
01-WANDA CUNHA- O Maranhão viveu uma efervescência literária no século XIX e início do Século XX, tempo benfazejo para sua cultura, com a criação de agremiações como a Oficina dos Novos, a Renascença Literária, e tantas outras, e com a fundação da Academia Maranhense de Letras, em 10 de agosto de 1908. Paralelamente, neste século XXI, foi fundada em agosto de 2016, a Associação Maranhense dos Escritores Independentes (AMEI), a qual realizou, em duas edições, a Feira Literária e Artística Maranhense (FLAEMA), que ensejou a divulgação de escritores maranhenses por meio de sua Livraria Amei, aberta em abril de 2017, permitindo que os maranhenses aumentassem sua produção literária e tivessem maior visibilidade. Também foi fundada a Federação das Academias de Letras do Maranhão (FALMA), em 2018, propiciando a instalação de novas academias de Letras no interior do Estado, com a filiação das já existentes e realização de movimentos artísticos em todo o Maranhão. Já agora, a AML abre suas portas para receber o público externo e sai de sua sede para levar conhecimento às comunidades; encabeça, neste 2023, as homenagens pertinentes ao Bicentenário de Gonçalves Dias e lança uma antologia intitulada “Tecido Tempo”, que renomeou de Mostra da Poesia Maranhense Contemporânea, na qual reúne apenas 16 poetas, classificados em concurso que teve a participação de 70 inscrições, cada poeta inscrito com direito a 10 poemas, o que totalizaria cerca de 700 poesias. Como tu vês a Literatura Maranhense Contemporânea, dentro deste cenário de contradições entre a vasta produção de muitos e uma mostra de tão poucos?
MHARIO LINCOLN - A situação literária no Maranhão - apesar do grande esforço de algumas instituições particulares - apresenta desafios e problemas com persistência ao longo dos anos. Um desses problemas é o crescimento desordenado da produção lítero-artística na região. Isso significa que há uma grande quantidade de obras sendo produzidas, em razão do talento absurdo de nossa gente, mas sem uma organização adequada ou políticas públicas específicas para orientar e promover essa produção.
A falta de interação e apoio interrelacional também é um fator que contribui para os problemas da cena literária no Maranhão. O trato entre escritores, leitores, críticos e outros agentes literários é fundamental para o desenvolvimento saudável de uma comunidade literária, porém, nem sempre acontece.
Sei que existem interações através de eventos literários, clubes de leitura, oficinas etc. No entanto, se essa interação não for incentivada ou facilitada, ou melhor organizada, sempre haverá um isolamento dos escritores e uma falta de oportunidades para o compartilhamento de ideias e experiências de novos personagens.
Alexandre Dumas no romance histórico "Os Três Mosqueteiros", faz seus personagens gritarem o slogan da luta coletiva: “Um por todos e todos por um”. era com esse gatilho que Athos, Porthos, Aramis e D’Artagnan enfrentavam grandes e solucionavam os problemas, juntos. Mas – e é lamentável – tal fato torna-se irrelevante quando a briga é por espaços individuais, na velha ‘ilha dos amores’.
Lamento demais não existir, de forma coletiva, esse espírito de união e luta compartilhado pelos personagens do romance de Dumas, fato que poderia ser aplicado aos escritores e à comunidade literária maranhense, como uma forma de buscar soluções conjuntas para os desafios enfrentados.
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