Redação do Facetubes
"(...) não enxergava diferença entre esquerda e direita quando se tratava da relação com os quilombolas, declarando que "a direita e a esquerda são maquinistas que dirigem o mesmo trem colonialista. Escolher o vagão permite decidir os passageiros com quem você vai viajar. Mas a viagem é a mesma, vai para o mesmo caminho." (Antonio Bispo dos Santos).
No último dia 3 de dezembro, o filósofo e ativista quilombola, Antônio Bispo dos Santos, conhecido como o "lavrador de palavras", partiu vítima de uma parada cardíaca no Hospital Estadual Teresinha Nunes de Barros, localizado a 450 km da capital Teresina,aos 63 anos. Nascido na comunidade Saco do Curtume, no Piauí, Bispo deixou um legado marcante ao traduzir em palavras, a perspectiva de quem nasceu em um quilombo sobre os modos de habitar e se relacionar com a terra.
Antônio Bispo ganhou notoriedade nas décadas de 1990, quando se filiou a partidos políticos, embora tenha posteriormente abandonado essa trajetória para se dedicar integralmente à defesa dos povos quilombolas. Ele desempenhou papéis influentes em organizações como a Coordenação Nacional de Articulação das Comunidades Negras Rurais Quilombolas (Conaq) e em diversos movimentos sociais do Piauí.
Um dos marcos de sua obra é o livro "A Terra Dá, a Terra Quer" (Ubu/Piseagrama, 2023), onde Bispo explorou as conexões entre a vida nos quilombos e na sociedade nacional. Nesta obra, ele propôs um novo paradigma: a contracolonização, uma resposta aos desafios contemporâneos relacionados à ecologia, clima, trabalho e alimentação.
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Em seu livro, Bispo criticou a colonização como um processo de despojar povos de sua identidade, forçando-os a mudar de território e a adotar modos de vida estranhos. Ele buscou diluir conceitos como ecologia, desenvolvimento e decolonialidade, rejeitando a perspectiva colonialista e eurocêntrica.
O pensador quilombola também era conhecido por sua visão política única. Em uma entrevista recente a um veículo de comunicação brasileiro, ele afirmou que não enxergava diferença entre esquerda e direita quando se tratava da relação com os quilombolas, declarando que "a direita e a esquerda são maquinistas que dirigem o mesmo trem colonialista. Escolher o vagão permite decidir os passageiros com quem você vai viajar. Mas a viagem é a mesma, vai para o mesmo caminho."
A morte de Antônio Bispo deixa um vácuo na luta pelos direitos dos quilombolas e na promoção da contracolonização como uma alternativa ao status quo. Seu legado perdurará como inspiração para aqueles que buscam uma sociedade mais justa e igualitária, onde as vozes dos quilombolas e suas perspectivas únicas sejam ouvidas e valorizadas.
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