Redação do Facetubes
Esse momento é simbólico para a literatura e cultura brasileira. A eleição de Krenak reflete uma tentativa de reconfiguração da ABL, expandindo horizontes e liberando a pluralidade de vozes que compõem a rica tapeçaria cultural do Brasil.
Ailton Krenak, escritor renomado e líder indígena, conquistou um marco histórico ao ser eleito para a Academia Brasileira de Letras (ABL). Ele se destaca agora como o primeiro indígena a integrar essa ilustre instituição centenária, criada por personalidades como Machado de Assis e Rui Barbosa.
Nos últimos anos, Krenak ganhou notoriedade no cenário literário nacional com sua trilogia composta por "Ideias para Adiar o Fim do Mundo", "A Vida Não É Útil" e "Futuro Ancestral". Seus trabalhos apresentam reflexões profundas e acessíveis sobre a cosmovisão indígena, contribuindo para a disseminação das ricas cosmogonias originárias pelo Brasil.
Entretanto, o compromisso de Krenak com as causas indígenas é antigo. Ele teve uma atuação crucial na Assembleia Constituinte de 1987, defendendo os direitos dos povos originários na nova Carta Magna do país.
A busca por maior representatividade na ABL tem sido uma discussão em pauta nos últimos anos. A eleição de ícones da cultura brasileira, como Gilberto Gil e Fernanda Montenegro, reflete um esforço da instituição em consideração em diversos campos do saber. Contudo, ainda há desafios a serem enfrentados no que tange à inclusão de mulheres, negros e agora, indígenas.
A eleição de Krenak também foi marcada por controvérsias. Ele e o também escritor indígena, Daniel Munduruku, manifestaram divergências quanto à postulação da vaga. Ambos, entretanto, honraram o processo eleitoral da ABL até o fim, demonstrando compromisso e respeito à instituição.
Esse momento é simbólico para a literatura e cultura brasileira. A eleição de Krenak reflete uma tentativa de reconfiguração da ABL, expandindo horizontes e liberando a pluralidade de vozes que compõem a rica tapeçaria cultural do Brasil.
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Foto mostra a capa do livro que conta a história de Ailton Krenak, nascido em território do povo Krenak, na região do vale do Rio Doce, tornou-se um dos maiores líderes políticos e intelectuais surgidos durante o grande despertar dos povos indígenas ocorrido no Brasil a partir do final dos anos 1970. Sobre o autor dessa obra: Francisco Lima Neto é formado em Jornalismo, trabalha como autor infanto- juvenil e repórter. Dedica-se a pesquisas e textos que apresentam personalidades, fatos e construções históricas.
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OS CANDIDATOS
Para a Cadeira n. 5 do Quadro dos Membros Efetivos, na vaga com o falecimento do Acadêmico José Murilo de Carvalho, estavam concorrendo: Ailton Alves Lacerda Krenak, Mary Lucy Murray Del Priore, Raquel Naveira, Antônio Hélio da Silva, J. M. Monteirás, Chirles Oliveira Santos, Daniel Munduruku, José Cesar Castro Alves Ferreira, Gabriel Nascentes, Ney Robinson Suassuna, Denilson Marques da Silva, José Ricardo dos Santos Rodrigues, Martinho Ramalho de Melo, Luiz Coronel e Maria Madalena Eleutério de Barros Lima.
A VOTAÇÃO, COMO SE DÁ?
Voto secreto: nas eleições da ABL, o voto é secreto. Essa é uma condição fundamental da academia. Atualmente, há três modalidades de voto: por carta, presencial e virtual. Todos os votos têm garantia absoluta de segredo. Para ser eleita, a pessoa precisa de metade dos votos mais um. O colégio eleitoral é constituído hoje por 34 votantes possíveis. Isso significa que o eleito entra com 18 votos. Pode haver também votos em branco e nulos. No caso de empate, faz-se um segundo escrutínio. Se até o quarto turno não houver nenhum resultado, abre-se mais adiante a academia para nova eleição.
O candidato eleito só é considerado acadêmico pleno após discurso na solenidade de posse. Até isso acontecer e ele receber o diploma, não poderá votar nas eleições e não tem direito à palavra no plenário, nas sessões fechadas. O prazo entre a eleição e a solenidade de posse depende de acordo feito entre o eleito e a presidência da ABL.
À semelhança da Academia Francesa, os imortais brasileiros vestem um fardão, vestimenta verde-escuro com folhas bordadas a ouro, que tem como complemento um chapéu de veludo negro com plumas brancas e uma espada. As mulheres, que passaram a integrar a Casa de Machado de Assis em 1977, usam um vestido longo de crepe, na mesma tonalidade do fardão, também com folhas bordadas a ouro.
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