*Redação do Facetubes
Embora Johannes Gutenberg seja frequentemente creditado pela invenção da 'prensa tipográfica', no século XV, a verdade por trás desse marco na história da impressão é mais rica e complexa do que se imagina. Para compreender completamente a evolução da técnica de impressão, é necessário olhar além das fronteiras da Europa medieval e considerar as contribuições fundamentais provenientes do Oriente.
A técnica de xilografia, que envolve a gravação de uma página em uma placa de madeira entintada, é frequentemente vista como uma precursora da impressão moderna. Este método foi empregado para criar os primeiros livros impressos da história. O exemplo mais antigo conhecido desse processo é o Sutra do Diamante, datado de 868 dC e descoberto em Dunhuang, na China. Possivelmente tenha sido a xilografia chinesa o alicerce sobre o qual a tecnologia de impressão posterior tenha sido construída.
A técnica da xilografia chegou à Europa no século XIV, mas sua adoção foi limitada devido à complexidade de entalhar parágrafos inteiros na madeira. No entanto, a China também desempenhou um papel crucial na invenção dos tipos móveis, uma técnica que revolucionou a indústria da impressão. Esta inovação é creditada a Bi Sheng, que viveu entre os anos 970 e 1051 dC. (Bi Sheng foi um artesão chinês e inventor da primeira tecnologia de tipo móvel do mundo, uma das Quatro Grandes Invenções da China Antiga. O sistema de Bi Sheng foi feito de porcelana chinesa e foi inventado entre 1041 e 1048 durante a dinastia Sung medieval. (Wikipédia).
No entanto, foi Johannes Gutenberg quem levou a técnica de impressão a novos patamares, aperfeiçoando-a ao criar uma prensa de tipos móveis que utilizava um método diferente desenvolvido pelos chineses. Muitos historiadores consideram que a adaptação de Gutenberg, inspirada nas prensas de vinho, foi o elemento-chave que marcou o início da Idade Moderna. Essa transformação permitiu a produção em massa de livros sobre os mais variados temas a custos acessíveis, democratizando o acesso ao conhecimento.
Foi assim que os livros viajaram o Mundo, porque ao serem impressas 200 cópias de um livro em Veneza, cinco poderiam ser vendidas para o capitão de cada navio que saisse do porto. Esse fato marcou o surgimento do primeiro mecanismo de distribuição em massa para livros impressos, possibilitando que notícias e literatura fossem divulgadas por todo o mundo conhecido.
Curiosamente, apesar de sua contribuição inestimável para a história da humanidade, Johannes Gutenberg morreu individado, com suas prensas confiscadas por seus credores. No entanto, o seu legado perdura até hoje, com a imprensa tipográfica sendo reconhecida como uma das invenções mais importantes de todos os tempos. Essa revolução na disseminação do conhecimento, que começou com a xilografia chinesa e culminou nas inovações de Gutenberg, moldou profundamente a sociedade e a cultura humana, deixando um legado duradouro que continua a influenciar nosso mundo até os dias atuais.
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