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Renata Barcelos escreve: "O alcance da literatura no contexto brasileiro"

Barcellos é convidada da Academia Poética Brasileira.

03/09/2023 19h45 Atualizada há 3 anos atrás
Por: Mhario Lincoln Fonte: Renata Barcellos
(Reprodução). Renata Barcelos: ao fundo, uma das obras de Tchello D'Barros.
(Reprodução). Renata Barcelos: ao fundo, uma das obras de Tchello D'Barros.

O alcance da literatura no contexto brasileiro

Renata Barcellos

“A literatura é o nosso jornal de ontem. ‘Jornal’

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porque ele traz detalhes, ele nos atualiza, ele

nos informa. ‘De ontem’ porque a literatura

normalmente descreve um período que já foi”.

Wellington Amorim

 

O que é literatura? A partir das diversas definições de autores como Cândido, Coutinho, Peixoto, Pound, Taine...), sempre nas aulas digo: é a expressão do homem no seu tempo, contexto. É fundamental o conhecimento dos fatos ocorridos na época para entendê-los e sua obra.

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Isso a fim de que não se interprete um texto de forma equivocada, descontextualizada. Exemplo, a polêmica em torno de Monteiro Lobato e o suposto preconceito. Como assim? O autor escreveu A negrinha e o Presidente negro. Devemos ler essas obras para termos argumentos contra esta afirmação equivocada. Por si só, o título delas já respondem.

Pensemos: a qual época Lobato pertencia? Já existia a lei 7.716-89?

As literaturas têm como objetivo manter viva a memória de um povo, no seu tempo. Elas podem expressar o engajamento social, a expansão da imaginação, fazer compreender os atos das pessoas, observar os sentimentos delas, entretenimento... Com as literaturas, é possível analisar comportamentos e desvendar mistérios, relembrar fatos históricos... Haja vista que as suas funções são: estética, político social, lúdica, catártica e cognitiva. Assim, cada autor tem seu perfil.

É preciso que o aluno esteja diante de uma proposta pedagógica na qual as Literaturas sejam fonte de reflexão para o indivíduo explorar seu meio e criar seus sonhos e expectativas. Segundo TODOROV, elas “nos proporcionam sensações insubstituíveis que fazem o mundo real se tornar mais pleno de sentido e mais belo. Longe de ser um simples entretenimento, uma distração reservada às pessoas educadas, ela permite que cada um responda melhor à sua vocação de ser humano.” (2009, p.24).

Podemos viajar no tempo através do ato da leitura, pela simples satisfação de explorar as literaturas. Não compreender a função social delas e se restringir aos estudos literários (decorar autores e obras) pode levar o aluno leitor ao desestímulo por não despertar o desejo pela leitura.

O alcance das literaturas no contexto brasileiro atual é preocupante. Fica restrito a um pequeno grupo leitor. Tem perdido espaço para as redes sociais e outras ferramentas. O e-book é uma realidade. Mas muitos preferem o livro impresso ainda. O custo com a publicação e o valor de cada exemplar está cada vez caro. As pessoas gastam com lanche, ingressos... e não com cultura, formação, livro, e-book... O pensamento da sociedade deve mudar. Urge conscientização quanto à importância da leitura literária. Através da ficção, há um vasto conhecimento a ser transmitido. Falta uma efetiva educação literária. Para isso, é necessário mudanças na formação do professor. Ele vem de uma realidade nas quais as aulas são decoradas as informações a respeito de cada escola literária.

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Muitas vezes, não há leitura de obras literárias, nem propostas diferenciadas de atividades como a técnica da retextualização (um gênero literário sugerido a partir do tema abordado será apresentado em outro).

Exemplo: O fragmento de Os tambores de São Luís, de Josué Montello.

FRAGMENTO 1:

O tempo, por si mesmo, apaga muita coisa que ficou para trás. Sobre certos estirões do caminho percorrido, as sombras se adensam, e é debalde que Damião tenta iluminá-los, de sobrancelhas travadas, os olhos no ar.

Frequentemente, para que certas lembranças ganhem nitidez na sua consciência, ele recorre a um fato acessório, que tem o dom de avivar-lhe as reminiscências esmaecidas. Noutras ocasiões, nem assim o caminho se clareia. E é então que ele se põe a recitar, verso a verso, sem uma falha, os cantos da Eneida, como se estivesse com o poema diante dos olhos, para ter certeza de que a idade não lhe enfraquecera a memória. (MONTELLO, 1985, p. 359).

MICROCONTO: Tempo, ele apaga, faz fade out do que foi, do que se arrastou. E entre essas trilhas, as sombras crescem, Damião luta, olhos no céu, desvendando, iluminando. Testa franzina, coração arde.

LEMBRANÇAS? Sim, elas estão lá. Talvez um pouco borradas. Mas ele pega esses fragmentos, grudados nas bordas. Cola-os com fatos secundários, aquece as brasas esmoecidas. No entanto, às vezes, não importa o quanto ele tente. As lembranças continuam como névoa densa, sem se esclarecer. Então, ele recorre aos versos, à antiga melodia. Lê cada palavra como se o poema fosse novo, na frente de seus olhos. Uma dança de palavras, uma canção de Eneias. Certifica-se de que a idade não corroeu sua memória. De que o tempo não apagou o fogo.

As diversas literaturas brasileiras precisam alcançar o público de uma forma geral. É preciso ler os clássicos e os autores não só o cânome, mas também os contemporâneos, os povos originários, os africanos...

Estabelecer relações entre as diversas expressões. Dar sentido e fazer os textos circularem. Saírem de dentro dos livros. As suas palavras ganharem vida. Criarem asas e voarem na imaginação do leitor. Levá-lo a refletir sobre os temas abordados. Reconhecer o estilo de cada autor, dos recursos expressivos utilizados... Perceber como os efeitos de sentido são provocados.

Hoje, vale ressaltar que a Poesia Visual está presente (muitas vezes) nas galerias de artes plásticas. Entende-se o poema de forma expandida e as ARTES também. Por isso, a vertente da literatura datada de 300 A.C está para além de coletâneas e antologias. Poesia também é uma expressão artística. Às vezes, não utiliza o verbal para a elaboração como a do multiartista Tchello D'Barros intitulado Soneto das ditaduras.

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Linhares, SelmaHá 3 anos atrásRio Grande do Sul.Que barbaridade essa história pedagógica brasileira. Por isso tentam arrasar com a fama do professor Paulo Freire.
Joaquim Affonso RomanoHá 3 anos atrásCoimbra PT"Sou do curso de Letras. Ele também não é mencionado Nem nos livros didáticos Conheci o autor em SL." Isso é simplesmente um absurdo editorial pedagógico. Assim é a educação no Brasil. Precária é elogio.
Renata Há 3 anos atrásRjA ilustração é do site. Sou pesquisadora da obra do multiartista Tchello d Barris
RenataHá 3 anos atrásRjSou do curso de Letras. Ele também não é mencionado Nem nos livros didáticos Conheci o autor em SL Muitos do Maranhao tb o conheci Estou divulgando as obras
Maria de Fátima ReisHá 3 anos atrásBelo Horizonte MGAchei interessante a senhora resgatar a arte viva de Tchello D'Barros. Sou fã incondicional desse artista. Adorei essa ilustração. Quem fez?
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