Quarta, 02 de Setembro de 2026 13:52
(xx) xxxxx-xxxx
Brasil ESPECIAIS

Fica um grande vazio físico. Mas a obra é literalmente imortal. Adeus Celso Borges!

Celso Borges é um dos mais aplaudidos poetas de sua geração, cujas obras impulsionaram a modernidade poético-crítica no Maranhão.

23/04/2023 11h47 Atualizada há 3 anos atrás
Por: Mhario Lincoln Fonte: Linda Barros/Cordeiro Filho
Linda e Borges. (Arte:MHL)_.
Linda e Borges. (Arte:MHL)_.

"Somos poucos/ cada vez menos/ Somos loucos/ cada vez mais/ Somos além/ dessa matéria óbvia/ que nos faz dizer/ - tá tudo bem!" -  Celso Borges talvez representasse o cantar do martírio dos últimos poetas loucas e únicos, da ludovivência parida de Ina, abençoada por D. Sebastião, de cuja maresia de azulejo se entendia o mundo sombrio das serpentes; e dos seus chinelos trançados, se ouvia o gritos dos hipócritas, presos à própria insignificância. Ave, poeta! Agora o Céu é teu caderno, teu lápis mordido e tua borracha do depois. Use-os! (Mhario Lincoln).

Abaixo, a última entrevista de Celso Borges concedida a Chefe da ASCOM, da Academia Poética Brasileira, jornalista Orquídea Santos, dia do lançamento do livro do poeta Ítalo Gondim - "Histórias de um Louva-Deus".

Continua após a publicidade

 

A POÉTICA DE CELSO BORGES

Linda Barros | professora e atriz

Publicado originalmente em 22/09/2020

 

Dentro das menores embalagens podem estar os mais incríveis conteúdos. De uma simples caixa, é possível arranca-se, como se fosse um filho que vem à luz, palavras que se transformam em poesia. Uma caixa pode tanto ser um mero objeto quanto um bom esconderijo. Se nelas podemos guardar segredos, de dentro delas podem voar todas as possibilidades: tristezas, agonias, felicidade, prazer, intrigas, fofocas... Enfim, todas as vertentes do percurso da vida.

Continua após a publicidade

 

Assim é a enigmática obra “CarimboCarinho”, de Celso Borges, lançada recentemente em nossa capital, em um espaço que também muito contribui com a literatura, com as ideias (des)ordeiras das coisas, um espaço tão mágico quanto a caixa de poemas.

 

Celso Borges é daqueles autores que transpiram criatividade. Ele usa as palavras como forma de enlaçar a poesia a uma realidade nua e crua, como “uma flor é uma flor é uma flor é uma flor é uma floresta”. Como “no meio do caminho tinha um carimbo carinho”, o leitor passa a perceber que uma imensidão de poesia se abre a sua frente, mal abre o livro-caixa. Em cada carimbo-poema fica a impressão de que “de tanto olhar teus olhos mudou a cor dos meus olhos”.

 

Autor de “Persona non grata”, “No instante da cidade”, “Pelo Avesso”, o ludovicense Antônio Celso Borges Araújo é poeta, letrista, jornalista e produtor cultural. É ainda autor de No Instante da Cidade (1983), Pelo Avesso (1985), Nenhuma das Respostas Anteriores (1996) e Cantanto (1981) e XXI, um livro/CD com poemas musicados e cantados por Chico César, Rita Ribeiro e Zeca Baleiro, entre outros.

Continua após a publicidade

 

E assim como toda sua obra, Celso Borges, nos emociona com cada verso seu. Como se não bastasse, usa toda sua criatividade, enchendo seus textos de melodia e harmonia, carregado de muito significado. Celso não poupa “os cabelos brancos” de nossa ilha dos azulejos, dando-lhe musicalidade e beleza cantada em versos singulares que nos encanta e nos faz refletir sobre beleza e poesia:

 

cidade dos azulejos

ilha cercada de inveja por todos os lados

na cabeça da serpente: inveja

no chifre do touro encantado

nos lençóis do rei dom sebastião

na carruagem de ana jansen: inveja

nos bobos da corte de luiz XIII

no moustache de la touche, sr. de la ravardière: inveja

nos restos mortais do coronel de milícias Joaquim silvério dos reis

enterrado na igreja de s. joão, em 1819: inveja

nos leões do palácio dos leões

nos domadores: inveja

Caption

(Obs: Veja adaptação desse texto em performance de Linda Barros no vídeo: https://youtube.com/shorts/wD3JiBKv4lg?feature=share)

O texto segue em linhas de metáforas com profundo significado, onde não deixa por menos as lacunas que enriquecem a cultura da Ilha Rebelde, nem mede palavras para mostrar as mazelas da nossa linda Ilha do Amor.

 

Quarto livro do autor dentro da chamada série livros curtos, CarimboCarinho pertence à chamada série “Poéticas adjetivas”. Antes vieram, A árvore envenenada, com fotografia de Márcio Vasconcelos; O Muro e Ponta D’Areia é Ponta D’Areia, ambos, com projeto gráfico do webdesigner e cantor Claudio Lima. Nos 15 poemas do livro, o jogo de palavras e de silêncios demonstra que é possível carimbar poemas tanto nas folhas de papel quanto na alma e nos carinhos dos leitores.

 

O uso da técnica do carimbo como simbologia holográfica e construção magistral em cada poema dialogam com o projeto gráfico, favorecendo um olhar crítico e as singularidades que transparecem em cada verso, como em “No cinema mudo, quando Charles Chaplin nunca vai dizer eu te amo”. Os textos do livro deixam transparecer toda inquietude e lirismo do autor e acabam levando o leitor a fazer uma reflexão sobre si e sobre outro.

 

Nessa obra, o autor permite que o leitor tenha liberdade de mover as páginas a seu bel prazer podendo haver continuidade ou interrupção da leitura, sem a preocupação de haver atropelamento das ideias contidas no texto.

 

Como em uma caixa de Pandora, ao abrir CarimboCarinho, o leitor pode mergulhar na magia da poética de Celso Borges, com suas imagens e musicalidade que que são pura sinfonia para olhos e ouvidos dos leitores.

 

 ----------------------

Homenagens post mortem

Celso por Cordeiro.

Jose De Ribamar Cordeiro Filho Cordeiro

"(...) O POETA CELSO BORGES NOS DEIXOU!!!

Neste domingo, dia 23 de Abril, o meu querido amigo/poeta, nos deixou. É um dia de muita tristeza. Lembro de CB em vários momentos, mas quando eu fui morar em São Paulo pra me curar de uma enfermidade, Celso foi um amigo solidário o tempo todo.

Saíamos pra tomar um café lá na avenida Paulista, ou pra assistir a um filme, ou para um almoço com um grupo de amigos num restaurante de comida típica do Maranhão, ou para um jantar com o amigo Joaquim Haickel, além de levar até o meu apartamento, jornais de São Luís que ele recebia semanalmente da família.

Com a sua enfermidade, eu não tive a oportunidade de visitá-lo, mesmo assim mandei meu abraço via Whatsapp. Não sei se ele chegou a ler. Vamos sentir muito a sua ausência. Dizem que "Morre o Poeta, e fica a fama", acho que fica o Poeta nos nossos corações pra sempre! Viva Celso Borges!!!

(Este desenho faz parte de um trabalho que fiz para o CB em 2000, quando eu estava morando em São Paulo)

* O conteúdo de cada comentário é de responsabilidade de quem realizá-lo. Nos reservamos ao direito de reprovar ou eliminar comentários em desacordo com o propósito do site ou que contenham palavras ofensivas.
500 caracteres restantes.
Comentar
Linda BarrosHá 3 anos atrásSão Luís -MaranhãoMe sinto muito grata por ter convivido com esse ser de luz e de grande inspiração. Nesse texto, apenas um pouco do que representou e representa pra nós, tenho certeza que soube e saberá o quanto foi e é admirado. Vá em paz meu querido poeta!
ManinhaHá 3 anos atrásSão LuisCelso era suave.
Jabá, caricaturista, lembra de mim?Há 3 anos atrásSão PauloCordeiro Filho, quantas vezes nos encontramos em Sao Paulo. Eu vc e Celso. Fica a saudade, mas também fica o momento.
Angelica RibeiroHá 3 anos atrásSão Luís MACaro Ítalo, como Celso estava feliz no lançamento de teu livro. Como era o Celso. Um homem diferente, lá no fundo, do que escrevia. ela amava as pessoas. a sua caneta, não.
Eu fiquei saudosa, Celso.Há 3 anos atrásSão Luís MAQuando eu morrer, não faças disparates nem fiques a pensar: Ele era assim... Mas senta-te num banco de jardim, calmamente comendo chocolates.
Mostrar mais comentários
Mostrar mais comentários
Curitiba, PR
Atualizado às 13h01
18°
Tempo nublado

Mín. 12° Máx. 19°

17° Sensação
2.06 km/h Vento
59% Umidade do ar
0% (0mm) Chance de chuva
Amanhã (03/09)

Mín. 10° Máx. 22°

Tempo limpo
Sexta (04/09)

Mín. 13° Máx. 25°

Chuva
Ele1 - Criar site de notícias