*Mhario Lincoln
'Que o teu saber não humilhe o teu próximo.
Cuidado, não deixes que a ira te domine.
Se esperas a paz, sorri ao destino que te fere;
não firas ninguém'.
Omar Khayyan - (Rubayat 05).
Carmen Regina Dias, acadêmica da Academia Poética Brasileira, seccional Paraná, residente em Cascavel/PR, é, sem dúvida, uma figura das mais queridas em função de suas particularidades de como vê a vida e os que a cercam, numa outra perspectiva superior de vida. Amante da natureza e da filosofia de Omar Khayyan, Regina se destaque muito por ter um coração imenso, mas firme em suas convicções como as amazonas lendárias.
Esta semana ela escreveu para mim confidenciando sobre o impacto dos poemas de Omar Khayyan nas pessoas. "Mhario, isso é um fato que eu sinto e vem se repetindo ao longo da história desta nossa humanidade. Omar, um polímata persa do século XI, que ficou conhecido principalmente por suas contribuições à matemática e à astronomia, mas também por seu "Rubaiyat" – poemas curtos e líricos, escritos em formato de quadras, os quais me orientam e me deixam mais focadas em minhas atitudes", disse-me ela.
Então acabei descrobrindo uma profunda relação literária entre Carmen Regina Dias e Khayyan, quase perfeita, quando ela incorpora e reflete sobre os poemas de Oman, em uma relação direta que se desenvolve e se contextualiza neste novo século XXI. Isso prova que mesmo nas reinterpretações temporais, a 'atemporariedade' de Khayyan é surpreendente, pois acaba influenciando as pessoas que o leem, indiferentemente do século em que vivam.
E por que isso acontece? Porque as questões de existência, mortalidade, amor, destino e espiritualidade que Omar fala, são universais e eternas. As pessoas de diferentes culturas e épocas podem se identificar com elas. Por outro lado, a própria escolha de palavras, imagens e metáforas em suas quadras, é encantadora e evocativa. Quando bem traduzidos, esses poemas têm o poder de capturar a imaginação do leitor.
Khayyan, em seus poemas, às vezes, desafia as convenções religiosas e sociais, e essa rebeldia pode atrair leitores que questionam a ortodoxia em suas próprias vidas. Além do mais, convenhamos, quem conhece a pena de Omar sabe que sua obra é bela; os poemas provocam reflexão, incentivando os leitores a pensar sobre a natureza da existência e o propósito da vida.
É esse o contexto que envolve a poeta APB Carmen Regina Dias e a faz recitar Omar Khayyan nas praças públicas (vide foto acima) de Cascavel/PR, adicionando uma dimensão peculiar a sua experiência, enquanto fluido mágico e cósmico. E esses recitais têm um objetivo: fazer com que a plateia ouça os poemas em voz alta, especialmente em um ambiente comunitário, para ressoar como algo acalentador, insuflador e reflexivo.
Carmen quando vai para as ruas, começa exatamente colocando em uma mesa à frente do coreto, onde vai recitar, uma jarra de vinho tinto e um copo cheio até a metade. A partir daí ela solta o verso de Oman: "Despertai, meus pequenos! E enchei bem o copo! Antes que seque o Vinho da Vida em sua jarra!"
Este verso é um lembrete poderoso da finitude da vida. Através do uso magistral de metáforas e simbolismo, Khayyan nos exorta a viver plenamente, a abraçar cada momento e reconhecer a preciosidade da experiência humana antes que ela desapareça. Este é um tema que não só repercutiu com os contemporâneos de Khayyan, mas continua a tocar corações e mentes em todo o mundo, reiterando o poder duradouro de sua poesia.
E no grandioso teatro do universo, indo nessa mesma direção, a vida humana é apenas um breve momento, um sopro, e Khayyan nos convida a não perder esse tempo precioso: "carpe diem".
E a imortal APB Carmen Dias, faz isso de forma irremediável.
Parabéns, confreira.
Mhario Lincoln é presidente da Academia Poética Brasileira.
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