* Mhario Lincoln
Ta bom! Por favor, não nos condenem, mas também não vamos ser bobos de acreditar em tudo que as redes sociais demandam, especialmente quando publicam.... "feliz dia do escritor, blablablá".
Então, que tal se o Dia do Escritor, fosse celebrado de forma diferente, sem os tradicionais tapinhas nas costas e 'até logo'? Poderíamos comemorar como uma oportunidade ímpar de chamar a atenção e conscientizar a sociedade sobre a importância da leitura e da valorização dos escritores, especialmente aqueles que enfrentam dificuldades para publicar seus livros e têm limitações de acesso à leitura.
Porém, quase ninguém na face da terra brasilis pensa assim. Por isso, que tal se fossemos na contramão da normalidade para mostrar até onde estamos certos ou errados em comemorar o 'Dia do Escritor' sem algumas ações básicas e necessárias, especialmente em prol daqueles com raríssimas chances de ter um livro às mãos e - pior - compreender seu conteúdo?
Em primeiríssimo lugar deveríamos atentar para as campanhas de incentivo à leitura, neste Dia do Escritor, campanhas de distribuição de links gratuitos de materiais digitais nas redes sociais e nos outros meios de comunicação, a fim de promover a leitura em massa, levando em conta os bilhões que futricam na internet ou mesmo envolvendo a comunidade interessada em oficinas literárias, proporcionando conhecimento e capacitação para escritores iniciantes. Tal fato já seria um degrau maior onde os envolvidos teriam orgulho desse 'pertencimento'. E isso poderia acontecer em parcerias com instituições sociais, academia de letras, instituições literárias. Isso seria perfeitamente possível!
Outro fator interessante é dar acesso maior possível aos e-books (veja o grande exemplo vindo lá de São Luís-MA, com a publicação da obra, "Literatura Maranhense Ensaios sobre a lírica contemporânea") e plataformas digitais, onde todos possam ler gratuitamente ou de forma a não se submeter a preços absurdos cobrados pelas editoras (vide números ao final). Desta forma, o Dia do Escritor poderia sair dos "obas-obas" e então, fomentar o acesso à leitura para que mais pessoas pudessem ter a oportunidade de ler, mesmo que não tivessem condições de comprar livros impressos.
Alguns esquecem que o Dia do Escritor não é apenas do 'Homem'. Mas do Livro, da leitura do livro. Da interseção entre o leitor e o livro que é igual ao conhecimento que o Escritor passa em sua obra. O Escritor é apenas - e somente - um 'start' que alimenta a eletricidade do conhecimento ou do entretenimento. Por isso, como comemorar o Dia do Escritor, se muitos Escritores, nem leitores têm? Todos sabem que autor citado é autor respeitado. Assim, no próximo ano, invés de encher as redes com "Parabéns", seria interessante publicar uma foto de um livro postado nos Correios e enviado para uma instituição de caridade, um Asilo de Mendicidade ou a um amigo carente. Todos temos amigos assim. Ou não?
Desta forma, para que esse dia seja bem comemorado, alguém terá que abrir as portas do egoísmo pessoal e coletivar a data, com ações previamente organizadas, de forma positiva e real. Se é para festejar, então façamos o certo dando oportunidade à literatura nacional, incentivando os iniciantes, porque a celebração dessa data deveria ajudar no trabalho do Escritor com maior dificuldade e a valorizar a sua contribuição para a cultura da sociedade como um todo. Deve-se seguir o mesmo modelo de outras campanhas. No dia da Vacina contra a Pólio. O que se faz? Alardeia-se a necessidade de tomar a vacina. E no Dia do Escritor? O que se está fazendo no país? Alardear a necessidade de se ler (vacinar-se contra a ignorância) ou se está elogiando e glorificando a Pólio?
Vale uma grande reflexão. Especialmente no que concerne às evidências para a melhoria da cultura, propriamente dita, relacionadas à acessibilidade à leitura e aos desafios enfrentados pelos Escritores em relação aos custos de publicação e distribuição de livros. Erros estruturais? Muitos? Destarte, cabe-nos não esperar milagres e assumirmos a posição do velho beija-flor; aquele do incêndio na floresta. E como começarmos? Repassando o velho livro da estante para alguém que gosta de ler e não pode? Parece besteira. Mas isso terá uma resposta imensa no cenário da literatura; um "efeito borboleta", um pouco diferente daquele descoberto pelo meteorologista estadunidense Edward Lorenz: uma borboleta bate as asas na Amazônia e causa um tufão no Texas. Mutatis mutanti, poderia causar um tufão de sabedoria em nossas plagas, não é?
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SERVIÇO:
Se não vouver incentivos e uma política mais vibrante e dinâmica, o Dia do escritor, esse ficará de mãos atadas para lançar sua obra. Abaixo, alguns preços praticados (2023), em algumas das gráficas boas, para entregar seu livro* em perfeito estado de leitura e conservação:
Editor: entre R$10 e R$20 por lauda para edição;
Revisor: entre R$8 e R$18 por lauda;
Diagramador: em média, R$10 por página simples diagramada;
Figuras, fotos ou ilustrações de banco de imagens: entre R$30 e R$60 por imagem;
Capista (profissional especializado em capas de livro): entre R$500 e R$1000 por capa.
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