Linda Barros, professora e atriz. Membro da Academia Poética Brasileira
Dizem que a pressa é a inimiga da perfeição. Será mesmo? Vivemos em um tempo em o Tempo é nosso próprio algoz, em outras palavras, tudo, absolutamente tudo é para ontem, ou seja, parece que as pessoas não têm mais tempo para nada.
E no corre-corre do dia a dia é quase impossível sobrar tempo para tantas coisas que não sejam relacionadas à rotina diária. Muitas são as desculpas para o desinteresse em eventos culturais. A desculpa que ouvimos é sempre a mesma: “tô sem tempo”. Todos sabemos que quem o tempo somos nós mesmos, só precisamos ter em mente, o que é prioridade. E a grande maioria das pessoas nunca têm tempo para nada, a não ser para coisas básicas e comuns de suas atividades rotineiras. A explicação para isso, talvez, seja o interesse, o “que é mais importante para mim?” Tudo na vida é questão de interesse, simples assim.
Outra desculpa clássica é falta de dinheiro. Mas e quando chegam os eventos gratuitos como a Semana de Dança, a Feira do Livro, a Semana de Teatro e o Festival Guarnicê de Cinema? Todos de graça, o único trabalho é chegar um pouquinho mais cedo às sessões e regatar os ingressos.
E está chegando o Festival Guarnicê de Cinema. Já tradicional na Atenas Brasileira, chegando em sua 46° edição, o Guarnicê não se limita apenas à exibição de filmes. Apresenta mostras de vídeo clips, palestras e oficinas ministradas por intelectuais altamente qualificados.
Os cinéfilos de plantão esperam o ano todo para poder “entrar” no mundo mágico da telona e “viajar” por histórias incríveis. E o verdadeiro cinéfilo encontra uma brecha em seus compromissos diários para correr para os espaços onde estão sendo apresentadas as atrações.
O Festival, ao longo dessas mais de 40 décadas, já ofereceu muitos filmes interessantes (curtas e longas. Um dos curtas mais aplaudidos em nossa cidade e fora dela foi Aquarela, um curta polêmico e instigante, produzido e dirigido pelo jovem ator e cineasta Al Danúzio e Thiago Kistenmacker.
Aquarela também contou no elenco o veterano ator Urias de Oliveira, acompanhado de outros nomes de grande importância na nossa dramaturgia, como Rosa Ewerton, Luna Gandra e Diones Caldas protagonizada pelo próprio Al Danuzio. Aquarela, que é baseado em fatos reais, conta a história da personagem Ana (vivida por Luna Gandra), que vive com sua mãe e filha enquanto seu noivo Marcelo (Al Danuzio) está preso esperando julgamento. No filme é possível ver e entender as mazelas pelas quais passam as famílias enquanto um de seus membros está preso. Mostra também o submundo da cadeia, comandada por membros que possuem força de comando nas celas. O curta Aquarela foi selecionado na Competitiva de Curtas do 46º Festival de Gramado em 2019, recebeu vários prêmios, entre eles dois Kikitos nas categorias Melhor Design de Som e Melhor Montagem, uma das maiores comendas cinematográficas do país.
E nesse longo trajeto pelo qual passa o Festival Guarnicê, muitas foram as produções que encheram os olhos do público maranhense de encantamento e de orgulho. Curupira – o Demônio da Floresta, de Erlanes Duarte; Jangada, de Luis Mário Oliveira; A Praia do Fim do Mundo, de Petrus Cariry; Cidade Entre Rios, de Weslley Souza e Leonardo Mendes, são algumas produções já exibidas ao longo dessas quatro décadas.
Na edição deste ano, que começa nesta sexta-feira, dia 09, o Guarnicê traz para a abertura do evento, o longa “Pérola”, dirigido por Murilo Benício, que traz no elenco Driaca Morais e Alessandra Negrini, que será uma das homenageadas deste ano juntamente com Áurea Maranhão.
Nas mostras competitivas nacionais estão os longas-metragens Eu moro em qualquer lugar, Fim de semana no paraíso selvagem, Praia do silêncio, entre outros; na mostra de competitivas maranhenses estão De Repente Drag, O Homem que Namorou a Lua, Guarnicê – uma história pra contar, Mar de lixo, entre outros. Os destaques maranhenses estão para De Repente Drag, um de filme de Rafaela Gonçalves, que traz no elenco Ruan do Vale, Brena Maria, Rafael Paz, Silvero Pereira, Mônica Moretti, Luna Gandra, Tchaka, Al Danuzio, Márcia Pantera, Silvetty Montilla.
Essa produção maranhense conta as peripécias de um repórter (Julião) que já não aguenta mais ouvir piadas sobre ele, então decide ir atrás de uma grande notícia que faça com que mude todo seu comportamento, ele entra no mundo glamouroso das Drags. Já O Homem que Namorou a Lua de Hill Frazão, traz no elenco Fabio Lima, Amy Loren, Elza Gonçalves e Di Ramalho. É um filme sensível e delicado que retrata João (Fábio Lima) e sua vida cotidiana, monótona e sem graça, envolto pelas lembranças de uma linda e doce mulher.
Dentre os curtas deste ano estão Amores Imperfeitos; Olhos e Bocas, M.A.N.G.A, entre outros (todos maranhenses) e os nacionais Antes do Amanhã e Sobre Elas, entre outros. A seguir tem o link para que podem estar acessando e acompanhando toda a programação do Festival
https://guarnice45.ufma.br/
Nesse frenesi, muitos não têm o hábito de ir ao cinema, ir ao teatro, ir ao shopping, ir à praia, enfim, sair para se divertir, por falta de tempo e de dinheiro, como se o tempo fosse o vilão do nosso cotidiano – e talvez seja, pois o essencial é sempre o trabalho. Mas não esqueça que a vida é breve e “tudo passa, tudo sempre passará”, como diz esse verso da bela canção de Lulu Santos.
E se ainda assim, achar que vai perder seu tempo vendo longos filmes, os chamados longas metragens, que geralmente chegam a duas horas de duração, curta os curtas, pois não passam de trinta minutos e geralmente são pequenas obras cinematográficas que deixam enormes mensagens em seu cérebro.
Os curtas têm uma linguagem simples e direta, que abusa da criatividade para passar uma mensagem da forma mais rápida possível. Abaixo temos alguns títulos de curtas que vocês podem estar procurando e assistindo, todos gratuitos:
GUGA, (2019) de Marconi Franco
Reinaldo (2020 de Thaís Lima e Mateus Risoka
Querida! (2019) De Geovane Camargo,
Acalanto de Arturo Saboia
A Sopa (2019) de Fernando Braga
Pelo Ouvido (2008) de Joaquim Hackel
Branca... (2016) de Chuelay Nascimento
Joca e a Estrela, de Beto Nicácio
Não é Permitido Sair com Flores, de Leandro Guterres
Cássio da Silva – história de um psicopata (2017) de Mateus Felipe
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