O filósofo, poeta e escritor Rogério Rocha traduz um dos poemas mais comoventes de Jorge Luis Borges. "O Suicida", um poema que mergulha profundamente nas complexidades da vida e da morte. Ele cria um retrato vívido de desespero e solidão.
Na tradução, Rogério Rocha capta esse misto de encanto literário pela construção antológica e a fragilidade da existência, em busca de significado em meio ao vazio.
Original:
El suicida
(Jorge Luis Borges)
No quedará en la noche una estrella.
No quedará la noche.
Moriré y conmigo la suma del intolerable universo
Borraré las pirámides, las medallas, los continentes y las caras.
Borraré la acumulación del pasado.
Haré polvo la historia, polvo el polvo.
Estoy mirando el último poniente
Oigo el último pájaro.
Lego la nada a nadie.
Tradução:
O suicida
(Jorge Luis Borges)
Na noite não restará uma estrela.
Sequer a noite restará.
Morrerei e comigo será extinta
A soma do intolerável universo.
Apagarei pirâmides, medalhas, continentes e rostos.
Ocultarei a acumulação do passado.
Reduzirei a pó a história, pó sobre o pó amontoado.
Contemplo o último ocaso,
Ouço o derradeiro pássaro.
Deixo meu nada a ninguém.
Tradução: Rogerio Rocha
Síntese biográfica:
Jorge Luis Borges foi um escritor argentino nascido em 24 de agosto de 1899, em Buenos Aires. Considerado um dos maiores expoentes da literatura mundial do século XX, Borges é conhecido por obras inovadoras, que misturam elementos do realismo mágico, filosofia, metafísica e referências históricas.
Ao longo da vida, ocupou cargos importantes em bibliotecas e instituições culturais, o que influenciou fortemente seu trabalho e suas reflexões sobre a natureza da literatura. Entre suas obras mais conhecidas estão "Ficciones" e "O Aleph".
Borges também foi reconhecido com diversos prêmios e honrarias por sua contribuição para a literatura, e seu estilo original deixou um legado duradouro nas letras latino-americanas. Faleceu em 14 de junho de 1986, em Genebra, Suíça, mas sua obra continua a inspirar e fascinar leitores em todo o mundo.
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