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Brasil RESENHAS

"O Avesso abstrato das Coisas", livro de Rafael Oliveira, na visão de José Neres

José Neres integra a Academia Poética Brasileira.

30/07/2023 09h07 Atualizada há 3 anos atrás
Por: Mhario Lincoln Fonte: José Neres/Rafael Oliveira
José Neres, resenhista.
José Neres, resenhista.

 

José Neres*

Acredito que a boa poesia  deve ser saboreada com a mesma calma e com a mesma paciência com que se degusta uma fina iguaria , com o olhar atento de quem admira o traço de um artista que ilude os nossos olhos e nos faz pensar em algo que, embora sempre visível, às vezes despercebido.

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Li seus poemas umas vinte vezes e confesso que a cada leitura fiquei mais impressionado com os cortes cirúrgicos que você conseguiu fazer nas palavras. Não tem como não admirar as sutilezas com que você traz à baila em cada verso as dores e as angústias que emanam de quadros clínicos muitas vezes desesperadores, mas que ganham a forma de uma ourivesaria quando trabalhadas por mãos  hábeis e por uma mente privilegiada que consegue visualizar a beleza onde tantas outras pessoas só veriam os aspectos biológicos.

 

Sua poesia são pílulas recheadas de palavras que fazem muito bem á alma dos leitores. E, fazendo bem à alma, também fortalecem o corpo e destacam o lado humano que tosos nós temos, mas que nem sempre é lembrado, pois queremos sempre viver anestesiados  pelas alegrias (quase sempre poucas) que marcam alguns momentos de nossa existência.

 

Impossível não se emocionar com a leveza com que você trabalha os sintomas de males como Parkinson e Alzheimer. Cada uma de suas escolhas lexicais foi feita sob medida para ensinar, emocionar e despertar em cada leitor uma incômoda sensação de estar sentido na pele os diversos problemas aos quais estamos expostos pelo simples motivo de estarmos vivos. 

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Algumas soluções poéticas suas desnorteiam qualquer pessoa. É o caso de ver o tempo como “um extintor vazio” e de sentir alguém que “salta no silêncio / da palavra”. Impressionantes metáforas de quem sabe jogar com as palavras de modo sério, sem pensar em fazer contorcionismos sintéticos e respeitando o vernáculo, mas também incrustrando e soldando em cada poema uma rara e incomum peça que não deixa a leitura cair no vazio.

 

Ao ler seus poemas, todos se tornam (im)pacientes e se tornam cientes de que um poeta ímpar como você não pode negar esse remédio a quem procura na poesia a soluçãopara tantos males.

 

(*) José Neres, professor, escritor, membro da AML, da APB, da ALL e da SOBRAMES.

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JAIME Há 3 anos atrásBSB/DFValiosa crônica!!!
Raimunda Pinheiro de Souza FrazãoHá 3 anos atrásSão José de Ribamar Parabéns ao Rafael Oliveira pelo livro e ao Professor José Neres pela Resenha!
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