1,2,3: a Literatura Maranhense tem vez!
*Mhario Lincoln
Roger Dageerre se destaca como um luminar literário cuja versatilidade não tem limites. Na lista de seu repertório, encontramos romances e contos entrelaçados que atravessam uma infinidade de gêneros. Sua obra criativa assume um significado cativante à medida que invariavelmente se desenrola tendo como pano de fundo seu domínio nativo: a resplandecente extensão nordestina do Brasil. Essa imersão regional confere às suas narrativas uma infusão íntima de ternura, confidências, religiosidade e folclore, cada um meticulosamente incorporado à própria estrutura de suas composições.
Dageerre, uma figura de notável dualidade, é a personificação da humildade, apesar de sua eminência como um expoente perspicaz de trabalhar com números. Sua mais recente trifeta de ofertas literárias que eu recebi e li, me atraiu a admiração e contemplação, ainda mais.
"Só nós dois", uma obra-prima arrebatadora, mergulha no reino de uma decisão singular, que gira em torno da comovente escolha de permanecer ao lado de um velho amigo firme, evitando assim o espectro da separação.
Esta comovente exploração narrativa evoca reminiscências da noção de "Salto de Fé" de Søren Kierkegaard, poeta e crítico social dinamarquês, considerado o primeiro filósofo existencialista, onde os momentos mais profundos da vida muitas vezes exigem um salto corajoso para o desconhecido, alimentado por uma profunda gravidade emocional.
Na obra “A História da Foto”, onde ele presta homenagem a mim, às primeiras páginas e eu agradeço, Dageerre, evoca uma história semelhante aos exercícios literários de outrora, que lembra a disciplina colegial clássica, chamada de "Descrição".
Com uma foto, apenas, o autor faz uma narrativa cativante, que florescem a partir dos meros contornos de uma imagem, tecendo fios de um tapete narrativo, apenas através dos semblantes dos seus temas.
Nesta empreitada, Dageerre, meu amigo de há muito, desbrava novos terrenos, à medida que a sua inovação reacende o espírito de inovação tão ardentemente celebrado por Walter Benjamin, ensaísta, crítico literário, tradutor, filósofo e sociólogo alemão, associado à Escola de Frankfurt e à Teoria Crítica, que imaginou o contador de histórias como um agente de rejuvenescimento, dando vida às imagens silenciosas que embelezam as nossas vidas.
O terceiro e último presente desse grande Dageerre é o livro "Pesando Bem". Compêndio de contemplações pessoais e coletivas, convida a reflexões que lembram os tomos reverentes do inesquecível Emílio Ayoub. Os grafites poéticos de Ayoub, gravados nas paredes de São Luís, vibram com uma ressonância atemporal, conferindo luminosidade poética aos muros solitários da cidade.
Da mesma forma, as reflexões de Dageerre, encadernadas nas páginas de "Pesando Bem", evoluem para uma constelação reflexiva, semelhantes aos versos estrelados que continuam a acender a alma coletiva.
As coletas aforísticas de Dageerre traçam cursos de virtude e introspecção, tornando suas contribuições literárias semelhantes a bússolas morais que se dirigem para paraísos altruístas. Inegavelmente, as criações literárias de Dageerre constituem verdadeiros pilares de importância na paisagem florescente e fortificada da literatura maranhense.
Através das suas narrativas sagazes, o espírito da sua pátria encontra uma voz duradoura, evocando reminiscências no regional, numa unidade harmoniosa. Assim, Roger Dageerre é, sim, um maestro da simplicidade buliçosa que culmina na destreza artística, através de uma sinfonia contínua que ressoa com a cadência intemporal da experiência humana.
Grato por essas três obras, amigo,
Mhario Lincoln
Presidente da Academia Poética Brasileira.
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