Redação do Facetubes c/Google
O PAPEL DO NACIONALISMO
Antes de falar sobre "Leny Eversong ou a Cantora que o Brasil Esqueceu (Edições Sesc)", belo livro-resgate escrito pelo pesquisadopr de música Rodrigo Faour, há de se levantar um questionamento inicial: qual foi o papel do nacionalismo na música brasileira da época?
Começando "do começo", o nacionalismo teve um papel significativo na música brasileira durante o século XX, especialmente no início do século, até a década de 1960, segundo estudo do Repositório Institucional da UNESP.
Durante esse período, houve um foco na criação de uma identidade musical brasileira distinta, que foi influenciada por conceitos culturais e identitários.
Um exemplo disso é a 'Semana de Arte Moderna', em 1922 e a publicação do 'Ensaio sobre a música brasileira', de Mário de Andrade, em 1928, que propôs um programa para a configuração da música clássica brasileira. Esses eventos buscavam identificar e manifestar o nacionalismo e a brasilidade na música, e entender suas conexões (Opus citatis 1).
No entanto, a partir da década de 1970, muitos compositores começaram a advogar pelo uso de novos recursos e técnicas musicais, rompendo completamente com a tendência predominante do nacionalismo musical (musicabrasilis.com). Isso pode ter sido uma reação ao nacionalismo exacerbado da época, que valorizava apenas os artistas que cantavam em português e os gêneros musicais brasileiros (www.jstor.org).
Feitas essas observações, outra questão urge: quem foi Leny Eversong? Essa é a pergunta que o pesquisador de música Rodrigo Faour tenta responder em seu novo livro "A Incrível História de Leny Eversong ou a Cantora que o Brasil Esqueceu" (Foto/Edições Sesc). A obra é fruto de uma dissertação de mestrado que revela a vida e a obra de uma cantora paulista que conquistou o mundo com sua voz poderosa, mas foi ignorada pela história musical brasileira.
QUEM ERA LENY EVERSONG
Leny Eversong começou a cantar aos 12 anos, em uma rádio de Santos, e se destacou por interpretar canções estrangeiras. Em 1955, ela se mudou para o Rio de Janeiro e chamou a atenção de Assis Chateaubriand, que a contratou para a Rádio Tupi. Em menos de dois anos, ela foi convidada para cantar em Nova York, no hotel Waldorf Astoria e no programa The Ed Sullivan Show, onde dividiu o palco com Elvis Presley.
A partir daí, sua carreira decolou e ela se apresentou em vários países, cantando em inglês, francês e espanhol. Ela foi a primeira brasileira a fazer temporada no Olympia de Paris e a cantar em Las Vegas, com o maestro de Frank Sinatra. Ela gravou cerca de 80 discos e recebeu elogios da crítica internacional.
No entanto, no Brasil, ela não teve o mesmo reconhecimento. Segundo Faour, ela sofreu com o nacionalismo exacerbado da época, que valorizava apenas os artistas que cantavam em português e os gêneros musicais brasileiros. Ela também enfrentou o preconceito por ser mulher, negra e bissexual.
Faour conta que se interessou pela história de Leny Eversong ao perceber que ela era praticamente desconhecida pelos estudiosos de música brasileira. Ele recebeu parte do acervo da cantora do filho dela, Álvaro Augusto, e fez uma extensa pesquisa para resgatar sua memória.
O livro é uma homenagem a uma artista que foi pioneira em muitos aspectos, mas que foi apagada da história. Faour espera que sua obra contribua para que Leny Eversong seja lembrada e valorizada como merece.
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