Quarta, 02 de Setembro de 2026 10:26
(xx) xxxxx-xxxx
Brasil Textos Exclusivos

De João Batista do Lago: "A angústia é uma produção da produção do sujeito"

João Batista do Lago é escritor, poeta, crítico literário e membro da Academia Poética Brasileira, seccional PR.

07/06/2023 12h50 Atualizada há 3 anos atrás
Por: Mhario Lincoln Fonte: João Batista do Lago/ Angústia
Arte: MHL
Arte: MHL

De João Batista do Lago

 

Continua após a publicidade
Continua após a publicidade

Teus espelhos podem estar fragmentados,

Continua após a publicidade

mas tua arte ainda pulsa:

tu podes criar o belo

mesmo dentro da caverna,

mesmo na escuridão.”

(ESPELHO FRAGMENTADO - João Batista do Lago)

 

Continua após a publicidade
Continua após a publicidade

O processo da modernidade, desde o seu surgimento, é uma máquina im­piedosa de moer corpos. Em que pese os avanços técnicos, tecnológi­cos, científicos, culturais, sociais, econômicos, políticos, etc., o ser hu­mano tem sido (talvez!) a maior vítima da modernidade: as mais diversifi­cadas patologias afetam diretamente (para o bem e para o mal) os cor­pos humanos.

 

Continua após a publicidade
Continua após a publicidade

A angústia, que também pode ser, aos meus olhos, denominada de de­pressão, é uma doença da modernidade. De forma deletéria, a moderni­dade é a causa fundamental das patologias psicofísicas. Esta constata­ção, por sua vez, identifica que psiquicamente, fisicamente e socialmen­te estamos ― todos, absolutamente todos! ― internados no Hospício Ge­ral da Modernidade (HGM).

 

Continua após a publicidade
Continua após a publicidade

Esse HGM encontra-se subsumido em estruturas como família, igreja, es­cola, faculdade, universidade… E dentro dessas macroestruturas, outras su­bestruturas também se projetam como microestruturas: grupo de ami­gos, associações, clubes de futebol, clube de pais e mães, clube de auto­res, associações de mestres e alunos, academias diversas, etc. É exata­mente nesse ambiente que se processa e que se opera a angústia como um afeto da tristeza (Spinoza B., Ética, liv. III).

 

Continua após a publicidade
Continua após a publicidade

Zygmunt Bauman, em seu livro “Modernidade Líquida” (© 2000, ZAHAR EDITOR), em linhas gerais escreveu que a angústia é um sentimento que tem acompanhado a humanidade desde seus primórdios, mas é na mo­dernidade que ela se torna mais evidente e presente na vida das pesso­as. A velocidade das transformações sociais, tecnológicas e culturais, aliada à pressão por produtividade e sucesso, tem gerado um ambiente propício para o surgimento de sintomas de an­gústia. Bauman sugere ao leitor que a modernidade é caracterizada pela racionalização, pela frag­mentação e pela busca incessante pelo novo.

 

Continua após a publicidade
Continua após a publicidade

Por seu turno, a esquizoanálise (Delleuze & Guattari, O Anti-Édipo, 1972), uma corrente filo­sófica e psicanalítica, aponta que esses elementos da modernidade ge­ram uma desestruturação do sujeito, levando-o a uma sensação de de­samparo e falta de sentido. A falta de um projeto de vida e a perda de re­ferências são fatores que contribuem para o aumento da angústia.

 

Continua após a publicidade
Continua após a publicidade

Insisto no que disse no início deste artigo, que a modernidade é uma máquina de moer corpos, ou seja, a sociedade moderna também exige que o indivíduo esteja sempre co­nectado, disponível e produtivo. (Nesse ponto sugiro retornar ao Anti-Édipo ([II.3. A síntese conectiva de produ­ção], p. 95). A pressão por resultados e a necessidad­e de estar sempre atualizado geram uma sobrecarga que pode de­sencadear sintomas de ansiedade e angústia. A falta de tempo para ati­vidades de lazer e relaxa­mento também contribui para o aumen­to da an­gústia.

 

Continua após a publicidade
Continua após a publicidade

A esquizoanálise propõe que a solução para a angústia não está em bus­car uma cura individual, mas sim em uma mudança coletiva. É necessá­rio repensar as estruturas sociais e culturais que geram a desestrutura­ção do sujeito. A busca por um projeto de vida e a construção de rela­ções mais saudáveis e significativas são fundamentais para lidar com a angústia na modernidade.

 

Continua após a publicidade
Continua após a publicidade

Concluo este artigo ousando destacar que a angústia é um sentimento presente na vida de todos nós des­de sempre, mas a modernidade tem gerado um ambiente propício para o seu agravamento patológico. Del­leuze & Guattari apontam com a possibilidade da esquizoanálise desta­cando que a solução não está em bus­car uma cura individual, mas sim em uma mudança coletiva.

 

Continua após a publicidade
Continua após a publicidade

É necessá­rio repensar as estruturas sociais e culturais que geram a desestrutura­ção do sujeito e buscar um projeto de vida mais significativo e saudável. Finalmente, ouso dizer que a an­gústia não é imanente; ela é uma criação ou formação de sujeitos recalcados por afetos exteriores que impactam a psique de todos nós. 

----------------------------------------------

JB do Lago.

O AUTOR:

João Batista Gomes do Lago, ou simplesmente João Batista do Lago, ou ainda (para pesquisa Google) João Poeta do Brasil, é natural da cidade de Itapecuru Mirim (MA), onde nasceu aos 24 dias do mês de junho do ano da graça de 1950. É filho primogênito de Pedro Uchôa do Lago e de Júlia Martins Gomes do Lago. É jornalista, ator, escritor, poeta, teatrólogo, contista, ensaísta e pesquisador. João Batista do Lago é autor de três livros: 1) Eu Pescador de Ilusões; 2) Cânticos Viscerais; e, 3) Áporo. Dois novos livros: 50 Tons de Palavras (já lançado) e Das Sarjetas da Cidade, no prelo. Ao mesmo tempo, um livro de contos, uma peça de teatro e um terceiro reunindo vários artigos escritos em diversos jornais estão sendo ela­borados. João Batista do Lago trabalhou nos jornais O Estado do Maranhão, Jornal de Hoje e Secretaria de Comunicação Social (no Maranhão); O Noroeste e A Tribuna do Povo de Umuarama (no Paraná); jornal Folha de Rondônia (em Rondônia). Também atuou como assessor de imprensa para partidos políti­cos, sindicatos e políticos. Em Curitiba (PR) foi o editor de conteúdo do Portal Aqui Brasil. Faz parte, ainda, da Academia Poética Brasileira (APB), como membro efetivo, onde ocupa a cadeira de nº 57, tendo como patrono o poeta maranhense Luis Carlos da Cunha.

* O conteúdo de cada comentário é de responsabilidade de quem realizá-lo. Nos reservamos ao direito de reprovar ou eliminar comentários em desacordo com o propósito do site ou que contenham palavras ofensivas.
500 caracteres restantes.
Comentar
Jul LeardiniHá 3 anos atrásCuritibaRefletindo sobre o pensamento do filósofo Sören Kierkegaard, a angústia é uma ansiedade de não poder realizar algo por si, ou não poder poder fugir de algo que não deseja, mas do que sente-se impossibilitado. Para ele, a real liberdade exige compromissos e responsabilidades, o que se dá pela escolha da escolha. Não há liberdade plena, conforme muitos buscam. Ela está limitada pelos efeitos dessas escolhas. O ser humano está inserido dentro deste sistema. (Jul Leardini - professor de Filosofia)
Rogerio Rocha Há 3 anos atrásSão LuísJB, como sempre, desfilando diante de nós o seu olhar sobre o contemporâneo.
Inocêncio Mendes. Grupo e Estudos FilosóficosHá 3 anos atrásDiamantinaEsse texto tem característica da Filosofia Moderna, onde o ceticismo é a base e valorizando exageradamente a razão, numa tentativa de estabelecer os limites do conhecimento humano e do modo como podemos conhecer o mundo verdadeiramente e a valorização de uma vida política que entende a existência de um elo entre política e conhecimento. Coisas de René Descartes e Baruch de Spinoza.
Monsenhor Giuseppe LiandroHá 3 anos atrásNova Trento, SCBom livro pra quem quer conhecer as bases da modernidade na Itália e no Mundo. O escritor e dramaturgo siciliano Luigi Pirandello viveu entre dois mundos: o atrasado universo da Sicília no final do século XIX, e a arrojada modernidade do início do XX. Sua obra contempla a transformação das condições sociais e históricas da vida, ao mesmo tempo em que ressalta a impotência do homem diante dessa realidade.
DecoHá 3 anos atrásCuiabá Tô lendo. Que bobagens. Pura imobilidade dialética. Nada a ver.
Mostrar mais comentários
Mostrar mais comentários
Curitiba, PR
Atualizado às 07h01
10°
Tempo nublado

Mín. 12° Máx. 19°

10° Sensação
1.54 km/h Vento
97% Umidade do ar
0% (0mm) Chance de chuva
Amanhã (03/09)

Mín. 10° Máx. 22°

Tempo limpo
Sexta (04/09)

Mín. 13° Máx. 25°

Chuva
Ele1 - Criar site de notícias