De João Batista do Lago
“Teus espelhos podem estar fragmentados,
mas tua arte ainda pulsa:
tu podes criar o belo
mesmo dentro da caverna,
mesmo na escuridão.”
(ESPELHO FRAGMENTADO - João Batista do Lago)
O processo da modernidade, desde o seu surgimento, é uma máquina impiedosa de moer corpos. Em que pese os avanços técnicos, tecnológicos, científicos, culturais, sociais, econômicos, políticos, etc., o ser humano tem sido (talvez!) a maior vítima da modernidade: as mais diversificadas patologias afetam diretamente (para o bem e para o mal) os corpos humanos.
A angústia, que também pode ser, aos meus olhos, denominada de depressão, é uma doença da modernidade. De forma deletéria, a modernidade é a causa fundamental das patologias psicofísicas. Esta constatação, por sua vez, identifica que psiquicamente, fisicamente e socialmente estamos ― todos, absolutamente todos! ― internados no Hospício Geral da Modernidade (HGM).
Esse HGM encontra-se subsumido em estruturas como família, igreja, escola, faculdade, universidade… E dentro dessas macroestruturas, outras subestruturas também se projetam como microestruturas: grupo de amigos, associações, clubes de futebol, clube de pais e mães, clube de autores, associações de mestres e alunos, academias diversas, etc. É exatamente nesse ambiente que se processa e que se opera a angústia como um afeto da tristeza (Spinoza B., Ética, liv. III).
Zygmunt Bauman, em seu livro “Modernidade Líquida” (© 2000, ZAHAR EDITOR), em linhas gerais escreveu que a angústia é um sentimento que tem acompanhado a humanidade desde seus primórdios, mas é na modernidade que ela se torna mais evidente e presente na vida das pessoas. A velocidade das transformações sociais, tecnológicas e culturais, aliada à pressão por produtividade e sucesso, tem gerado um ambiente propício para o surgimento de sintomas de angústia. Bauman sugere ao leitor que a modernidade é caracterizada pela racionalização, pela fragmentação e pela busca incessante pelo novo.
Por seu turno, a esquizoanálise (Delleuze & Guattari, O Anti-Édipo, 1972), uma corrente filosófica e psicanalítica, aponta que esses elementos da modernidade geram uma desestruturação do sujeito, levando-o a uma sensação de desamparo e falta de sentido. A falta de um projeto de vida e a perda de referências são fatores que contribuem para o aumento da angústia.
Insisto no que disse no início deste artigo, que a modernidade é uma máquina de moer corpos, ou seja, a sociedade moderna também exige que o indivíduo esteja sempre conectado, disponível e produtivo. (Nesse ponto sugiro retornar ao Anti-Édipo ([II.3. A síntese conectiva de produção], p. 95). A pressão por resultados e a necessidade de estar sempre atualizado geram uma sobrecarga que pode desencadear sintomas de ansiedade e angústia. A falta de tempo para atividades de lazer e relaxamento também contribui para o aumento da angústia.
A esquizoanálise propõe que a solução para a angústia não está em buscar uma cura individual, mas sim em uma mudança coletiva. É necessário repensar as estruturas sociais e culturais que geram a desestruturação do sujeito. A busca por um projeto de vida e a construção de relações mais saudáveis e significativas são fundamentais para lidar com a angústia na modernidade.
Concluo este artigo ousando destacar que a angústia é um sentimento presente na vida de todos nós desde sempre, mas a modernidade tem gerado um ambiente propício para o seu agravamento patológico. Delleuze & Guattari apontam com a possibilidade da esquizoanálise destacando que a solução não está em buscar uma cura individual, mas sim em uma mudança coletiva.
É necessário repensar as estruturas sociais e culturais que geram a desestruturação do sujeito e buscar um projeto de vida mais significativo e saudável. Finalmente, ouso dizer que a angústia não é imanente; ela é uma criação ou formação de sujeitos recalcados por afetos exteriores que impactam a psique de todos nós.
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O AUTOR:
João Batista Gomes do Lago, ou simplesmente João Batista do Lago, ou ainda (para pesquisa Google) João Poeta do Brasil, é natural da cidade de Itapecuru Mirim (MA), onde nasceu aos 24 dias do mês de junho do ano da graça de 1950. É filho primogênito de Pedro Uchôa do Lago e de Júlia Martins Gomes do Lago. É jornalista, ator, escritor, poeta, teatrólogo, contista, ensaísta e pesquisador. João Batista do Lago é autor de três livros: 1) Eu Pescador de Ilusões; 2) Cânticos Viscerais; e, 3) Áporo. Dois novos livros: 50 Tons de Palavras (já lançado) e Das Sarjetas da Cidade, no prelo. Ao mesmo tempo, um livro de contos, uma peça de teatro e um terceiro reunindo vários artigos escritos em diversos jornais estão sendo elaborados. João Batista do Lago trabalhou nos jornais O Estado do Maranhão, Jornal de Hoje e Secretaria de Comunicação Social (no Maranhão); O Noroeste e A Tribuna do Povo de Umuarama (no Paraná); jornal Folha de Rondônia (em Rondônia). Também atuou como assessor de imprensa para partidos políticos, sindicatos e políticos. Em Curitiba (PR) foi o editor de conteúdo do Portal Aqui Brasil. Faz parte, ainda, da Academia Poética Brasileira (APB), como membro efetivo, onde ocupa a cadeira de nº 57, tendo como patrono o poeta maranhense Luis Carlos da Cunha.
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