Leonardo de Magalhaens, convidado da Academia Poética Brasileira.
Saudações! Sejam todas bem-vindas Sejam todos bem-vindos!
Agradecemos ao convite do poeta Mhario Lincoln do Facetubes! Hoje vamos conhecer mais sobre a artista e poeta Regina Mello, de BH, capital das Minas Gerais, e fundadora do Museu Nacional da Poesia - Munap e do sarau Sementes de Poesia. Os vídeos abaixo foram gravados em Belo Horizonte. (LdeM).
LdM - Saudações Regina Mello! Lembro dos saraus no parque nos idos de 2010 e da efervescência poética daquela época. De onde brotou a ideia e iniciativa de distribuir sementes de poesia e exposições de artes plásticas? Como você articula as artes da visão e da palavra?
RM - Saudações Leonardo, obrigada pelo convite desta entrevista. Na primeira década do século XXI retornei a Belo Horizonte depois de passar uma temporada na Alemanha e viver 7 anos em Curitiba, numa intensa relação multicultural com Franz Buchetmann e toda a comunidade estrangeira/curitibana, tempo muito importante para ampliar minhas pesquisas nas artes da visão e da palavra, bem como compreender e viver o sul do Brasil. Retornei com a mala transbordando sonhos, repleta de novos olhares e conhecimentos, e a vontade inesgotável de compartilhar, e semear as sementes colhidas. Agarrada ao desejo antigo de fundar um museu, iniciei as primeiras ações arregimentando os artistas e poetas para trocas de ideias e trabalhos coletivos. Entre livros de artistas, performances e happenings começamos com as trocas, somando as expectativas de cada um ao desejo de realizar enfrentamos todos os desafios e efervescência poética daquela época. Desde então estamos caminhando com a boa vontade do fazer acontecer.
2 - LdM - O sarau Sementes de Poesia do Museu Nacional da Poesia se tornou uma referência lá nos idos de 2010 e até deu origem à Antologia de Ouro que já está no recente volume 5. Regina, como foi o lançamento da Antologia de Ouro e como foi a recepção entre os / as poetas e artistas?
RM - O Sementes de Poesia realmente tem sido um espaço acolhedor e promotor de poetas. Também um laboratório para a poiesis, a oratória, os encontros interpessoais e os literários. O lançamento do primeiro volume da Antologia de Ouro de capa branca foi uma surpresa para todos nós e uma necessária materialidade dentro desse museu que nasceu em 2006 com nome tão forte, carregado de conceitos e imaterialidade, tal qual a poesia. Costumamos dizer que o livro é um museu de asas que pode levar a poesia ao longe. Nos reunimos na praça dos Fundadores, no Parque Municipal no centro de Belo Horizonte e entre autógrafos, leituras e abraços lançamos a Antologia que deu luz a muitos poetas ainda não publicados ao lado de poetas bem conhecidos. O Munap cumprindo sua função de semear.
3 - LdM - Munap, saraus, exposições, antologias... Como a artista e poeta Regina Mello encontra tempo, entre tantas iniciativas e tanta agitação cultural, para criar e escrever e ser?
RM - Eis a questão, tempo... Não sei Leonardo, deixo muito por fazer... Principalmente depois de 2020... mas é bom olhar pra trás e ver o quanto foi feito. Não faço nada sozinha, gosto de gente, tudo isso acontece porque os poetas, artistas e os que gostam de vida cultural vem, e juntos fazemos. É o que me move! E a música me ajuda.
4 - LdM - Regina Mello, desde a década de 2010 a produção cultural de literatura e poesia em BH tem mudado muito. Aquele enxame de eventos dos anos 2000 foi se dispersando e vários grupos se dissolveram e muitas poetas e muitos poetas se foram para outras terras ou para Deus. O que aconteceu agora nos idos de 2020 acabou por apagar as últimas manifestações. Precisamos voltar a semear poesia em BH?
RM - Sim, mais do que nunca temos que semear poesia, não podemos parar. Penso que na segunda década a descentralização dos eventos foi muito positiva, um preparo, para o que temos que enfrentar agora. O número de saraus, centros culturais, museus, festivais, espaços e eventos, cresceu e tende crescer mais. Assim espero, as mudanças são muitas, são bruscas, estamos envelhecendo e é preciso manter o equilíbrio, continuar em frente incentivando as crianças e jovens.
5 - LdM - Continuamos nosso interrogatório com a poeta e artista Regina Mello do Munap de BH e com uma pergunta direta: poesia é literatura? Poesia é inspiração ou dedicação? Poesia é desabafo? É auto-ajuda? Por que poesia é essencial? Quais autoras e autores te conquistaram e quais você indicaria dos clássicos e dos contemporâneos?
RM - Poesia é literatura, é inspiração, dedicação, desabafo, abafo, auto-ajuda, é arte, é vida, é humano, e por ser tudo isso e muito mais, é essencial. Essencial porque somos humanos e unimultiplural, há diversas necessidades, diversas possibilidades e por que não explora-las? Sou incentivadora do fazer artístico e poético sob todas as formas. Sementes precisam ser semeadas.
Primeiramente Cruz e Souza, Goethe e Tomas Tranströmer que não saem de mim. Entre muitos outros que vem e vão.
Indicaria Junichiro Tanizaki, Ezra Pound, Paulo Leminski, Manoel de Barros.
6 LdM - E para finalizar nossa entrevista para o FaceTubes, agradecemos mais uma vez ao poeta Mhario Lincoln e o espaço do FaceTubes para entrevistas. Regina Mello do Munap de BH, aqui e agora, vai deixar sua mensagem para os leitores e as leitoras de Poesia. É isso aí e até à próxima.
RM - Se você conhece ou encontrar alguém que ainda não teve a oportunidade de aprender a ler, ensine-o. Dê livros de presente! Tenha pelo menos uma estante de livros em sua casa. Monte ou incentive a criação de uma biblioteca. Publique livros! Leia e escreva poesia.
Um forte abraço! Regina Mello
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