" (...) é o próprio ser humano que busca o sofrimento, como se tivesse a necessidade de sofrer..." (Cunha Santos Filho, na vídeo-entrevista publicada abaixo do texto).
Poeta Cunha Santos Filho, simplesmente inesquecível!
*Mhario Lincoln
No firmamento literário do Maranhão e do Brasil, uma estrela hoje, brilha ainda mais intensamente. Faz um ano que o poeta maior Cunha Santos Filho faleceu. Mas deixou na terra e nas vibrações universais uma história poética marcante e uma dor que ressoará nas almas sensíveis pelas gerações.
Poeta Cunha Santos Filho, um nome que transcendeu sua existência terrena para habitar as páginas imortais da poesia. Sua vida foi uma narrativa e em muitas vezes e, em alguns dos seus mais fortes poemas, mostrou sua dor e sofrimento. Contudo, paradoxalmente, fez sua obra florescer como um oásis de beleza e transcendência inquestionáveis.
Poetas como Cunha Santos Filho, são guerreiros draconianos contra a impunidade e a injustiça social, por isso são também como essência da própria existência humana, pois seus versos são forjados por tormentos escondidos nas profundezas abissais da alma, somados ao grito, sempre esperando o eco como resposta às lutas e aspirações de seu povo, nessa busca alquímica inexorável.
Hoje, pensando comigo e procurando a última entrevista que fiz com ele, (abaixo) pouco antes de sua morte, ainda sinto que as palavras proferidas a mim, continuam sendo lágrimas que habilmente transformou em versos, numa alquimia poética que revela a beleza na tragédia. Depois da entrevista ele me disse: "Mhario, não pense que a minha dor é apenas um fardo. Ainda consigo transformá-la em fonte de inspiração, através de uma espécie de janela para a compreensão mais profunda da minha condição humana. Eu estou consciente disso".
Naquele dia em que estávamos sentados num salão vazio de um shopping, em São Luís-MA, e enquanto falávamos, minha lembrança trouxe para a mesa o poeta nigeriano Ben Okri, cuja vida foi marcada por desafios e adversidades. Assim como a de Cunha, a poesia de Okri também foi um testemunho da resiliência humana e da capacidade de encontrar significado na adversidade. E mesmo quando há enfrentamentos com as sombras da morte e da dor, a poesia pode ser uma âncora que nos liga à humanidade e à transcendência.
Desta forma, a versificação do tempo e espaço onde há reverberações inesgotáveis da palavra de Cunha Santos, essas, continuarão a ecoar no Maranhão e no Brasil, inspirando gerações futuras a encontrar beleza na dor e significado na luta, pois a poesia é a voz da alma humana, uma voz que supera o tempo e o espaço, tornando-se inesquecível na vastidão do universo literário e filosófico.
Abaixo, a última entrevista pública de Cunha Santos Filho:
VÍDEO-BÔNUS
Essa é a última entrevista pública de Cunha Santos. Tive o privilégio de fazê-la. A entrevista é forte. Muito forte.
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