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“Singela". É assim que classifico a nova fase da poesia direta de Aldira Martins

Aldira Martins, além de poeta e cordelista é uma das figuras filantropas mais aplaudidas em sua região, no Ceará.

10/11/2023 15h58 Atualizada há 3 anos atrás
Por: Mhario Lincoln Fonte: Mhario Lincoln/aldira Martins
Aldira Martins: prêmio Chaplin/Nov.2023
Aldira Martins: prêmio Chaplin/Nov.2023

*Mhario Lincoln

 

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Os versos de Aldira Martins são uma expressão de poesia singela e direta, que se assemelha ao estilo de algumas das mais importantes poetas brasileiras, dentre elas,Cora Coralina. A simplicidade e a pureza dos versos mais abaixo, refletem a beleza, que muitas vezes é negligenciada pela grande mídia.

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Singela. É assim que entendo essa nova fase poética dessa cearense boa de verso. E porque singeleza? Porque se refere à particularidade ou atributo do que é singelo, ou seja, sem sofisticação e em que há muita simplicidade, mas com 'sustança poética', como me disse certa vez o cordelista/poeta Pedro Sampaio, também do Ceará. A palavra mistura-se a personalidade de Aldira, haja vista sua descomplicada maneira de levar a vida, sem adornos, nem exigências, além de seus limites. Isto é, sempre humilde, sincera e sem pretensões terceiras. E suas produções artísticas, sejam poesias, letras de música, organizações e manifestações filantrópicas também são exatamente iguais a sua personalidade desprovido de complexidade e ostentação.

 

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Desta forma é que Aldira Martins também utiliza essa mesma linguagem despretenciosa para expressar sentimentos profundos. Em seus versos, ela convida o leitor a mostrar sua alma, a revelar sua dor e promete tratá-la com delicadeza e cuidado. Essa abordagem direta e empática é uma característica marcante da poesia singela.


Críticos como André Vinícius Pessôa, discutem a necessidade do fortalecimento ainda maior da poesia (singela/simples) contemporânea brasileira, cuja crítica "deve questionar suas crenças mais elementares e considerar novas perspectivas para literaturas (...)" e consequentemente, um maior alcance de leitores. 


Nesse propósito entra a poesia de Aldira Martins que nos dá um exemplo de como a lírica pode ser um meio poderoso de expressão e conexão emocional. Mesmo que esses poetas não sejam amplamente reconhecidos pela grande mídia, eles continuam a contribuir para de uma forma direta para a literatura brasileira com performance singela e bela, humilde e despretenciosa, como disse. Contudo, forte, corajosa e despojada. Parabéns Aldira Martins.

 

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EM TEMPO:

Água de Fulô

( Aldira Martins)

Mostre-me sua alma
Deixe-me espiar com calma
Localizar sua dor
E, tratá-la com malva
Água de fulô que acalma
Os machucados de amor

 

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No verso: "E, tratá-la com malva" há uma significância muito grande na colocação desse vírgula. É ela quem dá a sensação do trancorrer do exato tempo necessário para que a poesia saia do estado latente de observação em busca da causa - para a aplicação do remédio: "malva e água de fulô". É simplesmente sensacional. Porque se essa vírgula ali não estivesse, a passagem do diagnóstico para a aplicação do remédio seria despercebida. Parabéns Aldira Martins. São esses detalhes que me chamam a atenção, além da simplicidade.

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Aldira Martins Há 3 anos atrásFortaleza- Ceará Gratidão!!! É tudo que sinto!!!
Carlos RochaHá 3 anos atrásFortaleza - Ceará Olá mestre Mhario Lincoln. Li na íntegra, seu comentário sobre o trabalho da poetisa Aldira Martins ; sua observância sobre a colocação de uma vírgula , de grande valia para o leitor. A palavra escrita por voce: trancorrer , não caberia uma retificação? Abraços rsrsrs
Laércio CastroHá 3 anos atrásRio de Janeiro/ Escola de ArteEngraçado. Foi preciso uma matéria (despretenciosa) dessas para me despertar. Aí fui no seu Google e perguntei: Me dê 20 poetas singelos da poesia brasileiras? Seu google elencou 20 poetas. Mas só dois se enquadravam naquela qualidade que eu queria: Cora Coralina e Mario Quintana, que nos deu, por exemplo, esses versos singelos: A vida é uns deveres que nós trouxemos para fazer em casa./ Quando se vê, já são 6 horas.... O seu google tá precisando estudar mais.
Raquel Pereira dos Anjos, do Conselho Crítico e Independente de LiteraturaHá 3 anos atrásBrasília / Distrito Federal.Assim como Aldira, Cora fez coisas lindíssimas. Leia essa: Vive dentro de mim/uma cabocla velha/de mau-olhado,/acocorada ao pé do borralho,/ olhando para o fogo. Cês entendem porque a poesia (depois de Cora) não evolui? Vocês entendem porque o povo não lê mais poesia, depois de Cora? Porque há uma batalhão de gente soberba tentando escrever poesia sem ter sensibilidade e pensando que poesia só presta se tiver palavras indecifráveis. São uns bobões. Viva uma Aldira. Viva uma Coralina.
Pedro PioHá 3 anos atrásFortaleza-CearáConteúdo não é esbanjar palavras difíceis para se dizer conhecedor profundo da gramática. Basta a simplicidade do verso de Aldira Martins e tamos conversado.
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