A Evolução Continua no século XXI*
No final dos anos 90, professores de uma escola pública no subúrbio de Brasília encaminharam um adolescente de origem humilde para a Sala de Recursos Multifuncionais, um serviço de apoio destinado a alunos com necessidades especiais ou identificados como superdotados.
No caso do estudante Antonio Leonardo, então com 16 anos, a razão de sua presença ali era clara: o jovem exibia um talento notável para o desenho. Filho de um entregador de gás e de uma dona de casa que trabalhava como cozinheira para fora na carente Ceilândia, ele sentiu um tremor ao ser apresentado à pintura. "Eu tinha medo da tinta", recordou ele em entrevista à VEJA. A ironia desse primeiro encontro com os pincéis não passa despercebida.
Hoje, aos 39 anos, Antonio Obá - pseudônimo que significa "rei" em iorubá - é inquestionavelmente um dos maiores talentos surgidos na arte nacional neste século XXI. Suas telas, impregnadas de visões poéticas de sua ancestralidade negra, causam um impacto desconcertante, como é evidenciado pela exposição "Revoada", que estará em exibição na Pina Contemporânea, em São Paulo, a partir de sábado, dia 24.
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