Quarta, 02 de Setembro de 2026 01:08
(xx) xxxxx-xxxx
Brasil DIA DO POETA

Quantos poetas deixaram obras pessoais tão relevantes, que fizeram esquecê-los, enquanto (só) poeta-dor?

O poeta maranhense Cunha Santos Filho é um deles. E é através de sua obra que comemoramos o verdadeiro Dia do Poeta. A mesma data (1976) do surgimento do Movimento Poético Nacional, encabeçado por Menotti Del Picchia. Mas, entre um verso e outro, nem tudo são flores.

20/10/2023 10h43 Atualizada há 3 anos atrás
Por: Mhario Lincoln Fonte: Mhario Lincoln/Cunha santos Filho
Cunha Santos Filho
Cunha Santos Filho

" (...) é o próprio ser humano que busca o sofrimento, como se tivesse a necessidade de sofrer..." (Cunha Santos Filho, na vídeo-entrevista publicada abaixo do texto).

 

Poeta Cunha Santos Filho, simplesmente inesquecível!

Continua após a publicidade

*Mhario Lincoln

No firmamento literário do Maranhão e do Brasil, uma estrela hoje, brilha ainda mais intensamente. Faz um ano que o poeta maior Cunha Santos Filho faleceu. Mas deixou na terra e nas vibrações universais uma história poética marcante e uma dor que ressoará nas almas sensíveis pelas gerações. 


Poeta Cunha Santos Filho, um nome que transcendeu sua existência terrena para habitar as páginas imortais da poesia. Sua vida foi uma narrativa e em muitas vezes e, em alguns dos seus mais fortes poemas, mostrou sua dor e sofrimento. Contudo, paradoxalmente, fez sua obra florescer como um oásis de beleza e transcendência inquestionáveis.

 

Poetas como Cunha Santos Filho, são guerreiros draconianos contra a impunidade e a injustiça social, por isso são também como essência da própria existência humana, pois seus versos são forjados por tormentos escondidos nas profundezas abissais da alma, somados ao grito, sempre esperando o eco como resposta às lutas e aspirações de seu povo, nessa busca alquímica inexorável.


Hoje, pensando comigo e procurando a última entrevista que fiz com ele, (abaixo) pouco antes de sua morte, ainda sinto que as palavras proferidas a mim, continuam sendo lágrimas que habilmente transformou em versos, numa alquimia poética que revela a beleza na tragédia. Depois da entrevista ele me disse: "Mhario, não pense que a minha dor é apenas um fardo. Ainda consigo transformá-la em fonte de inspiração, através de uma espécie de janela para a compreensão mais profunda da minha condição humana. Eu estou consciente disso".

Continua após a publicidade


Naquele dia em que estávamos sentados num salão vazio de um shopping, em São Luís-MA, e enquanto falávamos, minha lembrança trouxe para a mesa o poeta nigeriano Ben Okri, cuja vida foi marcada por desafios e adversidades. Assim como a de Cunha, a poesia de Okri também foi um testemunho da resiliência humana e da capacidade de encontrar significado na adversidade. E mesmo quando há enfrentamentos com as sombras da morte e da dor, a poesia pode ser uma âncora que nos liga à humanidade e à transcendência.


Desta forma, a versificação do tempo e espaço onde há reverberações inesgotáveis da palavra de Cunha Santos, essas, continuarão a ecoar no Maranhão e no Brasil, inspirando gerações futuras a encontrar beleza na dor e significado na luta, pois a poesia é a voz da alma humana, uma voz que supera o tempo e o espaço, tornando-se inesquecível na vastidão do universo literário e filosófico.
Abaixo, a última entrevista pública de Cunha Santos Filho:


VÍDEO-BÔNUS

Essa é a última entrevista pública de Cunha Santos. Tive o privilégio de fazê-la. A entrevista é forte. Muito forte.

* O conteúdo de cada comentário é de responsabilidade de quem realizá-lo. Nos reservamos ao direito de reprovar ou eliminar comentários em desacordo com o propósito do site ou que contenham palavras ofensivas.
500 caracteres restantes.
Comentar
João Batista do LagoHá 3 anos atrásSão Luis (MA)Cunha Santos Filho é, literalmente, da minha geração. trabalhamos juntos em alguns jornais de São Luis. Pessoalmente tinha uma admiração por ele fervorosa. Fomos companheiros de boemia... de cerveja... de catuaba e outras cachaças! Carinhosamente sempre me acusava de ter "roubado" sua mulher amada, mas "nunca revelada". Era um irmão. Por força do destino ficamos afastados mais de 30 anos, tempo que vivi fora do Maranhão. Mas quando retornei tive o imenso prazer de reencontrá-lo entre "poetragos"
Jornalista Mariana Mendez NoblateHá 3 anos atrásSão Paulo Capital.senhor mário. tenho recorrido a esta plataforma inúmeras vezes. considero um dos momentos mais singnificativos da linguagem cultural brasileira, sem os mimimmis, sem as mesmices políticas antipáticas, sem puxamentos de saco, sem apelações e sem "colaboradores" entediados. Um grande trabalho o senhor vem fazendo pela literatura limpa virtual do Brasil. talvez alguém reconheça essa trabalho de forma mais saitisfatória.
CaruzoHá 3 anos atrásRioO que não faz um jornalista e poeta ao mesmo tempo. Acho que todo jornalista deveria ser poeta antes. Se não, não "bate".
Marcos Holanda, jornalista-editorHá 3 anos atrásBrasília DF/CâmaraQuerido Mhario Lincoln. De todas as entrevistas que ouvi e li, dadas por nosso colega Cunha Santos, essa é a MAIOR E MAIS IMPORTANTE da historiografia dele. Ninguém poderá escrever nada sobre ele se não ouvir e refletir sobre essa entrevista.
Mostrar mais comentários
Curitiba, PR
Atualizado às 22h01
11°
Tempo limpo

Mín. 12° Máx. 19°

11° Sensação
2.06 km/h Vento
96% Umidade do ar
100% (21.89mm) Chance de chuva
Amanhã (03/09)

Mín. Máx. 22°

Tempo limpo
Sexta (04/09)

Mín. 14° Máx. 25°

Chuvas esparsas
Ele1 - Criar site de notícias