OS FILMES E A VERDADE DE CADA UM
*Mhario Lincoln
Ontem, reassisti a um filme que realmente marcou a minha vida. Ou melhor, mudou de forma drástica a minha maneira de enxergar as coisas. Após assistir - na época do lançamento - A VIDA É BELA, já sai do cinema com uma obrigação: ver as coisas e as atitudes que tomava, de forma diferente. Foi esse filme o meu 'start' (e eu me esforcei para isso) de minhas mudanças interiores, com minha família, especialmente. Depois, com amigos que erravam feio ou com colegas de trabalho que muitas vezes diminuíam a si próprios.
"A Vida é Bela", um tsunami que me ajudou a encarar os meus pesadelos de forma corajosa e única - sem dúvida. Por isso, há algum tempo venho estudando as reações que certos filmes provocam na gente. Eu tenho 3 grandes exemplos. Um, muito negativo: "Impacto", com Boris Karloff, uma série de TV dos anos 60. Tinha por volta de 8 anos quando enganava minha mãe e descia para a sala de minha casa para, à meia-noite, assistir aos episódios. Resultado: mamãe estava certa em me proibir. Algumas cenas me marcaram muito. Vez por outra ainda sofro por isso, manifestando crises de pânico, quando me encontro em situação afigurada às do seriado de TV. Outros dois filmes, esses, funcionaram - e muito - de forma positiva: Ben-Hur e Homens de Honra. Deixarei para comentar "Ben-Hur", em outra ocasião.
Mas eu me perguntava sobre o porquê dessas produções cinematográficas influenciarem 'tantos, em tão pouco tempo'. Hoje é fácil pesquisar. Por isso, encontrei algumas respostas que gostaria de compartilhar nesta crônica de hoje, lembrando: a reação individual varia muito de indivíduo para indivíduo. Isso é fato! Todavia, os filmes podem evocar diversas respostas emocionais, cognitivas e diferentes gêneros podem desencadear reações distintas.
Vou abordar brevemente como as pessoas podem reagir a filmes de amor, violência e autoajuda. É um resumo de alguns trabalhos de não-ficção que li recentemente:
Filmes de Amor, em mim, provocam sentimentos como felicidade, esperança, empatia, nostalgia ou até tristeza, dependendo da história e do desenrolar do enredo. Nesse aspecto, minhas emoções puderam ser medidas no filme "A Vida é Bela". Um amor incondicional do personagem principal da obra, pelo filho. É algo incrivelmente perturbador, quando não se sabe amar, e, por isso, não se consegue ter reações positivas como Benigni (interpreta o pai Guido).
"A Vida é Bela" é um filme que celebra a perseverança, a força do espírito humano e a capacidade de encontrar beleza e alegria, mesmo nas circunstâncias mais sombrias. A trama se passa durante a Segunda Guerra Mundial e narra a história de Guido, interpretado por Roberto Benigni, um homem judeu que é enviado para um campo de concentração nazista e leva seu filho pequeno, Giosué, às escondidas. Então, no meio dessa tormenta, Guido exemplifica o amor incondicional ao enfrentar o horror do campo de concentração, mas mantendo seu senso de humor e usando sua criatividade para proteger e preservar a inocência de seu filho.
Aliás, sobre esse tema, fui buscar para esta conversa Viktor Frankl, neuropsiquiatra austríaco e fundador da terceira escola vienense de psicoterapia, a Logoterapia e Análise Existencial, sobrevivente do Holocausto, que enfatizou a importância de encontrar significado e propósito, mesmo nas situações mais difíceis: "Quando não somos mais capazes de mudar uma situação, somos desafiados a mudar a nós mesmos". Está em sintonia com a mensagem transmitida em "A Vida é Bela". E isso me fez refletir bastante.
Quanto aos filmes de violência, minhas reações foram por mim analisadas após assistir "Cidade de Deus". Minha tolerância à violência, histórico de exposição a situações similares na vida real e seus níveis de empatia, me deixaram muito desconfortável, mesmo que essa produção do cinema brasileiro tenha sido aplaudida no mundo todo.
Em seguida, procurei saber como reagiria a um filme de autoajuda. Confesso que não são todos os livros desse gênero que me apetecem. Então fui com calma e escolhi "Homens de Honra". Bom, tive que me ater às convicções e mensagens subliminares, fato que não esconderam o foco principal dessa obra: as mensagens positivas e de perseverança, o que pode levar as pessoas a refletir sobre suas próprias vidas e aspirações, e, se alguém que estivesse passando por momentos difíceis, poderia encontrar conforto e força nessas narrativas.
Então, meu caro amigo e leitor: quais os filmes que marcaram a sua vida? Deixa um comentário abaixo. Ajudará muitos nessa ardorosa caminhada de mudança interior, à procura do seus e nossos pontos de equilíbrio.
Mhario Lincoln
Presidente da Academia Poética Brasileira.
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