Texto escolhido e enviado pelo acadêmico Pedro Sampaio, vice-presidente da Academia Poética Brasileira, regional CE, que também fez um vídeo e um soneto em homenagem a Almir Pedreira, abaixo:
De nove filhos, três
(Pedro Sampaio)
O Rádio Cearense e sua história
Tem capítulo importante, nascido na Pioneira
Ceará Rádio Clube, ali começa a glória
Do brilhante imortal Almir Pedreira
Uma das vozes mais bonitas do Brasil
E que amou o Rádio, em grande abraço devoção
Noticiarista, e Animador sempre gentil
Na Iracema, Verdinha Uirapuru e na Dragão
Noutros prefixos Mestre Almir também brilhou
Noticiário Relâmpago, um sucesso que marcou
Também como rádio ator, um show na dramaturgia
De nove Filhos, três, do Pai seguem os legados
Três comunicadores no Rádio consagrados
Leonardo, Haroldo e Marcos, de Almir herdaram a magia.
VÍDEO-BÔNUS
O Rádio Cearense e Almir Pedreira...
Pesquisa e Texto: Leonardo Pedreira
Nascido no dia 27 de Janeiro, do ano de 1931, filho de Arthur Jataí Pedreira e Maria Madalena Lopes Pedreira (Dona Madá), Almir Lopes Pedreira, desde muito cedo mostrou seu interesse pelo Rádio, talvez, quem sabe, impulsionado por algo que muita gente considerava ser um dom que Deus lhe deu, a bela voz! Ele, foi o primeiro dos cinco filhos que o casal teve!
(Almir Lopes Pedreira; Minusa Lopes Pedreira; Artur Lopes Pedreira, Zuleide Lopes Pedreira e Danilo Lopes Pedreira).
Muitos consideravam a voz de Almir Pedreira, uma das mais bonitas e fortes do Rádio Brasileiro. E foi assim que ele foi forjado, preparado, para ingressar em um meio de comunicação que, na época, era o mais importante no mundo. Diz a história, que no período do seu ingresso nessa profissão, só os bons, conseguiam chegar ao topo, e ele chegou, com muito profissionalismo e maestria! Detalhe, com apenas 17 anos de idade. O primeiro microfone foi da então Ceará Rádio Clube, o ano, 1948!
Interessante, é que na Família Pedreira, pelo menos a que se desenvolveu no Ceará, até então, não se tinha notícia de nenhum dos seus membros, que tivesse aptidão para o meio radiofônico, presume-se então que, Almir Pedreira, foi o precursor entre os Pedreiras.
Seu Pai era comerciante e seu Tio Avô (Oscar Pedreira), empresário, proprietário de uma das primeiras empresas de Ônibus da Capital Cearense, cuja sede ficava no bairro Jacarecanga. A Empresa Pedreira, surgiu na época em que Fortaleza contava apenas com os Bondinhos da antiga Ceará Light. O ano, era 1927!
Pois bem, o filho mais velho do Sr. Artur Pedreira, foi o primeiro da Família a trabalhar. Não demorou muito para ele conhecer a mulher que seria a Mãe de seus filhos, Mereuda Holanda Bastos (Dona Mereuda), que, se tornaria sua esposa. Foi por volta dos 19 anos de idade que ele a conheceu, ela tinha 17 anos. Nessa mesma época, Almir Pedreira, chegou a se alistar na Força Aérea Brasileira (FAB), já pensando em uma renda extra, afinal de contas, nos planos, estava um casamento.
Mas, veio um convite para trabalhar na Rádio Tamandaré, do Recife. Ele não hesitou, e foi, sozinho, morar na capital pernambucana. O romance com a jovem Mereuda teve que ser a distância. As conversas, por correspondência. Foram muitas as cartas trocadas entre os dois. Essa situação duraria um tempinho. // Em 1954 veio o tão esperado casamento.
Almir Pedreira e a agora, Mereuda Bastos Pedreira, foram morar em Recife, mais precisamente no bairro Cajueiro. Lá, vieram os dois primeiros filhos, (Almir Lopes Pedreira Filho e Danilo Bastos Pedreira).
No estado de Pernambuco, Almir Pedreira também trabalhou na Rádio Jornal do Comércio. Em 1957, ele retorna para Fortaleza, onde passa a atuar em praticamente todas as emissoras da cidade, a exemplo de Iracema, Dragão do Mar, Ceará Rádio Clube, Uirapuru e Rádio O Povo. Vieram mais três filhos, (Ricardo Bastos Pedreira, Ilka Bastos Pedreira e Marcos Bastos Pedreira). Em 1958, durante um Concurso promovido pela "Folha do Rádio", Almir Pedreira foi eleito o Melhor Narrador do Rádio Cearense.
Já na década de 60, atendendo a um pedido do irmão, Artur Pedreira, que tinha um sonho de criar uma Agência de Publicidade, eles lançam uma sociedade e surge a Ilka Publicidade. Repare, que a agência leva o nome da primeira Filha! Almir Pedreira, passa a conciliar a profissão de Radialista, com a de Publicitário. A agência de propaganda atuou no mercado, principalmente de Fortaleza, até o final da década de 70 e início de 80. Muitos dos anúncios criados pela Ilka Publicidade, para o Rádio e TV, tinham a voz marcante de Almir Pedreira.
Foi também a partir da década de 60 que vieram os outros Filhos: (Marcos Bastos Pedreira; Haroldo Bastos Pedreira; Leonardo Bastos Pedreira, Arthur Bastos Pedreira Neto e Lilia Bastos Pedreira). E também nessa época, surgia uma outra paixão, o amor pelos cavalos.
"Ah, quantos momentos felizes, em família, todos juntos (9 filhos) na então Comunidade Paupina, em Messejana, hoje um bairro de Fortaleza". Almir Pedreira, amava, de coração, os finais de semana no sítio, as cavalgadas, a visita dos muitos amigos, a ida, claro à cavalo, no tradicional Bar do Tio Jaime. "Pense, num tempo bom. Muita saudade"!
Em emissoras como a Dragão do Mar, Almir Pedreira dividiu o microfone com outros importantes expoentes da radiofonia cearense, a exemplo de Waldir Xavier, que lia a crônica "A Nossa Palavra", escrita por Blanchard Girão; Ivan Lima e Paulino Rocha, que transmitiam eventos esportivos.
Como esquecer também de Peixoto de Alencar, considerado o arauto dos acontecimentos políticos. No Rádio Teatro, onde também atuou, Almir Pedreira, sob a direção de Jota Oliveira, trabalhou com Oliveira Filho, Ary Sherlock, Ivone Mary, Haroldo e Hiramisa Serra, Mário Santos, Ernesto Escudeiro, entre outros.
O "fera" da sonoplastia, era Mauro Coutinho. Como não lembrar também de João Ramos, Mozar Marinho, Carlos Alberto, Narcélio Limaverde, Wilson Machado. Tantos valores do Rádio com quem Almir Pedreira teve o privilégio de trabalhar. E o editorial da Rádio Dragão do Mar, era a crônica “A Nossa Palavra”, que ia ao ar às 12:30, escrita por Blanchard Girão, lida por Waldir Xavier e Almir Pedreira. Além disso, numa época que os estúdios da Dragão ficavam no Edifício do IAPC, na Rua Pedro Pereira, um dos programas de destaque era, "Zé com Fome - o Cronista Feliz", apresentado por Almir Pedreira. Isso, por volta do meio dia.
Como não lembrar também da passagem de Almir Pedreira pela saudosa PRE9, ao lado de Aderson Brás e Mozart Marinho, que apresentavam o "Matutino Prenove". O "Noticiário Relâmpago", patrocínio da Casa das Máquinas, durante 25 anos. Nessa década, que antecipou a chegada da Televisão, iniciativa pioneira da Ceará Rádio Clube, atuaram ainda Augusto Borges, Edésio Amorim, Narcélio e Paulo Limaverde, Aldenor Maia, entre tantos outros nomes, de saudosa memória.
Já na década de 80, Almir Pedreira, na casa dos seus 50 anos de idade, foi contratado para ser o Radialista, da recém inauguradaRádio Universitária, emissora que opera no dial FM, na frequência 107,9 MHz e que pertence a Fundação Cearense de Pesquisa e Cultura, órgão de apoio à Universidade Federal do Ceará. No início da década de 80, Almir Pedreira apresentava, por exemplo, o programa Domingo Especial, que tocava novas interpretações de canções do passado. Eram apresentados clássicos da música popular brasileira, como "Aos Pés da Santa Cruz", cantada por Orlando Silva e muitas outras. Destaque também para a "Hora do Angelus", sempre às 18:00, em que Almir Pedreira mostrava o quanto sua voz era bonita e envolvente.
Nessa época, vieram outras justas homenagens: Na sede do Sindicato dos Radialistas do Estado do Ceará, o então Presidente Aderson Maia, inaugura a Sala Almir Pedreira. No município de Paracuru, no litoral oeste do Estado, praia em que Almir Pedreira começou a frequentar ainda na década de 70 e onde fez muitas amizades, uma Rua da cidade leva seu nome: Jornalista Almir Pedreira. A casa que ele construiu para a Família, está situada nessa rua. Em 1987, por exemplo, recebeu o troféu de Radialista Padrão do Ceará, em cerimônia realizada no auditório da Casa do Jornalista (ACI). "Eu, ainda garoto, juntamente com dois irmãos (Arthur e Lília), estive presente nessa solenidade, lembro, como se fosse hoje"!
Na 107,9 FM a voz de Almir Pedreira deixou um importante legado, assim como em tantas outras por onde passou. Segundo aqueles que amam o Rádio de qualidade, foi um dos mais completos profissionais de locução. "Ouvi muita gente dizer isso e sempre que escutava, meu peito se enchia de orgulho e meu coração de saudade"! E foi na Universitária FM que ele se despediu do seu público. Em plena atividade, Almir Pedreira nos deixou no dia 1º de Janeiro de 1991, depois de sofrer uma parada cardíaca.
Iria fazer 60 anos de idade, no dia 27 de Janeiro de 91. Deixou esposa, (Dona Mereuda, hoje com 90 anos); 9 Filhos (Almir Lopes Pedreira Filho; Danilo Bastos Pedreira; Ricardo Bastos Pedreira; Ilka Bastos Pedreira; Marcos Bastos Pedreira; Haroldo Bastos Pedreira, Leonardo Bastos Pedreira, Arthur Bastos Pedreira Neto e Lilia Bastos Pedreira). Atualmente, da Família que ele e Dona Mereuda criaram, já são 26 Netos e 12 Bisnetos. Três, dos nove filhos, seguem trilhando a profissão que Almir Pedreira,
tão brilhantemente, e como poucos, se destacou: Marcos Pedreira (Rádio Verdes Mares FM); Haroldo Pedreira (TV Verdes Mares) e Leonardo Pedreira (TV Jangadeiro/Rádio Fortaleza FM - 90,7). Com a morte de Almir Pedreira, foram embora o Homem, o Filho, o Pai, o Avô, o Tio, o Amigo... o Radialista. Ficaram, o seu Legado, seu Exemplo, sua Família, sua História e muita, muita SAUDADE...
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