*Mhario Lincoln
"A Madre Deus representa um espaço de expressão e resistência cultural para todos nós", diz o artista Wellington Reis.
Há muito. Mas há muito, a Madre Deus sempre foi Madre Deus. A história conta que esse bairro regido pelo sol, amante da lua, e desse amor afrodisíaco, nasceram ‘gregos’, ‘troianos’ e excepcionais afro-brasileiros, abençoados pelo talento da Arte Pura, da Arte Popular, da Arte da Massa e para a Massa.
Seus moradores foram acostumados a produzir para o Universo, moda, esportes, cinema, espetáculos públicos, literatura, música, eventos singulares, que acabaram por influenciar e caracterizar todo um estilo de vida do ludovicense (aquele que nasce em São Luís-Maranhão), contemporâneo.
Um bairro simples localizada a sudoeste da cidade de São Luís, a Madre Deus milagrosamente e pela "bênção da Madre Santa”, como diz Luiz Bulcão, um de seus eméritos representes, realmente ampliou as ondas da maré enchente que banhava a, então, Ponta de Santo Amaro, onde, no século XVIII, foi erguida uma capela para Nossa Senhora da Madre Deus, Aurora da Vida, para inundar de efusiva alegria, todo o país.
E sabe qual resultado disso? Um tremendo sucesso de seu povo, ali vivente, cuja produção ininterrupta de arte cultural e artística, ultrapassou a ponte do “Estreito dos Mosquitos” e arrastou, como num imenso bloco popular, o Brasil e até mesmo o mundo, para seu chão.
Todos param para ouvir a Madre Deus, com seu grito sonoro e harmônico, pintado com cores vibrantes. Isso porque, o bairro é um verdadeiro celeiro de artistas e manifestações culturais, numa combinação única de fatores, que se entrelaçam em um cenário rico e insinuante.
E o bairro não para ai: "representa um espaço de expressão e resistência cultural para todos nós. É um local onde as tradições são preservadas e celebradas, e onde os moradores têm orgulho de suas raízes e identidade", como ensina, Wellington Reis maranhense, artista ligado a essas raízes.
Portanto, a arte, a cultura e a originalidade dos seus artistas e moradores desempenham um papel fundamental nesse sucesso estrondoso, pois são eles que mantêm viva a chama das manifestações carnavalescas, juninas e tantas brincadeiras tradicionais.
No bairro da Madre Deus, encontramos grandes artistas que se destacam pelo talento único. Há uma riqueza de criatividade. Vale citar Luis Bulcão, Wellington Reis, Cristóvão Alô Brasil, Chico Saldanha, José Pereira Godão, Jeovah França, Sapinho, Paletó, César Teixeira e tantos grandes nomes, que merecem meu respeito e carinho.
A “Turma do Quinto”, “Os Vagabundos do Jegue” e o “Boizinho Barrica”, por exemplo, especialmente esse último, são bandeiras culturais imortalizadas. O “Barrica” já mostrou isso em vários países. Mais ainda, porque representam a união da comunidade em torno das tradições e das raízes culturais. Daí advêm reconhecimentos internacionais, como símbolos da cultura ludovicense.
As quitandas de secos e molhados nas esquinas e o Largo do Caruçudo, são alguns dos locais emblemáticos, onde toda a festa se encontra e recomeça diariamente. "São espaços de celebração a vida", como me disse certa vez, Inácio Pinheiro, da Cia. Barrica. É essa alegria constante, que nutre o coração da Madre Deus, bombeando sangue em pessoas de diferentes origens e culturas em torno da música, dança e folclore.
Portanto, o bairro da Madre Deus está inscrito no livro de ouro da cultura brasileira, assim como o Pelourinho, na Bahia, devido a sua rica herança cultural e pela paixão no ato de preservar as tradições ancestrais.
Da última vez que fui a São Luís, minha terra natal, tive a grande honra de encontrar com um dos grandes mestres do bairro da aurora da vida: o artista Wellington Reis, meu parceiro em música e amigo pessoal. Desse encontro, produzi o vídeo que publico abaixo, com imagens do repórter cinematográfico Adelman Baltazar e sob as bençãos do quase pôr-do-sol da Ponta D’areia. Claro, apenas uma parte parte dessa entrevista, pois a conversa foi longa e produtiva. Esse excerto é exatamente sobre o bairro da Madre Deus. Exclusivo. Vale assistir:
VÍDEO-BÔNUS
Interpretação: ADRIANA BOSAIPO
Produção: TV do Facetubes
Produção Musical: Wellington Reis e Gordo Elinaldo
Fotos e imagens principais:
Meirelles Junior
Imagens complementares:
@C de Asa e Wellington Reis
Fotos extras: Google.
Registro AMAR/SOMBRÁS
ISRC "DEMOCRACIA DA MADRE DEUS"
- BRX162300001 @Wellington Reis e Mhario Lincoln
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