Nota dos Editores do FACETUBES: você, caro leitor, sabe quais são os principais fundamentos para se gostar das várias modalidades da literatura? Aqui vão algumas dicas do bem que isso faz a quaisquer pessoas de bom senso:
(1) - Expansão do conhecimento: a literatura abrange uma ampla variedade de temas, estilos e perspectivas. Ao explorar diferentes obras literárias, você pode expandir seu conhecimento sobre história, cultura, sociedade, psicologia e muito mais. A literatura pode oferecer insights valiosos sobre o mundo ao nosso redor e sobre a condição humana. (2) - Desenvolvimento pessoal: também pode contribuir para o seu desenvolvimento pessoal, estimulando a empatia e a compreensão, ao apresentar personagens complexos e situações diversas. Através da leitura, você pode se identificar com experiências compartilhadas pelos personagens, refletir sobre seus próprios sentimentos e perspectivas, e obter uma maior compreensão de si mesmo. (3) - Aprimoramento da habilidade de comunicação: com certeza é uma forma de arte que se baseia na linguagem escrita. (4) - Estímulo à criatividade: é uma fonte de inspiração para a criatividade. Ao entrar em contato com diferentes narrativas, estilos literários e técnicas literárias, você pode expandir sua imaginação e aprender novas formas de expressão artística. A leitura pode despertar sua criatividade e incentivar você a explorar seus próprios talentos literários, seja escrevendo poesia, contos, ensaios ou outros gêneros. (5) - Entretenimento e escapismo: a literatura também é uma forma de entretenimento e escapismo. Ao mergulhar em uma história envolvente, você pode se desconectar temporariamente das preocupações do dia a dia e se transportar para mundos imaginários. A leitura pode proporcionar prazer, relaxamento e uma pausa bem-vinda da realidade. (6) - Preservação cultural: por fim, a literatura desempenha um papel importante na preservação da cultura e da história de uma sociedade. Muitas obras literárias refletem os valores, as tradições e os contextos sociais de diferentes épocas e lugares. Ao ler literatura, você pode se conectar com narrativas que moldaram a identidade cultural e contribuíram para a evolução da humanidade.
DA PALHOTA E DO TAM-TAM
De João Batista do Lago
Da profunda ancestralidade milenar
jorra com fervor a exímia sabedoria popular:
“quando a tua palhota arde,
de nada serve tocar o tam-tam”
Sim! Arde uma palhota dentro de mim,
sob a minha epiderme secular arde, assim
como queima o brilho do ouro filetado na rocha
que há de rachar-se em artérias de vidas
[. . .]
Ó irmãos da púrpura de Ébano
o fogo que arde em vossas palhotas
resplandece a negra cor de intenso brilho
nascido de Diospyros de Áfricas e de Ásias
...e quando vossos ouvidos alcançarem o batuque do tam-tam
deixai que vossos corpos se transformem em céus
para que todas as harpias ressoem o coro do tambor
apelando para a ação e a resolução da insepulta diáspora
[. . .]
Quando arder a minha palhota
quando tocar em mim o tam-tam
saibam todos de todas minhas divindades:
de Shango trago Justiça
de Anansi a Sabedoria
de Oya trago a Transformação
de Obatalá a Bondade, a Paciência e a Paz
de Mawu-Lisa trago a Criação e a Fertilidade
Sou, pois, palhota que arde
tam-tam que não deixa ouvidos moucos!
DESAFIO E RETORNO
Francisco Baia
I
Deste-me as cordas,
Apontaste-me o átrio do descanso,
Permitiste-me o livre arbítrio.
Deixaste-me livre pra seguir meu
destino próprio, e assim o fiz, como
menino feliz parti em busca de novas
aventuras, me permiti respirar novos ares,
afinal, corria em minhas veias o sangue quente
da liberdade.
II
Foram anos de sorrisos molhados
de prazer, décadas de cachoeiras que
inundaram meu ser, manhãs, tardes e
noites frenéticas e bizarras , cobertas de
flores e prenhes de acoites.
III
Como Ícaro, criei asas, e como anjo expulso dos céus
vasculhei outros mundos, puros, imundos,
férteis e frios como pedras de gelo,
destemido e indomável, prossegui minha viagem,
minha sina era acreditar no que via, e muito mais
na coragem minha, entretanto cair vencido pelo
brilho do sol que derreteu minha ousadia, todavia
não desistir e seguir adiante.
IV
Navegando nas águas de Poseidon, rasgando
mares, sem dom de leme, escorreguei nas
bordas do grande barco da vida, desesperado
como um filho perdido do pai, clamei por socorro,
e ele chegou através de uma mão amiga, impotente
chorei de dor, mas sobrevivi, e segui em frente.
V
Na calada da madrugada, como menestrel
da noite encantada, cantei meus versos
pra todas as ninfas notívagas ouvir,
com certeza desafinei, debruçado
em notas mal construídas, e sem entender
E dignificar os sentimentos por mim derramados,
terminei só, tendo apenas como companhia,
a minha poesia, e já era um excelente acalanto
pro meu solitário canto, mesmo assim prossegui.
VI
E de tanto andar sem rumo, e nem dando pra minha
vida algum prumo, resolvi parar pra refletir, estava
exausto, fatigado e moralmente cansado, a criança
que brincava feliz de mãos dadas com meus sonhos
clamava por esperança , sim, era hora de olhar pros
altos e caminhar pelo deserto, mesmo com pés feridos
e descalços enfrentei essa experiência, mesma que fosse
a última, ou o ultimo gole de um cálice apenas suado de
vida.
VII
Vi e sentir, depois de ajoelhar-me e confrontar-me
com meu eu, que não havia como vencer as batalhas
criadas por mim mesmo, era como se estivesse diante
do espelho digladiando com meu próprio reflexo, ali
era eu, meu deserto, ser incerto e desconexo, perdido
e derrotado.
VIII
Fiz-me oceano e busquei no fundo do túnel onde
me encontrava, pelo menos um feixe de luz, que pudesse
me encaminhar até a saída e me confrontar com meu
destino, era um farrapo humano, frágil menino.
IX
Uma Mão, firme e vigorosa, puxou-me com
candura e com a voz maviosa, falou-me: - Venha
Filho é hora de parar com as aventuras, era o Filho
Do Homem que salvou-me da inevitável morte,
era o Deus Vivo, era Jesus!
X
Emudecido e reconhecedor dos meus erros e ais,
calcei as sandálias da humildade, vesti o manto
da transformação, bebi na taça do amor e saí
peregrinando prenhe de felicidade, retornar jamais!
Leonardo Magalhaens
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