A Orquestra Filarmônica da Universidade Federal do Paraná (UFPR) se junta a grandes vozes da música erudita brasileira para a estreia da temporada da ópera “Anjo Negro”. Baseado na obra de Nelson Rodrigues, o espetáculo terá três apresentações, nos dias 29, 30 e 31 de agosto, no Teatro Guaíra.
Escrita em 1946, originalmente como uma peça teatral, “Anjo Negro” aborda questões como racismo, violência contra a mulher e crianças, bullying, estupro e incesto. A montagem narra a história de Ismael, médico negro que mantém Virgínia, sua esposa branca, confinada. Os três filhos que nascem acabam sendo afogados por Virgínia em um tanque, por serem negros como o pai. Em um corte temporal, a história dá um salto de 15 anos, quando surge Ana Maria, branca e cega, apaixonada por Ismael, que acredita ser seu pai e o único homem branco do mundo.
Foto: "A discussão e a reflexão sobre temas cruciais da vida em sociedade passa pela escola. E a arte é uma das formas mais eficazes para isso". A avaliação é do diretor teatral Jul Leardini, que está à frente da direção da ópera Anjo Negro, espetáculo que estreia no próximo dia 29, no Teatro Guaíra, em Curitiba. Ele e integrantes da equipe da montagem bateram um papo na noite desta terça-feira, dia 15, com estudantes do curso de Técnico em Teatro (subsequente ao ensino médio) do Colégio Estadual do Paraná. Além de Jul Leardini, estiveram presentes o ator David Marcondes, Jewan Antunes, Luiz Roberto Romano e Neli Rocha – compartilhou com os estudantes o processo de concepção, elaboração e produção da obra.
PRODUÇÃO
Com produção de Jewan Antunes, é uma ópera do compositor e maestro João Guilherme Ripper, com regência do Maestro Felipe Biesek e direção cênica de Jul Leardini. Entre artistas e técnicos, mais de cem pessoas estão envolvidas na produção. O elenco tem grandes nomes da música erudita do cenário nacional, incluindo, nos papéis protagonistas, David Marcondes, cantor do Teatro Municipal de São Paulo, como Ismael, e Luciana Melamed, cantora da Camerata Antiqua de Curitiba, como Virgínia.
A encenação inova ao recriar o clássico de Nelson Rodrigues com uma estética que traz elementos do expressionismo alemão, cinema noir e teatro espartano, além de referências à obra de Karl Jung. O cenário é composto por projeções mapeadas, com um toque tecnológico que dialoga com o texto permeado por temas que, tragicamente, ainda são tão atuais e conectados com a realidade brasileira.
Nas três datas a ópera terá início às 20 horas. Os ingressos estão à venda no site Disk Ingressos, ao preço de R$ 40 (inteira) e R$ 20 (meia).
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