*Mhario Lincoln
Quando comecei a ler - "Pergunto triste onde estaria sua paixão./ Por que também não luta por mim?/ Por que não faz minha dor ter um fim?/ Perguntas, perguntas...sem respostas enfim", veio-me a essência lírica de Jorge Cruz nesse poema que reflete a angústia e a busca incessante por respostas em relação ao amor e à indiferença, provando que, nessa licença poética, ainda persiste uma carência de reciprocidade e um anseio por solução a esse problema. Esse sentimento também é expelido em alguns trabalhos do poeta, dramaturgo e crítico de língua inglesa, TS Eliot em "The Waste Land", coberto de sentimento de desespero e por uma busca incessante por respostas.
No segundo trabalho enviado, Jorge Cruz diz: "Alcançar o amor perfeito é possível quando entendermos/ Que a sua busca deve começar primeiro em você./ Amando-se". Ora, o autor sugere que o verdadeiro amor começa com o autoamor. Ou seja, para Cruz, atingir um estado de amor genuíno para com os outros só é possível quando se tem amor-próprio. Esse pensamento é semelhante à obra de Rumi, um poeta persa sufi, do século XIII. Em seus versos, Rumi frequentemente explora a ideia do amor divino, dentro de nós, e do autoconhecimento, como fatores básicos para se amar verdadeiramente, ou seja, "O universo não está fora de você. Olhe para dentro de você; tudo o que você quer, que você ama, está em você..." (tradução livre).
Na Bíblia, há uma passagem muito significativa que marca essa afirmativa de Cruz: “Amarás o teu próximo como a ti mesmo". (Marcos 12:31), sublinhando a importância do autoamor, que muito bem retrata nessa parte de seu verso: o amor-próprio.
Já a sequência, nestes versos mais fortes de Cruz, ele destaca uma mudança iminente na consciência humana, enfatizando a primazia dos virtuosos e a consequente inclusão daqueles que resistem ao progresso espiritual: "Devo informar-lhes que a evolução humana está na porta, para uma nova fase./ Onde os mansos e os pacíficos herdarão a Terra, segundo as boas-venturanças./ Onde os sentimentos e ferramentas contrários a essa evolução serão banidos./ E aqueles que não se adequarem, infelizmente,/ Serão solicitados a deixarem o planeta porque serão os desertos./ Portanto, mudem enquanto é tempo."
Imediatamente veio-me à cabeça algo parecido com William Blake, que além de poeta era também pintor e tipógrafo inglês: "Songs of Innocence and of Experience". Claro que quando se fala em "Inocência" e "Experiência", logo ressurge também outra performance inteligente da consciência, a qual repensa os estados míticos-existenciais de "Paraíso" e "Queda" de Jonh Milton. Blake também descreveu uma visão do mundo onde o puro e o inocente serão recompensados, enquanto os corruptos serão punidos.
Esses três poemas do olindense Jorge Cruz só vêm provar que o Nordestino brasileiro, mesmo com tantas adversidades, pode aguçar a sensibilidade humana, na tentativa de dar sentido ou de superar as dificuldades. Possivelmente todo esse sofrimento nordestino (já se tornou atemporal), pode aprofundar a compreensão da condição humana, permitindo que artistas, músicos e escritores capturem emoções com uma profundidade que ressoa em muitas pessoas. Por isso, essa expressão cultural singular, acaba gerando um 'start' para a expressão criativa.
Foi-me ótimo ter lido os poemas completos de Jorge Cruz. Como se vê, quem lê com a devida atenção, sempre vai buscar resquícios de boas lembranças, sejam poéticas ou em prosa. E isso é ótimo para entender a amplitude da arte, quando se vê tudo isso na mesma perspectiva de um Antoine Lavoisier, "... tudo se transforma". Abaixo, os três poemas usados para analisar os excertos acima:
Custa-me achar um novo caminho
Que me leve a você onde estiver
Minha vida em constante desalinho
Empurra-me a outros ninhos.
Lugares sem você são um nada
Sempre vazios e solitários
Dias sem sol na madrugada
Sem orvalho e cheiro de terra molhada
Esforço-me sempre a te encontrar
Destino sempre me afastando
Como posso o destino mudar?
Ou, como posso o destino aceitar?
Podemos mudar as estrelas de posição?
Meu esforço parece ter este tamanho,
Parece ter toda esta dimensão
Como posso acalmar meu coração?
Pergunto triste onde estaria sua paixão.
Por que também não luta por mim?
Por que não faz minha dor ter um fim?
Perguntas, perguntas...sem respostas enfim.
Jorge Cruz – Curitiba 20/05/2022
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O amor quando dói é porque ainda não é um amor perfeito.
Quando alguém que amamos nos magoa, por vezes relevamos.
Quando somos magoados novamente, sofremos mais ainda.
Buscamos o amor perfeito e o maquiamos para aceitarmos.
Como se a maquiagem neste amor conseguisse encobrir suas imperfeições.
Mas o amor ainda não perfeito exterioriza sempre seus defeitos.
E não adianta encobrirmos com desculpas infantis.
Ou aceitamos as imperfeições do nosso amor e nos adaptamos,
Ou sofreremos continuamente nesse esforço inútil.
Alcançar o amor perfeito é possível quando entendermos
Que a sua busca deve começar primeiro em você.
Amando-se.
Jorge Cruz
Curitiba, 27/03/2021
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Aos Senhores das Armas
Aos que defendem e adoram o deus das armas,
As mesmas que não se define como protetoras da paz, mas fomentadoras de guerras,
As mesmas que têm um só objetivo: ferir ou matar seu oponente ou inocente
Que esteja em sua linha do tiro, que, uma vez lançada, não tem como retroceder.
Aos que utilizam a desculpa de autoproteção, ordem, força de resposta,
Mesmo que acidentalmente fira ou mate um inocente,
Mesmo que acabe com a vida de um oponente, de um amigo, de uma criança.
Aos que de se deslumbram com a sensação de poder decidir se alguém
Ou algum pobre animal indefeso pode ou não viver,
Como se fosse um deus de barro decidindo a vida de outros.
Aos que se autoproclamam livres para poder escolher ter ou não ter uma arma,
Podendo esta mesma arma ser utilizada para guerras, roubos, tráfico, intimidações,
Podendo ainda ser utilizada de forma acidental e ferir entes queridos.
Devo informar-lhes que a evolução humana está na porta, para uma nova fase.
Onde os mansos e os pacíficos herdarão a Terra, segundo as boas-venturanças.
Onde os sentimentos e ferramentas contrários à essa evolução serão banidos.
E aqueles que não se adequarem, infelizmente,
Serão forçados a deixarem o planeta porque serão os deserdados.
Portanto, mudem enquanto é tempo.
*Mhario Lincoln é presidente da Academia Pética Brasileira.
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