Editoria de Assuntos Especiais da Plataforma Nacional do Facetubes
Em tempo: O feito abaixo analisado foi transformado em livro e vai ser lançado em várias partes do Maranhão, quiçá do Brasil. Trata-se da obra "A COMENDA E O COMENDADOR", de Clélio Silveira Filho, com solenidade marcada para dia 18 de agosto, às 18.30, na sede da Associação Comercial de Santa Inês-MA. Outros eventos ainda serão marcados haja vista uma série de convites para tal. Abaixo, o texto pertinente.
A história de Clélio Silveira Filho ajuda a compreender uma parte importante da evolução da comunicação no interior do Maranhão. Jornalista, radialista, escritor, produtor e empresário, ele construiu uma trajetória que ultrapassou os limites profissionais para assumir dimensão regional.
Em Santa Inês, cidade que escolheu para consolidar seu principal projeto de comunicação, estruturou um sistema capaz de alcançar municípios do Vale do Pindaré e estabelecer uma rede permanente entre informação, atividade empresarial e comunidade. O livro A Comenda e o Comendador, publicado em 2025, reúne documentos e pronunciamentos referentes ao reconhecimento concedido pela Assembleia Legislativa do Maranhão.
A vocação para comunicar surgiu cedo. Aos 13 anos, Clélio já atuava como locutor no Cine Art Palácio, em Santa Inês. Antes dos 20, promovia apresentações de artistas pelo Vale do Pindaré e em cidades de outros estados; aos 20 anos, criou um programa de auditório que abriu espaço para músicos que posteriormente desenvolveriam carreira fora do Maranhão. Também representou, em Santa Inês, jornais como Jornal Pequeno, O Imparcial e O Dia, além de atuar como correspondente de outros periódicos. Era o começo de uma experiência que depois passaria por Imperatriz, Brasília, rádio, televisão, imprensa escrita e produção cultural.
Em Imperatriz, trabalhou no jornal O Progresso como repórter, revisor e editor e exerceu atividade de assessoria de imprensa. Em Brasília, foi repórter setorista na Câmara Federal e passou por emissoras associadas à TV Globo e à TV Record, além da Rádio Nacional. Mais tarde, presidiu a Associação de Imprensa da Região Tocantina, ocupou a vice-presidência da Federação das Associações de Imprensa do Brasil e comandou programas de rádio e televisão voltados à prestação de serviços e à informação regional. Trata-se, portanto, de uma trajetória formada muito antes da criação de seu principal empreendimento em Santa Inês.
Foi em setembro de 2001 que essa experiência começou a ganhar a forma empresarial que consolidaria seu nome no Maranhão. Clélio implantou o Jornal Agora! Santa Inês, apresentado em solenidade na Associação Comercial da cidade. Posteriormente, concentrou suas atividades em Santa Inês e estruturou o Sistema Agora de Comunicação.
Segundo os registros reproduzidos no livro, o Jornal Agora Santa Inês alcançava 21 municípios do Vale do Pindaré; a Revista Agora, criada em 2008, circulava também por São Luís, Teresina, Palmas, Araguaína, Imperatriz e outras cidades; e o portal eletrônico já havia contabilizado 18 milhões de acessos.
Esses números ajudam a dimensionar o empreendedor. Não se trata apenas de ter criado um jornal, mas de estabelecer, fora dos grandes centros brasileiros, uma estrutura de comunicação com circulação regional, anunciantes, assinantes, presença digital e continuidade editorial. O próprio relato de Clélio registra aproximadamente 60 anunciantes e 1.070 assinantes em Santa Inês, além da circulação duas vezes por semana. O documento registra ainda que o Sistema Agora atravessou períodos de crise sem interromper suas edições e continuou investindo em seus veículos.
É nesse ponto que Santa Inês assume posição central. O município deixou de ser apenas sede administrativa do empreendimento e passou a funcionar como núcleo de irradiação de informações para uma extensa área do Maranhão. Ao fazer do jornalismo local uma atividade profissional continuada, Clélio ajudou a colocar acontecimentos, demandas, personagens, empresas e instituições do interior dentro de um circuito próprio de visibilidade. No recorte da comunicação regional maranhense, a longevidade, a abrangência territorial e a diversificação do Sistema Agora colocam seu fundador entre os empreendedores que contribuíram para reduzir a histórica concentração da informação nos grandes centros.
Sua presença comunitária também ultrapassou a empresa. O documento registra Clélio como presidente da Academia de Letras de Santa Inês, fundador do Fórum da Sociedade Civil de Santa Inês e da Associação de Imprensa do Maranhão Central, além de participante de entidades e iniciativas sociais. Recebeu o título de Cidadão Honorário de Santa Inês em 2013 e teve atuação ligada ao Instituto Lucas Augusto, instituição envolvida, entre outras ações, com campanhas de coleta de sangue. São registros que ajudam a explicar por que sua atuação passou a ser percebida não apenas pelo alcance dos veículos que dirige, mas pela relação mantida com a sociedade em torno deles.
Esse conjunto de atividades chegou ao reconhecimento institucional máximo quando a Assembleia Legislativa do Maranhão concedeu a Clélio Silveira Filho a Medalha do Mérito Legislativo Manuel Beckman. A honraria foi formalizada pela Resolução Legislativa nº 864/2018, originada de proposição do deputado Sousa Neto. Há um dado particularmente significativo: a concessão foi aprovada por unanimidade pelos 42 deputados estaduais. Portanto, a homenagem ultrapassou a manifestação individual de um parlamentar e se tornou uma decisão coletiva do Poder Legislativo maranhense.
A importância da comenda deve ser compreendida exatamente nessa dimensão. "Uma medalha pública não cria, por si, a credibilidade de uma trajetória; ela institucionaliza o reconhecimento de uma credibilidade construída anteriormente pelo trabalho", como disse o editor-sênior do Facetubes, jornalista profissional Mhario Lincoln à reportagem.
Durante a sessão, a honraria foi apresentada como reconhecimento às décadas de dedicação e ao profissionalismo do jornalista, extensivo simbolicamente a Santa Inês e ao Vale do Pindaré. O então presidente da Assembleia, Othelino Neto, afirmou ainda que, ao homenagear Clélio, o Parlamento também prestava homenagem ao jornalismo e à história dos profissionais de imprensa.
Há, portanto, uma convergência pouco comum entre empreendedorismo, comunicação regional e reconhecimento público. Clélio Silveira Filho construiu sua principal obra profissional onde muitos enxergariam apenas distância dos grandes centros: no interior.
A partir de Santa Inês, transformou informação em empreendimento, circulação em presença social e permanência em patrimônio jornalístico. A Medalha Manuel Beckman não encerra essa trajetória nem precisa legitimá-la isoladamente.
Seu peso está em outra dimensão: registra, nos documentos oficiais do Maranhão, que o trabalho iniciado diante de um microfone ainda na adolescência alcançou o plenário do Parlamento como serviço reconhecido à sociedade.
A própria sessão solene, realizada em 27 de abril de 2018, foi impressa historicamente nas páginas do Diário Oficial da Assembleia Legislativa do Maranhão. Avante!
Editoria de Assuntos Especiais da Plataforma Nacional do Facetubes c/supervisão de Mhario Lincoln.
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