Grupo de Pesquisas da Plataforma do Facetubes-GPPF c/ 'Repositório/UFSC'/ 'OPaís'/ GoogleAcadêmico/ "Farrapos de Ideias": Maria da Ilha (PDF)/ UFSC.br/ Skoob.com.br/ 'Trabalho acadêmico de Karla Leonora Dhase Nunes".
A equipe de pesquisas do Facetubes, navegando via internet para descobrir mais sobre a criadora do 'Dia dos Professores', a deputada negra Antonieta Barros, encontrou uma citação em um dos trabalhos acadêmicos que, de certa forma, triplicou a responsabilidade de escrever este texto sobre Maria da Ilha (seu pseudônimo), a fim de que as partes mais importantes de sua vida não fossem deixadas de lado. A começar com esse importante detalhe: o dia 15 de outubro, 'Dia do Professor', foi escolhido porque é a mesma data em que D. Pedro II instituiu o ensino elementar no Brasil, em 1827.
Voltando à citação acadêmica, abaixo:
"(...) sobre os Movimentos Anti-racistas, (...) observou que curiosamente pouco, quase nada, sabia-se sobre a personagem, além do fato de ter sido deputada ainda na década de trinta, professora e cronista. Encontravam-se, aparentemente parcas e dispersas notas biográficas em fontes que se repetiam nas mesmas informações. (...)". Trabalho acadêmico de Karla Leonora Dhase Nunes. Florianópolis, 2001. (https://repositorio.ufsc.br/bitstream/handle/123456789/81514/187558.pdf?sequence=1).
A HISTÓRIA
Todos os estudantes sabem quando se comemora “O Dia dos Professores”. Mas, será que a maioria conhece a extraordinária heroína brasileira por trás desta data? Quantas vezes essa história foi revelada (apoliticamente) nos jornais, tvs, rádios ou outros meios de comunicação? Será que alguém conta a história de uma mulher negra notável, o 'start' dessa luta, não só pelo Ensino Brasileiro, Amplo e Irrestrito, quanto pela Igualdade de Raças e Luta Eficiente para colocar a mulher em seu lugar verdadeiro, inclusive com direito a voto?
O nome de mulher excepcional é Antonieta de Barros. Ela detém a distinção de ser uma das três primeiras mulheres eleitas para cargos públicos no Brasil e é a única negra entre elas. Sua histórica eleição como deputada estadual, em Santa Catarina, em 1934, coincidiu com a eleição de Carlota Pereira de Queirós para a Câmara Federal, por São Paulo. Sete anos antes, Alzira Soriano havia se tornado a primeira mulher prefeita de um pequeno município do Rio Grande do Norte, o único estado, na época, a permitir que mulheres concorressem a cargos públicos.
ESTUDOS E CORRESPONDÊNCIAS
Na década de 1930, Antonieta manteve extensa correspondência com a bióloga Bertha Lutz, que defendia a ideia de que as mulheres deveriam ter o direito de votar. É importante notar que Antonieta foi eleita menos de meio século depois da abolição da escravatura e apenas dois anos depois das mulheres terem conquistado o direito de voto, inicialmente limitado. Numa sociedade marcada por profundos preconceitos de classe, raça e gênero, Antonieta orgulhava-se da sua história.
Nasceu em 11 de julho de 1901, em Desterro, hoje Florianópolis. Seu registro de batismo, mantido pelo Padre Francisco Topp, não menciona o nome de seu pai. Sua mãe era Catarina Waltrich, uma ex-escrava. No folclore local, a sua verdadeira paternidade está ligada à família Ramos, uma das mais destacadas da região.
A POLÍTICA
A paixão política de Antonieta girava em torno do poder revolucionário e libertador da educação. Em 1922, quando começou a lecionar, o índice de analfabetismo em Santa Catarina era de impressionantes 65%. Isso apesar do Estado ter uma das taxas de escolaridade mais altas do país, em grande parte devido à sua influência alemã, acompanhando de perto o estado de São Paulo.
Conforme detalhado na dissertação de mestrado de Karla Leonora Dahse Nunes, - que citamos acima - Catarina, mãe de Antonieta, sustentava seus três filhos como lavadeira, ocupação comum às mulheres negras daquela época. Com a ajuda financeira de Vidal Ramos, Antonieta também criou um pequeno fundo de bolsas para estudantes. Foram esses jovens que, um tanto tardiamente, ensinaram Antonieta a ler e escrever. Depois de alfabetizada, ela mergulhou sozinha no mundo dos livros.
A SONHADA CERTIFICAÇÃO
Professora certificada aos 17 anos, fundou a escola privada "Antonieta de Barros", com o objetivo de combater o analfabetismo adulto entre os mais desfavorecidos. Ela, um dia escreveu em um dos jornais de Florianópolis, da época: "acredito firmemente que a educação era a única arma capaz de libertar os desfavorecidos da servidão". Sua reputação de excelente educadora a levou até mesmo a lecionar para a elite, em escolas como Coração de Jesus, Dias Velho e Catarinense.
DERRUBANDO BARREIRAS
A defesa inabalável de Antonieta pela educação lhe rendeu um lugar nas páginas dos jornais. Além de seu papel como professora, ela se tornou uma colunista prolífica. Era praticamente a única mulher nessa posição no estado. Ao longo de 23 anos colaborando com a imprensa, escreveu mais de mil artigos para oito publicações diferentes e fundou a revista “Vida Ilhoa”.
Seus detratores nos jornais e na arena política argumentaram que “as mulheres não deveriam expressar opiniões, porque nasceram para servir”, que “a natureza não permite saltos, e cada ser deveria permanecer no papel que lhe foi designado, sendo as mulheres destinadas a serem mães e rainhas do lar", e até sugeriu que ela não deveria seguir o exemplo de Anita Garibaldi, a quem menosprezaram como uma "medíocre".
No entanto, os membros brancos do sexo masculino da elite oligárquica e política não conseguiram intimidá-la. Antonieta era uma mulher forte e determinada. Ninguém poderia silenciá-la com mera retórica. Ela rebateu a calúnia com inteligência e habilidade em seus artigos assinados sob o pseudônimo de 'Maria da Ilha'. Sua caneta era desafiadora. Escreveu sobre educação, má gestão política e a situação das mulheres, afirmando que essas não deveriam ser "virgens de ideias".
Sim! Essa citação, na verdade, não é da poeta Clarice Lispector, como divulgada muitas vezes na imprensa brasileira. Mas, da professora Antonieta Barros, que a usou no livro “Farrapos de Ideias” para se referir à condição das mulheres na sociedade.
UMA MULHER DE PERSONALIDADE
Honesta, enérgica e compassiva, ela era respeitada e admirada pelo seu sentido de justiça numa época em que as mulheres eram silenciadas. Ainda contribuiu com dois capítulos para a Constituição de Santa Catarina, com foco em Educação e Cultura, e Função Pública, até ser destituída do cargo devido ao golpe de Getúlio Vargas.
Em 1937 publicou o livro "Farrapos de Ideias". O lucro da primeira edição foi doado para a construção de uma escola para crianças cujos pais estavam internados no Leprosário de Santa Tereza. O livro teve mais duas edições.
DECEPÇÕES
Uma das poucas decepções profissionais de Antonieta foi não poder cursar o ensino superior. Queria cursar Direito, mas na época era exclusivo para homens. Mesmo assim, brilhou na política, sendo reeleita em 1947.
AS LEIS
A primeira grande lei educacional do Brasil foi promulgada por Dom Pedro II, em 15 de outubro de 1827, marcando um momento crucial na educação brasileira. Embora esta data tenha sido comemorada informalmente, foi Antonieta quem defendeu a lei que instituiu oficialmente o "Dia do Professor" e o feriado escolar em Santa Catarina em 1948 (Lei nº 145, de 12 de outubro de 1948). Demorou mais 20 anos para que o dia fosse oficialmente reconhecido em todo o país, em outubro de 1963, pelo presidente João Goulart.
Outras leis importantes que ela defendeu incluíam bolsas de estudo para estudantes carentes, para cursar o ensino superior e concursos para professores, com o objetivo de melhorar a educação pública e prevenir favoritismo.
EPÍLOGO
Diante de história tão rica, tão perfeita, tão grandiosa, por que as crianças, estudantes de todos os níveis deste país não conhecem a verdadeira alma de Antonieta de Barros?
Há tantas (falsas) histórias (políticas) na carona dessa mulher que chega a dar uma certa vergonha quando se “discute” melhorias para o ensino no Brasil, hoje, completamente destruído em muitas áreas em que o Poder Público ou 'experts" de plantão se fazem comandar a educação brasileira.
O jornalista e editor desta plataforma, poeta Mhario Lincoln, ouvido por nossa equipe, acrescentou: "(...) que os professores brasileiros de todos os gêneros, raça, cor e religião, se unam em um movimento para fazer renascer 'in totum', o nome de Antonieta de Barros, como uma bandeira real (não ilusória) para discussões firmes e objetivas, que possam ir de encontro à realidade indecifrável do ensino brasileiro e especial da relação 'aluno-professor-diretor-pais' (...)".
E diz mais: "Assim, que os brasileiros responsáveis por passar adiante seus conhecimentos, voltem a acreditar num futuro melhor. Que o start de Antonieta em uma terra de oligarquias e desigualdades possa garantir a fundamental importância de um ensino conceitual, histórico e prático, dentro do contexto moderno. Isso porque, Antonieta de Barros continua sendo um farol de resiliência, um exemplo a ser seguido. Porém, se continuar escondida e presa nas redes da ignorância, poucas chances de luta ainda se terá neste País.", encerra Mhario Lincoln.
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