do rio é tornar-se mar.
- Nem ele aguenta uma vida sem sal.
CRD
A PALAVRA MÁGICA*
Procuro a palavra mágica,
Aquela que beira as margens do eterno,
Que gosta de água.
Que é pura água.
Respira entre seixos e ninfeias
junto aos papiros, musgos e algas.
Ela é só ternura.
Brinca com as tilápias
Salta fora d`água
se esfrega na areia
espanta insetinhos
beija as flores, o vento...
Ah, aquela palavra ri muito
mas, às vezes chora.
Então fecha os olhos e reza.
Até que ela venha, até que ela chegue
silenciosa, amorosa, alma.
E o milagre da transmutação se inicia.
Primeiro, ela torna as penas em poemas
e, depois do longo abraço,
Torna o poema em poesia.
CRD
*O POETA ADORMECEU
O Poeta adormeceu
mas a música que o embalou continua a tocar
doce mente.
A noite está fria, o vento sopra.
Cubro-o lentamente com meu corpo de pétalas,
rosa macia, de perfume inefável
penetrando seus pulmões, aninhando-se,
dormindo com ele.
Poeta e flor são um só, agora, sonhando-se.
Quando o dia amanhecer, eles acordarão,
e as pétalas se lançarão ao chão
qual tapete feliz de primavera.
Desejosas de sentir o calor de seus pés
suplicarão para que as pise...
E ele, amoroso e gentil, flutuará sobre elas.
E a poesia virá.
CRD
ERA UMA VEZ UMA PORCELANA*
Era uma porcelana antiga,
herança de família,
recebida das mãos de sua mãe.
Agora, é um monte de cacos
e uma poeira de caquinhos sem fim,
uma parte espalhada no saguão,
outra perdida no jardim.
Foi lançada com muita raiva,
do alto da escada.
Na queda, perdeu identidade,
virou nada,
não tem mais voz, não tem passado,
seu valor intrínseco desapareceu
como desaparecem os valores
de quem já morreu.
Não houve um perdido de perdão,
nada nesse sentido...
As lágrimas, todavia, secaram...
Só não secou a indignação.
Que dirá meu coração?...
CRD
*POESIA A CAMINHO
Poesia,
a caminho,
pega ardor da Lua cheia;
O poeta,
sozinho, arrisca,
risca o verso e se incendeia;
A paixão,
com rubra pena,
lavra em lava o poema.
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