Foto: o estilo único de Gabriel García Márquez, caracterizado por longas frases e narrativa poética, pode ser desafiador de ser reproduzido em outra língua.
Redação do Facetubes/Pesquisas Google/Mhario Lincoln
O pesquisador francês, Roger Chartier, realizou uma série de conferências no Brasil com o intuito de divulgar seu novo livro, intitulado Ler, editar e traduzir, publicado pela Unesp. Durante essas conferências, Chartier apresentou suas conclusões sobre a história da tradução nos séculos 16 e 18. Ele expande a noção de tradução além da simples transposição de um texto de uma língua para outra, mostrando como várias versões de uma mesma tradução podem modificar o sentido original do texto.
Chartier argumenta que a própria edição de um texto em sua língua original pode ser considerada uma forma de tradução, uma vez que "interfere na materialidade do texto. Temos como exemplos as traduções de Shakespeare, Cervantes, Castiglione e Molière para outras línguas que acabaram por criar novos textos, gerando significados diferentes daqueles pretendidos pelos autores em suas línguas originais".
Usando a metáfora das edições humanas presente em "Memórias póstumas de Brás Cubas", de Machado de Assis, Chartier considera "(...) a edição e a tradução são dois elementos entrelaçados que constroem a materialidade do texto. Desta forma, a busca pela verdade presente em muitas obras é distorcida por meio de suas várias versões e traduções, um fenômeno que, na contemporaneidade, contribui para a disseminação de boatos e notícias falsas".
Sob essa perspectiva, os diversos agentes envolvidos no processo de produção desempenham um papel crucial na circulação dos textos, influenciando os processos culturais pelos quais eles são lidos, compreendidos e assimilados. A abordagem do autor em relação aos textos em diferentes idiomas contribui significativamente para a nossa compreensão de como a fidelidade e a materialidade do texto podem ser comprometidas pelas várias versões disponibilizadas aos leitores.
e diz mais: "A vontade de reescrever o passado pode afetar negativamente os processos de tradução e levar à censura de discursos considerados impróprios ou proibidos. Isso comprometeria a mobilidade do texto, bem como os seus métodos de publicação e edição". Destarte, ao explorar a mobilidade e a materialidade do texto no contexto da tradução e da edição, Roger Chartier abre um caminho para uma dimensão pouco considerada no campo da tradução e propõe novas abordagens para uma atividade com a qual "poucos estão familiarizados".
TRADUÇÕES PROBLEMÁTICAS
"Finnegans Wake", de James Joyce, por exemplo, é uma obra altamente complexa e desafiadora tanto no original em inglês, quanto nas traduções para outros idiomas, incluindo o português. Há quem acredite que há erros em algumas dessas traduções, de acordo com a edição específica e o tradutor responsável, mas aqui estão alguns desafios e possíveis erros que podem ocorrer em algumas das traduções mais famosas de escritores do resto do Mundo, para o português.
1 Jogo de palavras e neologismos: obras com experimentação linguística e criação de neologismos são as mais desafiantes, pois necessitam de equivalentes adequados e criativos em outro idioma. Alguns tradutores podem não conseguir capturar completamente a complexidade dos jogos de palavras e neologismos, resultando em perdas de significado ou efeitos estilísticos;
2 - Ambiguidade e referências culturais: obras que contenham uma infinidade de referências culturais, mitológicas, históricas e literárias também podem ser difíceis de traduzir de maneira mais eficaz. em algumas edições de traduções para o português, fica claro essa dificuldade em transmitir a riqueza dessas referências ou podem até mesmo perder completamente certos aspectos da obra;
3 - Estrutura e estilo narrativo: A narrativa fragmentada e não linear base de vários livros europeus e americanos traduzidos para o português, apresentam desafios adicionais. O mais explícito é o de manter a estrutura complexa de uma obra e um fluxo dinâmico do texto original. Isso resultou em traduções que podem parecer confusas ou desconexas;
4 - Sotaque e dialetos: há livros traduzidos de língua africanas e de alguns dialetos que têm seus sotaques próprios. A tentativa de traduzir essas variações linguísticas para o português pode ser complicada, já que alguns aspectos da riqueza e diversidade linguística podem se perder na tradução.
Enfim, é um desafio significativo mesmo que alguns desses erros possam parecer subjetivos e dependam da interpretação do leitor.
(Facetubes).
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