Redação do Facetubes
Baseado numa história real.
Leia abaixo:
Tive que dar plantão o Dia das Mães inteiro. Cheguei no serviço onde era zelador de um portentoso prédio de novos ricos. Fui escolhido porque vim do interior, não era casado. Toda vez que há um plantão em dia de festa, o síndico me convoca e me paga horas extras. Pelo menos, naquele silêncio de minha portaria, poderia passar o dia pensando em minha velha mãe. Muita saudade. Uma mulher que trabalhou dia a dia para sustentar a gente. Tenho 12 irmãos. Sou o intermediário e único com segundo grau completo. Hoje eu queria tanto comprar um presente para ela e retribuir o que ela fez por mim. Mas ela não está mais aqui.
Olhei as horas e peguei a foto preto e branco de minha mãe que eu consigo prender no relógio da portaria. Sempre ela fica me espiando enquanto ouço o tic-tac dos segundos e minutos. Terminou meu expediente. Saí na porta para voltar pro meu pensionato. Era uma tarde sombria e fria, o sol já havia se escondido atrás das nuvens cinzentas. Caminhava pela rua principal da cidade, quando vi algo que me deixou triste. Uma mulher quase esquelética correndo atrás do carro de serviço de limpeza pública, gritando desesperada por um livro infantil. O gari, sem saber, havia acabado de jogá-lo no saco de lixo e levado para o carro.
A mulher estava em prantos e não conseguia conter as lágrimas. O barulho da rua era infernal e os garis não ouviram os apelos da pedinte. Seu filho, sentado na calçada da avenida, chorava copiosamente. Eu me aproximei e pude ver a tristeza nos olhos daquela criança, mas também vi algo que me tocou profundamente. Seus olhos esbugalhados e sua barriga estufada. Sinais claros de que ele não comia nada há muito tempo.
Eu me senti impotente diante daquela cena, mas decidi fazer algo. Abri minha carteira e vi que tinham duas moedas e um dinheiro de papel. Coloquei-os na caixinha de esmolas que estava ao lado e me aproximei da mulher. Tentei acalmá-la e perguntei o que estava acontecendo. Foi então que ela me contou a história do livrinho.
Ela disse que seu filho amava ouvir histórias e que esse livro infantil era a única coisa que ele pedia todas as noites, antes de dormir. Alguns instantes atrás ela havia esquecido, por engano, o livro no parapeito de uma janela. O gari viu e pensou que podia descartá-lo. Não o culpo. Ele está lutando para deixar a cidade limpa. Por isso tentei alcançá-lo, mas em vão.
E disse mais que trabalhava duro todos os dias naquele mesmo ponto. Conseguia recolher de esmolas perto de 20. Mas só depois da coleta é que eles podiam comprar algo para levar para a casa. Ela morava num barraco com o filho, fruto de um passo em falso, dado a uns 5 anos. Mas ela se esforçava para dar o melhor para seu filho, mas não tinha dinheiro para comprar livros. Então, quando viu o gari pegando o livro, ela se desesperou e correu atrás do carro, sem pensar nas consequências.
Fiquei emocionado ao ouvir sua história e decidi ajudá-la. Fui até um sebo, pertinho dali, e encontrei um livro infantil que achei que o filho dela gostaria. Voltei para onde ela estava e entreguei o livro. Ela ficou emocionada e agradecida e abraçou seu filho com força, que agora sorria feliz.
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Eu não pude deixar de pensar sobre a importância da leitura na vida das pessoas. Aquele livro era muito mais do que apenas um livro infantil, era uma fonte de alegria, aprendizado e esperança para aquele menino. E, para sua mãe, era uma maneira de disfarçar a fome e a dor que sentiam todos os dias.
Se você tem muito e nunca lê um livro sequer, saiba que está perdendo uma grande oportunidade de enriquecer sua vida. A leitura pode nos transportar para outros mundos, ensinar-nos coisas novas e nos ajudar a entender melhor o que está ao nosso redor. E para aqueles que têm pouco, a leitura pode ser um refúgio, um consolo e uma fonte de esperança.
Por isso, nunca subestime o poder dos livros. Eles podem mudar vidas e fazer a diferença para aqueles que mais precisam. Lembre-se disso da próxima vez que tiver um livro nas mãos. Leia-o com atenção, com paixão e com gratidão.
Ah! Ia esquecendo. Uns 20 minutos depois que eu havia dado o livrinho para a criança, apareceu o gari foi até a mãe da criança e pediu desculpas por não ter ouvido seus apelos. E disse que o motorista do caminhão ouviu os gritos dela. Logo na parada seguinte chamou ele e contou a história. E para a surpresa da mãe e do filho, o gari não só devolveu o livrinho, como trouxe outros que havia recolhido ao longo do caminho.
Equipe do Facetubes
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