*Ensaio do professor, orientador de Comunicação Social aposentado, Jorge Russomano Reis. São Paulo/Capital.
Antigamente, os jornais impressos eram veículos essenciais na disseminação de notícias e informações, conectando diferentes regiões e culturas em uma rede de informação global. No entanto, a ascensão da era digital e da internet redesenhou esse cenário, tornando as notícias acessíveis a qualquer pessoa, a qualquer momento. A interconexão que uma vez uniu publicações de todo o mundo começou a diminuir, desafiando a indústria da imprensa tradicional a se adaptar ou enfrentar a obsolescência.
Isso porque, a imprensa digital, mesmo sendo um fenômeno relativamente novo, teve um impacto profundo na forma como consumimos notícias. No Brasil, o primeiro jornal digital foi criado em 1995, mas foi apenas na década de 2000 que esse gênero de imprensa começou a se popularizar de fato. Hoje, existem centenas de jornais digitais no Brasil, e eles são responsáveis por uma parcela significativa do consumo de notícias no país.
A ascensão da imprensa digital teve um impacto significativo nos jornais impressos. Nos últimos anos, muitos deles foram obrigados a fechar as portas, e outros foram obrigados a reduzir seu tamanho e sua equipe. Isso se deve a uma série de fatores, incluindo a migração dos leitores para a imprensa digital, a queda da publicidade impressa e a crescente concorrência dos veículos de comunicação online.
Dois casos de readaptação que impressiona em razão da transição emblemática nesse contexto: o "The New York Times" e o "Folha de São Paulo", são ilustrativos, dentre outros jornais de grande porte. Com uma história centenária de produção jornalística impressa, esses jornais citados perceberam a necessidade de se reinventar e expandir para o ambiente digital. Através da implementação de assinaturas online, adaptação das práticas de reportagem e exploração de formatos interativos, conseguiram preservar suas influências e alcances, mesmo diante das mudanças sísmicas na indústria da mídia.
Apesar dos desafios, a imprensa digital também trouxe oportunidades para vários outros segmentos. No caso dos jornais digitais, esses, podem oferecer aos leitores notícias mais atualizadas quase que instantaneamente e eles podem interagir com os leitores de forma direta. Além disso, os jornais digitais alcançam um público global, o que pode ser uma vantagem para os jornais que têm uma cobertura local ou regional.
Um exemplo de um jornal digital regional que tem se destacado no Brasil é o "Agora Santa Inês", editado a partir do município maranhense de Santa Inês, com uma população, no último censo [2022], de cerca de 85.014 pessoas. O município é rico em cultura e dista da capital, São Luís, algo em torno de 249 km, via BR-135 e BR-222. E nessa cidade que o "Agora Santa Inês" foi fundado pelo Comendador Clélio da Silveira Filho e rapidamente se tornou um dos maiores jornais digitais do Brasil. Por isso, o jornal tem um forte compromisso com a qualidade, e tem sido premiado por seu jornalismo.
Outro exemplo de um jornal digital que tem se destacado no Brasil é o sistema de Comunicação Digital do "Facetubes", uma plataforma de notícias que foi fundado pelo jornalista Mhario Lincoln para ancorar as publicações da Academia Poética Brasileira, da qual é o presidente. A plataforma do "Facetubes" tem uma forte presença nas redes sociais, o que lhe permite se conectar com um público global.
Em suma, a trajetória da imprensa digital é uma narrativa de mudança constante e de adaptação contínua. A evolução do jornalismo, exemplificada por "Agora Santa Inês" e "Facetubes", demonstra que, embora as notícias tradicionais possam ter diminuído, a busca por colaboração, inovação e engajamento com o público compartilhado é o alicerce para o sucesso na era digital. Assim, o desafio para os meios de comunicação reside em manter um equilíbrio entre a herança do passado e a necessidade de abraçar as oportunidades do futuro.
Como bem disse o renomado autor Marshall McLuhan: "Os meios de comunicação são a extensão do homem." Nesse sentido, a imprensa digital emerge como uma extensão adaptada e poderosa da expressão humana, capacitando a sociedade a se conectar e se informar de maneiras sem precedentes.
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