
Joizacawpy Costa
Estávamos reunidos numa corrente poética que ecoava vozes, as mais variadas. O agosto era lilás mas tornou-se colorido em meio a tanta diversidade, cada ser expressava seu ser único, mas também se juntava ao ser do outro num abraço de solidariedade na verdade num gesto de humanidade.
As horas marcadas do relógio foram poucas para o tanto que tínhamos a oferecer, a expressar. A poesia ecoava quer nas declamações quer nas canções ali entoadas do clássico ao popular.
Ao terminar aquele momento coloquei-me a caminho de casa, e em cada rua, em cada esquina que eu passava, deparava-me com mais manifestações artísticas, pessoas sentadas em suas portas a escutar a música sertaneja romântica, em outra esquina uma encenação, mais adiante um forrozinho embalava um grupo num bar, mais adiante outros ouviam uma pedra (reggae).
Fui vendo e refletindo as diferenças, que fazem a dinâmica do mundo e perguntei a mim mesma o porquê de tanta incompreensão, o porquê de tanto preconceito.
Desde quando a música clássica é superior ao sertanejo, ao forró ou às batidas dos tambores? Desde quando as obras clássicas em qualquer área são mais importantes que as populares? Não há superioridade, tudo é fruto da mente fértil do ser humano, capaz de criar, de recriar. Perguntei-me ainda por que as diferenças dos indivíduos ainda é motivo de conflitos tão extremos capaz de provocar segregação e perdas de seres humanos na sociedade. Os diferentes existem para se complementarem...
Foto02- O ativista dos diretos LGBTQIA + Carlos Wellington e a artista Jose de Jesus, que falou sobre assédio em espaços de trabalho.
No dia 18 de agosto aconteceu na galeria Trapiche em São Luís do Maranhão Um momento de arte e expressão de contextos sociais. Um Sarau alusivo ao agosto lilás que faz referência ao combate a violência contra a mulher, um tributo ao policial Carlos Bahia que cometeu suicídio, este era um policial gay, e o lançamento do Título “Discurso e Violência” de Jeanderson Mafra que além de escritor é também policial militar.
Foto 03 - A poeta Ray Brandão leu o poema O grito de um suicida.
Para além do Sarau Mafra fez uma abordagem sobre o tema de seu livro e deu espaço para as colocações de Jose de Jesus que também é artista formada pela Universidade Federal do Maranhão e tratou do assunto sobre assédios no local de trabalho o qual foi vítima, esteve presente também Carlos Wellington ativista dos diretos LGBTQIA+, que fez uma abordagem sobre a temática de seus direitos e a necessidade de serem respeitados.
Drosps cultural
A presença da Cantora Maria Itskovich deu um tom de suavidade e harmonia ao evento, através de sua música.
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