
EDITORIAL
Um momento que o país eclode num clima festivo e de descontração. A maior marca de festejo junino no Brasil é o Nordeste, com uma variedade de brincadeiras e atrações, não caberia nesse editorial a totalidade de manifestações que ocorrem no país principalmente no Nordeste, então faremos um breve passeio por um recorte de tamanha riqueza.
No Maranhão essa diversidade é muito evidente indo da marca maior do bumba-meu-boi , perpassando por tambor de crioula, cacuriá que tem como marca de pioneirismo dona Teté que plantou essa semente em Rosa Reis que hoje representa muito bem a brincadeira, há também danças portuguesas, quadrilhas, dança do coco dentre outros.
Quero oferecer enfoque na marca maior maranhense o bumba-meu-boi que enche os arraias de São Luís e Maranhão a fora, e que para além de uma dança tem um enredo literário de tradição oral que dá origem a brincadeira, o alto do bumba-meu-boi “O desejo de Catirina” serva da fazenda que deseja comer a língua do boi mais querido do senhor. Francisco seu marido sem saída com medo do filho nascer de boca aberta atende ao desejo da mulher, mas se desespera porque o boi morre e começa a saga de ressuscita-lo, até que um pajé consegue o feito de ressuscitar o boi, e a festança se alastra.
Ha muita diversidade nessa forma de apresentação artística, cultural e folclórica que é o bumba-meu-boi no Maranhão, uma dessas marcas é o chamado sotaque, que consiste na melodia que acompanha as músicas e dá ritmo a dança, os sotaques que são: matraca, zabumba, orquestra, pandeirões, costa de mão de e sotaque da baixada, cada sotaque tem sua melodia cadenciada por seus instrumentos que vão de tambores a matracas , pandeirões e instrumentos de sopro. Outra marca forte é o misto de religiosidade e profano numa mesma festa, essas festas são de cunho popular, entretanto homenageiam os santos como Santo Antônio, São João, São Pedro e em São Luís, São Marçal. No princípio muitos grupos de bumba-meu-boi se constituíam para pagar promessa aos santos, com o tempo a brincadeira cresceu e ganhou novos rumos passando a ser grande atração cultural maranhense.
DROPS JUNINOS
**São muitos grupos de Bumba-meu-boi dos mais variados sotaques alguns batalhões como são chamados os grupos, são muito tradicionais e conhecidos, dentre eles, boi de Maracanã, da Maioba, Axixá, Morros, dentre outros.
DESTAQUE CULTURAL TRADIÇÃO DO BUMBA-MEU-BOI DE AXIXÁ
**Um dos grupos folclóricos de bumba-meu-boi mais tradicionais do maranhão no sotaque orquestra. Teve como fundador Francisco Naiva e hoje tem como presidente Leila Naiva, este ano a brincadeira completa 64 anos de existência, “qualquer” maranhense que conhece a cultura popular conhece uma das mais emblemática toadas que é “Bela Mocidade” de composição do artista popular Donato Alves. O boi de Axixá tem uma cadência inconfundível, onde quer que se escute dá para identificar a marca desse grande grupo folclórico maranhense, que enriquece com seu brilho e tradição nossa história no que se refere a arte, a cultura e também a literatura, visto que as composições das letras são verdadeiros poemas mergulhados em melodia. (Fotos: Site do Boi de Axixá e da colunista, à direita).
O SÃO JOÃO EM FORTALEZA
**No Ceará mais especificamente em Fortaleza a grande força das festas junina está nas quadrilhas que evoluíram ao longo do tempo e segundo o poeta Pedro Sampaio hoje se constituem em números de grupos que chegam a 420. O período junino em Fortaleza é intenso muitas apresentações e festivais se revezam durante todo esse tempo, há um investimento financeiro muito grande chegando a gastos de até um milhão de reais. As quadrilhas são organizadas em federações divididas em três federações, toda essa organização gira em torno de uma planejamento que gera renda para a cidade.
**Há um interesse muito grande em manter a tradição inclusive pela Câmara Municipal de Fortaleza, pois em junho a capital vira um grande arraial junino de arraiais tradicionais, as apresentações em grandes shoppings. As disputas por prêmio são intensas, mais de cem festivais, justificando assim os grandes investimentos. Cada grupo escolhe seu tema e desenvolve toda a sua apresentação a partir do tema escolhido. É um trabalho sério criativo e de muito comprometimento com a identidade cultural cearense, dentre as brincadeiras juninas existem outras manifestações como a força do forró os grupos de pífios, entretanto as quadrilhas são o grande cartão postal da tradição junina de Fortaleza. Dentre as mais tradicionais estão a TRADIÇÃO NORDESTINA, JUNINA BABAÇU E ZÉ TESTINHA.
LITERATURA NA CULTURA DAS FESTAS JUNINAS “CORDEL”
**No Nordeste em plena festa popular não poderíamos esquecer o cordel a marca da poesia Nordestina, trago para vocês dois cordéis um da grande tradição cearense e outro de composição de uma pernambucana radicada no maranhão. O cordel tem crescido no Maranhão nos últimos tempos e passa a integrar as festas juninas.
CORDEL JUNINO
MANTER NOSSAS RAÍZES
(Pedro Sampaio)
Mês de junho, Mês dos Santos
Das fogueiras
D São Pedro, Santo Antônio e São João
De ecoar, som de Noites Brasileiras
Do repertório de Luíz Rei do Baião[...]
É o Mês da maior Festa Nordestina
Festa que mexe com nossas emoções
Mas vem surgindo, ação muito cretina
E que agride, as nossas tradições[...]
Nesse cordel Pedro Sampaio cordelista cearense dá um tom de indignação e protesto em relação a manutenção das tradições regionais que ao longo do tempo tem sido invadida por outras vertentes culturais o que pra ele acaba prejudicando um pouco a raiz das festas juninas nordestinas.
POR QUE ESCREVER CORDEL?
(Menina de Buique)
Me perguntaram um dia:
Por que escrever um cordel?
Parei pra meditar
Olhando logo pro céu.
E pedi ajuda pra Deus
Corri pra pegar papel.
Até que tive uma luz
Pois acredito no pai,
E, no Cristo lá da cruz
A quem ao crente atrai
Este cordel tem destino
É para o povo que vai[...]
Menina de Buique é cordelista pernambucana radicada no Maranhão há 20 anos, ela tem integrado as atrações dos palcos juninos em São Luís fortalecendo a tradição literária popular.
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*Joizacawpy Campos é professora, poeta, escritora e colunista do Facetubes.
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