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Brasil POETAS DO BRASIL

Prefácio de uma das obras mais impactantes do jornalista, professor e poeta Carlos Cunha

O prefaciador do livro "Ballet de Santos e Demônios" é Wolney Milhomem/Brasília-1985

22/05/2023 08h54 Atualizada há 3 anos atrás
Por: Mhario Lincoln Fonte: Wolney Milhomen/Mhario Lincoln/Carlos Cunha/
Arte: MHL
Arte: MHL

BALLET DE SANTOS E DEMONIOS tem um valor histórico inestimável, reunindo artigos de mais de vinte anos de experiência jornalística de seu autor, refletindo vários momentos políticos e sociais do Maranhão. O leitor identificará, na obra, o estilo conciso, belo e simples, capaz de arrastá-lo à leitura da primeira a última página, onde não observamos apenas o fogo da sua trincheira, mas páginas de elevado calor humano, onde estão refletidas as qualidades mais raras de um homem que se dedicou a quase todos os gêneros da literatura, sempre colocando, acima de qualquer interesse pessoal, a defesa dos espoliados, dos aflitos, dos modestos, enfim, da própria comunidade brasileira".

(Dos editores do livro de Carlos Cunha).

 

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A DIMENSÃO DO VALOR HUMANO

Wolney Milhomen

Quando conhecemos Carlos Cunha, há mais de 3 décadas, logo nos ficou a impressão de que aquele jovem, de semblante determinado, iria exercer posição de relevância intelectual na vida do Maranhão e do País, para que não lhe faltariam enormes recursos, e por demais necessários à sustentação de uma guerra de ideias. E aos 17 anos de idade, já o víamos jornalista, firme e ardoroso nos embates, embora tivesse de lutar durante aproximadamente 5 anos para romper o casulo do anonimato. Ocorre que o vigoroso talento e o incontido respeito pela condição humana, dele fizeram o grande jornalista, com marcante ressonância nos meios políticos e sociais.

 

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Entendendo exercício da imprensa como sacerdócio do pensamento, Carlos Cunha manteve-se ileso ao curso de todas as erosões existenciais, mantendo vivo aquele ideal de menino iluminado. Assim, apaixonado pela causa dos fracos e dos humildes, não fez, em ocasião alguma, concessões À injustiça, preferindo - tantas foram as vezes - o ostracismo voluntário. 

É imperioso exaltar, também, que o escritor, o poeta, o critico literário Carlos Cunha expressando-se em estilo desenvolto e cintilante tem mais de 20 livros publicados, o que lhe proporciona suporte cultural admirável, a par de alta reputação no Estado e em toda a Nação. Preferimos, no entanto, interpretar a personalidade do jorna- lista versátil, elevado coerente, para quem e o modus- vivendi estreito e mesquinho é inegociável, optando destarte pelas batalhas em campo raso, contanto possa preservar os seus sentimentos na verdade bíblicos.

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Lançando agora o livro BALLET DE SANTOS E DEMÔNIOS, que reúne artigos divulgados durante larga época, o autor consagra a sua postura de jornalista, por tratar-se de obra de expressiva abrangência, onde se observa a travessia  da adolescência à maturidade, num belo roteiro de lutas. Mas é oportuno assinalar as emoções que descem da pena do jornalista, tão sensível e profundo nos temas que levanta e comenta. E como o filósofo que se opõe a pisar os tapetes do castelo nobre, a busca a tenda encantada para clarear a noite com as suas centelhas de raro fulgor, Carlos Cunha é um vocacionado para as coisas do espírito, e em nenhuma de suas produções se detectam resíduos de maldade ou incompreensão.

 

É um jornalista definitivamente livre. Manejar a pena para ele é mover um pensamento ou agitar uma ideia com a mais alta inspiração, como se estivesse armando poemas peregrinos no universo aberto. E vale sublinhar que os seus gestos de severa meditação indicam o analista do homem coletivo, a evitar a individualização primária no exame dos comportamentos políticos e sociais, porque sem dúvida a altitude é indispensável, enquanto o enfoque subalterno não lhe convém sob qualquer pretexto. Por isso, ao estudar os mais variados quadros da terra e do povo, o jornalista configura em seus textos a certeza de que é fiel às regras do idioma e às exigências da ética. Bem sabemos - nesta linha de raciocínio - que a impressionante popularidade do autor é creditada ao tipo conceitual de atuação no âmbito do jornal e do livro. Evidentemente, esse fator de prestígio pessoal poderia ter-lhe proporcionado amplas vantagens. Mas o jornalista a tudo isso renuncia com a curiosa simplicidade de uma figura monástica.

 

O Maranhão, como secular celeiro de inteligências, não apresenta declínio em seus níveis, a propósito de declararem, alguns críticos estéreis, ter a Atenas Brasileira perdido a sua imagem. Absolutamente. A terra maranhense continua a desfrutar do melhor conceito, com intelectuais pontificando em todas as áreas e com respeitável projeção no País, sendo Carlos Cunha um dos maiores expoentes de nosso âmbito de potencialidades culturais. E ressalte-se: como jornalista do melhor embasamento, não recuou uma só vez neste sublime e sa criticado oficio, que dele requer toda a constância. A esta altura, ao transpor as fronteiras estaduais, fez-se conhecido e reconhecido pela clarividência dos círculos intelectuais, admirado pelos verdadeiros críticos. Assim, por ser cioso no apostolado de examinar e comentar o perfil dos fatos, pode o autor dar-se por satisfeito nessa longa trajetória.

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Sempre o vimos de pena à mão, censurando ou exaltando com a sua parcimônia de mestre consumado. E segue o autor de BALLET DE SANTOS E DEMÔNIOS a sua destinação agitada e reluzente, acreditando que a opinião pública, imparcial e livre, não deixará de reconhecer-lhe o mérito. Pois a sua mesa de trabalho é uma forja de cultura atenta às manifestações do povo. E vale acentuar que a forma expositiva de seus artigos dispõe de essência social, poder que lhe confere a faculdade de promover a hermenêutica de todas as causas saudáveis, com as quais assumiu firme compromisso.

Esquecendo-se de si mesmo, por viver num universo de alto humanismo, Carlos Cunha é um homem superior e um intérprete do espirito do povo. E aos 52 anos de idade, já realizou uma obra que, tanto pela extensão como pela densidade, impressiona qualquer observador erudito, revelando alta sensibilidade nos aspectos em abordagem, quando se identifica o senso de grandeza do articulista. E o notável jornalista Carlos Cunha deixa à nossa análise a serena convicção de que só a palavra, nobremente talhada, resiste ao julgamento da consciência da História.

 

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WOLNEY MILHOMEM

Brasília, 10 de setembro de 1985 

 

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Carlos Cunha: nem Anjo, nem Demônio. Apenas, CARLOS CUNHA!

*Mhario Lincoln

Carlos Cunha começou sua carreira no jornalismo jovem e aprendeu a arte de escrever através de sua experiência diária nas redações. Ele trabalhou em várias, desde a produção até a edição, e escreveu reportagens, crônicas e editoriais que tiveram um impacto significativo na opinião pública. Por algumas vezes estivemos juntos. Quando encontrava com ele no Abrigo da João Lisboa, na nossa cidade de origem, São Luís-MA, ouvia atentamente os rascunhos do artigo que ele publicaria no dia seguinte. 

Assim, fui colhendo frutos lendo muito Carlos Cunha. E, através dessas leituras, aprendi a ser um jornalista forte e independente, também. Isso me custou caro, assim como a ele.

Aplaudo toda trajetória que ilustra como a escrita pode ser uma poderosa ferramenta para buscar a verdade e despertar a consciência coletiva. Muitos escritores ao longo da história, se dedicaram à mesma causa da verdade e da integridade, lutando contra a desonestidade e as mentiras que permeiam nossa sociedade, mesmo estando em lugares distantes, uns dos outros. Exemplos que me vêm à cabeça neste instante: George Orwell, autor de "1984" e "A Revolução dos Bichos", cujas obras denunciaram os abusos de poder e a manipulação da verdade. Carlos Cunha se junta a esse grupo de escritores corajosos e comprometidos com o povo. Sua reputação é baseada em sua honestidade e integridade profissionais.

Muitas vezes, acrescentava em seus artigos impactantes que "nunca toleraria a falsidade e a desonestidade". Aí é que entra o ódio imbatível dos 'poderosos', cuja coragem de Cunha foi gerando antipatia entre eles (e seus seguidores), resultando na mais brutal injustiça e discriminação já vista em solo maranhense, contra um pensador-poeta dos mais brilhantes de toda uma geração. 

 

Apesar dessas adversidades, ele perseverou e tornou-se imortal. Tanto que nas conversas entre amigos, quando alguém é rígido na busca por integridade ou valores da justiça, liberdade e amor ao próximo, tem sempre alguém que ressalta, "tá dando uma de Carlos Cunha". Por isso, essa luta está adjetivada no coração de todos aqueles que o conheceram e o aplaudiram, como eu.

 

Destarte, eu acredito que essa trincheira de luta está firmemente estabelecida na imprensa e na literatura, pós-Carlos Cunha, mesmo que ainda haja - e em ruim quantidade - aqueles que seguem submissos aos controladores da grande mídia. Mas há os que conseguem respirar brilhantemente no espaço-trincheira do enfrentamento corajoso a seus oponentes, defendendo seus ideais. 

Para mim,  Carlos Cunha sempre será um farol de coragem e determinação. Convido meu pai José Santos para a conversa (primo de Cunha). Em muitas oportunidades ouvi dele, quando ainda cursava Comunicação (UFMA), "(...) é descomunal a resiliência de Carlos. São exemplos inspiradores para você e para todos aqueles que acreditam na importância da verdade e da honestidade, usando uma das maiores forças da humanidade: a pena (...)". 

Enfim, vale ressaltar que o jornalismo ajudou Carlos Cunha a se consagrar no campo literário. Sua dedicação e talento lhe renderam o reconhecimento de instituições culturais de grande prestígio, como a Academia Maranhense de Letras e o Instituto Histórico e Geográfico do Maranhão, bem como entidades de renome nacional, como a Associação Brasileira de Imprensa, Academia Brasileira de Literatura (ABDL) e Academia de Letras José de Alencar, entre outras. Essas afiliações destacam não apenas a importância de Carlos Cunha no mundo literário e cultural, mas também suas conquistas e contribuições significativas para a sociedade.

Ninguém esquecerá, por exemplo:

 

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"Papai-Noel, que vergonha! Eu/confesso de você/Sonhei muito, mas quem sonha/não vive bem, já se vê./Ainda tenho os sapatinhos/que guardava pra você/Andei por muitos caminhos/não o vi, não sei por que...///Ainda guardo os sapatinhos/empoeirados, tristonhos,/mas dentro deles sozinhos/os fantasmas dos meus sonhos!/ Papai-Noel, que vergonha,/se você me visse agora:/alma cansada, tristonha, cheia/do nada de outrora/Quantos sonhos disfarçados/em seu saquinho, Noel,/castelos alicerçados/em colunas de papel./ Papai-Noel, por favor,/não minta para as crianças/traga mensagens de amor/e um Natal só de esperanças!"

 

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E como ele mesmo disse, "Nunca pretendi ser e desejei ser o maior poeta do meu Estado. Eu que talvez não seja o maior poeta de minha cidade, do meu bairro, da minha rua e de minha casa. Só sei que a minha poesia sobe e desce as ladeiras de São Luís nos braços do povo. Isto me dá a convicção de que sou poeta...". (CC).

 

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Aristides De Oliveira Sobrinho, arquivistaHá 3 anos atrásLisboa-PTSenhora Cristina Cunha. Solidamente cultivamos nestas bandas com a honradez que lhe é sempre devida a memória grandiosíssima do poeta brasileiro Carlos da Cunha, nascido em São Luís-Maranhon, cidade coirmã de nossos além-mares.
Wanda Cristinha CunhaHá 3 anos atrásVia facebook São Luís-MALinda página, Mhário! BALLET DE SANTOS E DEMÔNIO, obra que merece uma reedição como AS LÂMPADAS DO SOL, POESIA MARANHENSE HOJE E 50 ANOS DE POESIA... Na verdade, todos os livros de Carlos Cunha mereciam ser lidos pelos leitores contemporâneos para que as novas gerações conhecessem a importância dele para a cultura do Maranhão. O teu trabalho no Facetubes propicia esse resgate. Abraço.
Lucas Jacintho, ex-aluno de Carlos CunhaHá 3 anos atrásSão Luís MA"Carlos Cunha: nem Anjo, nem Demônio. Apenas, CARLOS CUNHA!".A MAIOR MANCHETE DE TODOS OS TEMPOS. DEVERIA IR PUBLICADA NUMA PLACA DE PRATA NO TÚMULO DO NOSSO HERÓI CARLOS CUNHA. MATOU A PAU. WANDA VEJA QUE TRABALHO MAGNÍFICO. VOCÊ DEVERIA SE MANIFESTAR.
Luzinete CaldasHá 3 anos atrásSão Luís MAQuiseram calar CARLOS CUNHA. KD esse povo brigando por CARLOS CUNHA. Hoje só se fala em Firmina. Tá chato isso. Por que não falam em Cunha. Por que não fazem saraus com a obra de Cunha? Mas tem cada uma, viu?
Leandro Garrido (minha família toda é de São Luís) Há 3 anos atrásRio de Janeiro/EstadoMhario Lincoln. O reputo como um dos homens de letras mais importantes hoje na história da literatura brasileira. Cada texto em prosa ou em verso que tu publicas, uma nova emoção eu sinto. Agora juntando com Carlos Cunha que eu admiro e sempre admirei, a coisa deu um troço aqui no meu coração. Mas de felicidade vendo que homens sérios como tu divulgam o que há de melhor na nossa literatura que ainda vive por causa disso por causa dessas atitudes como a sua Mhario. Bravo!
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