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Laura Neres escreve sobre, "...uma solidão de dentro, que só a gente entende como é por dentro"

"Acho que temos muita coisa em comum, meu velho. E nem é da solidão que estou falando". LN

24/02/2024 09h32 Atualizada há 3 anos atrás
Por: Mhario Lincoln Fonte: Laura Neres
Dra. Laura Neres, psicóloga-geriatra.
Dra. Laura Neres, psicóloga-geriatra.

Laura Neres, Psicóloga Geriatra.

 

Oi meu velho. Quanto tempo, né?

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Hoje eu estava pensando em nós e uma coisa me despertou para que eu te escrevesse novamente. Eu sei que faz muito tempo, estive tão imersa em um processo de ajudar o outro, que acabei deixando de lado a minha própria terapia (conversar com você). 
Voltando ao assunto, sabe o motivo porquê te escrevo? 


Porque eu me sinto sozinha. E acho que você deve saber exatamente do que eu estou falando. Eu não tô falando de uma solidão de quando estamos sozinhos em um cômodo, ou em casa sozinhos.

 

Uma solidão de dentro, que só a gente entende como é por dentro, qual a cor da solidão, o cheiro que tem, qual a textura, o sabor, a imagem que tem. A minha se parece com uma tela grande, manchada de várias cores em tom neon, vibrante e com uma assinatura embaixo. Exposta em uma exposição de algum artista famoso, em um canto de um salão bem grande, só com uma luz central iluminando a minha solidão.

A solidão.

E é como se a exposição estivesse cheia, mas ninguém ligasse para o quadro no canto com uma só luz. Não tem público, provavelmente, não será exposto novamente em outra cidade. 


Como é a sua solidão? Eu gostaria muito que você me escrevesse de volta, contanto cada detalhe da sua solidão. 

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Agora, eu lembrei da solidão, por incrível que pareça,  enquanto eu comia um prato de macarrão com carne moída, sentada em uma mesa de 6 lugares, totalmente vazia, sem nenhum som para tirar meu apetite. 


Você já ficou assim?


Eu lembrei de você na mesma hora, peguei um lápis e um papel e estou te escrevendo, o macarrão tá esfriando, mas, tá tudo bem, eu como gelado também. O que importa é que eu pelo menos passei pra te dar um 'oi'. 


Acho que temos muita coisa em comum, meu velho. E nem é da solidão que estou falando. Talvez seja algo a mais, você gosta de macarrão?

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Linda BarrosHá 3 anos atrásSão Luís -MaranhãoEu amo macarrão, mas não gosto de comer sozinha, rsrs texto reflexivo e impecável.
Professora Lucia MascarenhasHá 3 anos atrásSão Paulo/SPQue fantástico Laura, cê mudar o rumo de forma fantástica: Agora, eu lembrei da solidão, por incrível que pareça, enquanto eu comia um prato de macarrão com carne moída, sentada em uma mesa de 6 lugares, totalmente vazia, sem nenhum som para tirar meu apetite. Isso só faz, essa guinada, quem sabe.
Aru KamiHá 3 anos atrásSão PauloLindo texto. O que gosto é a forma como você escreve. É a forma sensitiva que o leitor encontra em cada linha. Simplesmente amei.
Amanda Prado, atrizHá 3 anos atrásRioA importancia de um texto desses para nós, que já estamos beirando os 80 é importanmtíssimo. Obrigado Laurinha. Você é um anjo.
Raimundo FonteneleHá 3 anos atrásBarra do Corda Maranhão Que importa a solidão se o macarrão tá gostoso?
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