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Brasil 200 ANOS DE IMPRENSA

"História da Imprensa no Maranhão/A Primeira Tipografia", (1821/1925), de Antônio Lopes

Organização desta espetacular obra: Natalino Salgado Filho e Roberto Carvalho.

17/06/2023 20h13 Atualizada há 3 anos atrás
Por: Mhario Lincoln Fonte: Mhario Lincoln/Natalino Fº/ Roberto Carvalho
Capa.
Capa.

Momento da História da Imprensa do Maranhão

 

Apresentação: Mhario Lincoln

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No final de dezembro tive a honra de ter recebido das mãos do Reitor Natalino Salgado Filho* (UFMA) a Comenda relativa aos 200 Anos de Atividades da Imprensa no Maranhão. Na mesma ocasião recebi dois livros históricos de grande importância para contar essa história. 

 

Um deles, dividido em capítulos, está sendo muito útil em minhas pesquisas: "História da Imprensa no Maranhão (1821-1925)", de Antônio Lobo. Vale publicar, então, o Capítulo III - quando tudo começou - como um "trailer" para que os interessados conheçam, através desta obra que está na Biblioteca da UFMA, na Academia Maranhense de Letras e em algumas livrarias regionais, esse valioso texto, em sua forma e conteúdo, integrais.

 

(OBS: Ortografia de época, conforme o original publicado às páginas 47-56/referências e notas de rodapé estão no texto original.  ob.cit.).

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II-A Primeira Tipografia

 

ATA DO fim do período colonial no Brasil a chegada à capital maranhense, a 31 de outubro de 1821, da primeira tipografia, pedida para Lisboa pelo então Governador provisório Bernardo da Silveira Pinto da Fonseca, do Conselho de Sua Majestade, comendador de S. Salvador de Vila Pouca de Aguiar na Ordem da Torre, Espada, Valor, Lealdade e Mérito e Marechal de Campo dos reais exércitos, último Governador e Capitão General do Maranhão-Colônia, homem distinto "pela sua ilustração e tino prudencial" e alcunhado, pelos habitantes da terra que veio governar, em 1819, de Dente de Alho, por ter um incisivo muito saliente na arcada dentária superior. 

 

Instalaram-na no edifício onde hoje funciona a Santa Casa de Misericórdia.

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Que era, em verdade, a primeira imprensa do Maranhão, denominada Tipografia Nacional ou Tipografia Nacional Maranhense?

 

O prelo, uma prensa de ferro, sistema "de tarraxa", um dos engenhos então denominados águias, porque tinham o parafuso encimado por uma águia, de ferro. Acompanhava essa traquitana reduzido sortimento de tipos e do restante material ao tempo indispensável a uma pequena oficina.

 

Para a gerência ou direção foi nomeado Antônio da Costa Soares pelo Marechal Bernardo da Silveira que instituiu, a 12 de novembro, uma junta de Administração da Imprensa: desembargador José Leandro da Silva e Sousa, presidente: Antônio Marques da Costa Soares, secretário: Lázaro José da Silva Guimarães, tesoureiro. Cabia a esse órgão inventariar, fiscalizar e arrecadar o material da tipografia, estabelecer o regime de trabalho, os preços e a preferência de impressos ou anúncios particulares e cuidar de tudo quanto se referisse à receita e despesa. Enquanto não chegassem para as despesas os créditos da tipografia, a fazenda pública cobriria os déficits.

 

*Magnífico Reitor Natalino Filho e MHL, na solenidade.

 

A junta nomeou, a 15 de novembro, os primeiros operários: tipógrafo Francisco José Nunes Corte Real, impressor Francisco Antônio da Silva, ajudante Antônio da Silva Neves, e guarda e servente Antônio Pedro Nolasco, com as diárias respectivas de 1$200. 1$600, $600 e $200 réis. Foram estes, escreve César Marques. os pioneiros obscuros "do progresso e da luz da civilização" na terra maranhense.

 

Da qualidade do material afirmava naquele mesmo mês o Marechal Governador, em oficio ao Ministro José Joaquim Monteiro Torres, que tudo era excelente.

 

Quando, em 1921, se comemorou o centenário da introdução da imprensa no Maranhão, Raimundo Lopes, que abrira com formoso discurso a exposição de jornais maranhenses organizada pelo provecto historiógrafo José Ribeiro do Amaral, escreveu para a Pacotilha de 1.º de novembro o seguinte suelto, referente à primeira tipografia instalada em São Luís: 

 

Foi encarregado de organizar aquele serviço Rodrigo de Souza Pizarro, um dos ajudantes-de-ordens do governador. Ora, um dia algumas damas foram, para não deixar desmentida a curiosidade que vem desde o famige- rado caso do paraíso... bisbilhotar a imprensa em via de instalação. E, como era natural, pediram ao auxiliar do governo que mandasse, à vista delas, imprimir alguma coisa. Não se fez de rogado o mi- litar. Com a mesma facilidade com que passava das artes de Mavorte às de Minerva, cultivava Pizarro à encosta do Parnaso; e logo fez estes versos e os mandou imprimir em honra às gentis visitantes:

 

Certas deidades, um dia,

Seguidas do Deus vendado, 

Foram ver por desenfado A nova tipografia.

Mas Cupido, com presteza, 

Tais voltas aos tipos deu, 

Que na estampa apareceu: 

"Viva amor! Viva a beleza!"

 

E assim foram os versos desse lisonjeiro a propósito às primeiras linhas impressas no Maranhão e, para as inspirar, mesmo sem segunda intenção, ao repentista galanteador e oficial, deviam em verdade ser lindas aquelas madrinhas desconhecidas infelizmente hoje da imprensa da Atenas Brasileira.

 

Informa César Marques que a primeira tipografia do Maranhão passou do governo a vários proprietários e, depois de 1822, recebeu a denominação de Tipografia Nacional Imperial.

 

Apesar do sistema por demais primitivo da sua prensa e do modesto sortido de tipos, dessa oficina saíram, logo no ano seguinte ao da sua montagem, os primeiros livros impressos no Maranhão: os opúsculos Tratado de moral para o gênero humano, tirado da filosofia e fundado sobre a natureza, por Mr. de Salis (tradução resumida pelo bacharel Manuel Rodrigues de Oliveira), Modo de curar a diarreia de sangue para uso dos lavradores e mais pessoas que vivem longe da cidade (por James Hall, M. D.) e Memórias sobre a necessidade da abertura do furo (por M. R. C. F.).

 

Tais são as informações principais e mais seguras que é possível respigar acerca da primeira imprensa do Maranhão, única instalada na província até 1830, segundo afirma Joaquim Serra, acrescentando que a Tipografia Constitucional, pertencente a Clementino José Lisboa e fundada nesse ano, foi a segunda a aparecer em S. Luís. É certo, entretanto, que antes desta última duas outras oficinas tipográficas funcionaram na capital maranhense, a de Ricardo Antônio Rodrigues de Araújo, montada em 1822 e que durou pelo menos até 1850, e a Tipografia Melandiana, de D. G. de Melo, de onde em janeiro de 1825 saiu o primeiro número do famoso periódico de Garcia de Abranches, O Censor.

 

A partir de 1830, contou S. Luís com muitas outras tipografias, e algumas se destacaram por melhoramentos que introduziram nas artes gráficas, no Maranhão: a Tipografia Monárquica Constitucional, de Francisco de Sales Nunes Cascais, que, em 1840 ou 1843, tendo ido à Europa, trouxe de lá prelos franceses e outras novidades, a Tipografia Maranhense (1846-49) que, segundo César A. Marques", possuía impressora de ferro Stanhope; a de Manuel Pereira Ramos (1840 em diante) que recebeu um dos prelos americanos "Washington" introduzidos, no Maranhão, por J. G. de Magalhães (1847) e depois propriedade de Belarmino de Matos, o maior mestre da arte tipográfica no Brasil, da qual saíram primorosas edições; a de José Maria Correia de Frias, introdutor (1864) da primeira máquina de imprimir para tiragens de mais de mil exemplares de livros; a Tipografia Teixeira (1900 em diante) que montou a primeira oficina de fotogravura artística no país.

 

Com Belarmino de Matos, simples operário que se imortalizou pelo amor ao trabalho, espírito progressista, gosto artístico e probidade, a arte tipográfica chegou no Maranhão a um grau de perfeição superior ao que havia alcançado então em outros pontos do Brasil. Para a sua tipografia afluíram encomendas do Pará, Ceará, Pernambuco e Bahia.

 

Sem esse obreiro-editor não seria possível o movimento intelectual que, no século XIX, granjeou para o Maranhão o título de Atenas Brasileira, porque as obras dos grandes escritores maranhenses dessa época não teriam publicidade. Joaquim Serra oferece testemunho do idealismo com que o Didot Maranhense exercia a sua profissão, quando escreve: "Era muito para admirar a satisfação e entusiasmo que ele mostrava quando de seus prelos saíam escritos excelentes de seus comprovincianos ilustres". 

 

Ainda a propósito de melhoramentos da arte tipográfica no Maranhão é de notar o esforço do tipografo e impressor Joaquim Correia Marques da Cunha Torres, que construiu, em 1853, um prelo de madeira, servindo-se do prelo de americano Washington para modelo, e uma prensa, também de madeira, para acetinar. Devem-lhe as tipografias maranhenses outras iniciativas úteis. 

 

Com justiça Antônio Henriques Leal incluiu Belarmino de Matos nos varões de Plutarco do seu Panteon maranhense e Celso Magalhães lhe deu uma estrela da constelação do seu poemeto "Glórias - dedicado ao Maranhão", consagrando-lhe estes belos versos:

 

A quinta estrela finalmente surge.

Deixai que eu prenda num estreito elo

às glórias dos poetas e do artista,

                    a inteligência ao prelo.

 

Nem desdoura que a par de tantos gênios

um também eu coloque, de outra esfera.

O artista possui o seu reinado

                        lá onde o braço impera.

 

Já vai bem longe o tempo em que somente

tinham valor dos nobres os brasões.

- nobreza herdada, estulta, se cobria

                                     de sedas e galões.

 

Hoje a nobreza existe na ferrugem

que cobre a mão calosa do operário,

consiste no talento, e o poeta é nobre

                                     como é o estatuário.

 

Junto a Gonçalves Dias, João Lisboa

o aluno pode vir de Gutenberg.

BELARMINO DE MATOS, dessa campa

                           em que descansas, te ergue!

 

Vem, tu que tanto e tanto te esforçaste

para honrar tua pátria estremecida,

tu, que em tua oficina trabalhando,

                                      lhe deste tanta vida;

 

vem, traze o teu emblema de tipógrafo,

o rolo, o prelo, as chapas, as vinhetas,

e te encarna naquela estreia última

                                      ali entre os poetas.

 

Tu foste a providência das escolas

e da literatura que tropeça,

foste a coluna forte, o braço válido

                                     que ajudava a cabeça.

 

pois, que eu te preste o meu respeito,

a ti, que não temeste entrar na luta,

- a cabeça que pensa e ordena é nobre

                                     e o braço que executa.

 

(Celso Magalhães)

 

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JAIME Há 3 anos atrásBSB/DFCRÔNICA MAGNÍFICA!!! APLAUSOS DE PÉ!!!
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