Quarta, 02 de Setembro de 2026 00:13
(xx) xxxxx-xxxx
Brasil Convidados APB

Mais um texto da convidada da APB, Renata Barcellos: "O ensino da História e das Literaturas Africanas"

".... o estudo das Literaturas Africanas está prevista no terceiro bimestre, do terceiro ano, do Ensino Médio". RB.

05/11/2023 17h24 Atualizada há 3 anos atrás
Por: Mhario Lincoln Fonte: Renata Barcellos
Ilustração original c/Renata Barcellos.
Ilustração original c/Renata Barcellos.


Renata Barcellos (BarcellArtes)

No Brasil, urge o ensino da História e das Literaturas Africanas de forma efetiva. Essas disciplinas propiciam a consciência e a reflexão acerca de injustiças cometidas no passado e no presente. Com a Lei 10.639, de 9 de janeiro de 2003, e, posteriormente, com a Lei 11 546, de 19 de novembro de 2007, cresceu a visibilidade em relação aos estudos sobre África, uma vez que foi instituída sua obrigatoriedade em todo o território brasileiro e em todos os níveis de ensino. Entretanto, atualmente, com a reforma nos currículos do Ensino Médio brasileiro, houve redução da carga horária das diversas áreas do conhecimento. 


Com isso, mesmo sendo lei, muitas vezes, não é cumprida a ementa do ensino da História e das Culturas Africanas. No Ensino Superior, quando ofertada, restringe-se a uma disciplina no curso de Licenciatura em Letras. Pesquisadoras formadas, em 2008, na graduação, não as estudaram. Um absurdo!!!

Continua após a publicidade


Podem certificar isso na mesa-redonda sobre a produção literária de Elisa Lucinda (https://www.youtube.com/watch?v=2o2HtXMH9R8&t=4s ).
Nesta, podemos discutir além da obra da multiartista, a formação literária do aluno e a do professor. Como na SEEDUC RJ, o estudo das Literaturas Africanas está prevista no terceiro bimestre, do terceiro ano, do Ensino Médio, na Escola Estadual José Leite Lopes (NAVE RJ), proponho aos meus alunos um panorama desde o início até a contemporaneidade. Dessa forma, acompanho a produção literária de escritores de expressão de Língua Portuguesa da atualidade, como: Beni Dya Mbaxi e Ernesto Moamba da Angola, Josina Viegas de Moçambique e Vera Duarte de Cabo Verde.


Apresentaremos uma entrevista para divulgar o jovem autor angolano Beni Dya Mbaxi. Biografia de Beni Dya Mbaxi: colunista do blogue brasileiro “ Choque Cultural Buíque” com Dica de Leitura, é CEO do movimento literário JEZ “ Jovens Escritores do Zoológico”, CEO do Espaço Zuela, coordenador da Revista Punhado com o brasileiro, Guigo Ribeiro, a revista visa promover a NEGRITUDE. É autor de sete livros: Em 2018, publicou o seu primeiro livro, “ Quando Não Olhas Para Trás”. 


Em 2019, A Menina da Burca, Musseque e Outras Reflexões ensaio; 2020, "Pensar Fora da Caixa" e "A Última Masoxi", publicado na Inglaterra, Londres. Em 2023, "What Does A Black Have To Say?" E "Palesa no Inferno". Em 2021, recebeu o prémio da 4 edição do Annual Global African Authors Award pela obra “ A Última Masoxi”, na África do Sul.

E semifinalista na premiação “Mulher Forte African Literature 2023”, no Botswana, com a obra “ A Última Masoxi”.


1-Quando começou a escrever? 
Beni Dya Mbaxi: Na verdade, já levo jeito para escrever desde muito novo, lembro que, com os meus 12 anos de idade, escrevi a minha primeira peça teatral e, naquele período, eu já escrevia também poesias e jograis e apresentava na igreja, e também escrevia música do estilo Kuduro, um estilo musical popular angolano, feito maioritariamente pelos residentes das zonas periféricas. Mas, em 2018, já na universidade, no curso de Língua Portuguesa e Comunicação, cruzei-me com algumas disciplinas ligadas à Literatura, e pude perceber que posso dar continuidade naquilo que já vivia em mim, portanto, naquele mesmo ano, publiquei o meu primeiro livro de contos intitulado. "QUANDO NÃO OLHAS PARA TRÁS".

2- Como surgem as temáticas a serem abordadas nos romances? 
Beni Dya Mbaxi: Normalmente, as temáticas abordadas nos meus livros surgem por intermédio das realidades que o mundo oferece, sou um artista que trabalha muito com o que se passa no mundo, tenho a certeza que a realidade é um grande desafio para um escritor, e quando os nossos livros se baseiam na realidade claramente que estamos a falar de coisas que já aconteceram, e sabemos que quando é ficção que por vezes passam por utopia, podem vir acontecer. Contundo, quero eu dizer que as temáticas dos meus livros surgem com o andar dos acontecimentos no mundo, quando posso, eu escrevo o que acontece e servem de avisos ou demonstração do que temos feito no mundo.

Continua após a publicidade

3- Está havendo uma proliferação de feiras literárias no Brasil e no mundo. De que forma você vê a contribuição dessa prática para a formação do leitor? 
Beni Dya Mbaxi: Penso que esta proliferação das feiras literárias dão uma outra dinâmica ao mundo, falo no contexto social, é importante os cidadãos do mundo terem contatos com os livros, na verdade, a literatura é a expressão de uma sociedade, e como humanos pertencemos todos a um grupo social. Portanto, os leitores têm o mundo todo a sua frente, e acredito que eventos como estes dão crenças ao novos leitores e leitoras, podemos todos ter a certeza, que com estes tipos de práticas, formaremos mais leitores no mundo, é necessário motivação para dar início a uma atividade, e acredito que esta é uma motivação sem dimensão. E possibilita encontros de pessoas. Contudo, digo que haja mais feiras literárias no mundo.

4- Qual o espaço das literárias em um universo tão imediatista? 
Beni Dya Mbaxi: Penso que, hoje, neste mundo imediatista, o espaço literário que restou, é onde estão as pessoas, tenho visto o esforço que muitos profissionais têm feito para manter vivo a cultura literária, portanto, digo que o espaço é o "lugar possível", onde há oportunidade, falamos dos livros, embora não apreciados como deve ser, mas o importante é mesmo não deixar morrer a cultura, porque hoje cada vez mais fecham bibliotecas, mas pessoas buscando as vontades que aparecem em algures do mundo. O mundo está tão imediato que está a obrigar os amantes da literatura recriarem um espaço para adaptação do imediatismo mundial. Portanto, o nosso espaço é o "lugar do possível", em outras palavras, onde há oportunidade, a gente se apresenta, a gente fala dos livros.

5- Os direitos humanos foram criados no contexto do Holocausto. Como você vê a relação: leis e caos de violência no mundo? 
Beni Dya Mbaxi: Ainda acho que na estética a frase ou a palavra é muito linda "direitos humanos", mas no verdadeiro sentido, penso que não temos direitos nenhum. São pequenos grupos que pensam que comando tudo e todos, em portas trancadas pensam que podem tudo e que o mundo depende das decisões deles. E, quando demos por conta, estão aí os efeitos colaterais, mortes e caos por tudo que é terra. A minha visão sobre o caos no mundo é muito profunda e ampla, mas quero aqui dizer que precisa-se rever muitas coisas no mundo das decisões políticas, é urgente! Penso que os responsáveis devem rever as leis urgentemente. Senão só veremos mortes por todo lado. Que haja direitos humanos no verdadeiro sentido.

6- Qual mensagem deixa para jovens leitores e escritores? 
Beni Dya Mbaxi: A mensagem que deixo é, que por mais confuso que o mundo esteja, ainda há um lugar onde está registrado tudo. Para os jovens escritores, digo que devem ser mais criativos, a literatura exige criatividade, leem os clássicos, os modernos e, por fim, o que se escreve hoje, logo saberás o que tens de escrever. Para os leitores, digo que continuem desfolhando os livros e motivando os seus próximos amarem os livros.


Os temas tratados por Beni Dya Mbaxi precisam ser discutidos em sala de aula. Em um momento social tão tenso, mundialmente, é preciso refletir sobre o respeito ao outro, os direitos humanos... É tempo de nos repensarmos e de nos reinventarmos!!! Sejamos resilientes!!!

* O conteúdo de cada comentário é de responsabilidade de quem realizá-lo. Nos reservamos ao direito de reprovar ou eliminar comentários em desacordo com o propósito do site ou que contenham palavras ofensivas.
500 caracteres restantes.
Comentar
Raimunda Pinheiro de Souza FrazãoHá 3 anos atrásSão José de Ribamar Muito bem Beni Dya, gostei muito das suas observações! Parabéns!
José MariaHá 3 anos atrásImperatriz MAConfesso que nunca tinha ouvido sobre “Choque Cultural Buíque com Dica de Leitura. Vou procurar ler desta vez.
Abgail LimaHá 3 anos atrásTeresina MAProfessora as últimas cronicas suas tem sido muito importantes para a gente que gosta de ler coisas sérias.
Salatiel Guimarães FreireHá 3 anos atrásRio de Janeiro RJAinda acho que na estética a frase ou a palavra é muito linda direitos humanos, mas no verdadeiro sentido, penso que não temos direitos nenhum. Infelizmente essa é a vergonha. Pra qu7e ser a ONU, UNESCO e outras bobagens mais?
Carlos PiallyHá 3 anos atrásSão PauloPArabéns professora por enunciar um tema tão importante como esse.
Mostrar mais comentários
Mostrar mais comentários
Curitiba, PR
Atualizado às 22h01
11°
Tempo limpo

Mín. 12° Máx. 19°

11° Sensação
2.06 km/h Vento
96% Umidade do ar
100% (21.89mm) Chance de chuva
Amanhã (03/09)

Mín. Máx. 22°

Tempo limpo
Sexta (04/09)

Mín. 14° Máx. 25°

Chuvas esparsas
Ele1 - Criar site de notícias