EDITORIAL DE SÁBADO
Mhario Lincoln
Minha mãe, com grande experiência de vida, me disse quando cheguei em casa com a farda do Liceu Maranhense, 4a série do Ginásio, para o desfile de 'Sete de Setembro', e lhe disse:
- Mamãe, essa é a farda que vou usar para ser baliza do pelotão de bicicletas. Não está orgulhosa de mim?
Falei empolgado e me achando o melhor dos melhores, por ter ganho a vaga do inesquecível professor Nerval Lebre Santiago. Então, D. Flor de Lys asserverou:
- Meu filho, não faça tanto barulho com isso. Pode atrair maus olhares. Saiba que a destruição é atraída por barulhos. Mas a criação, essa é atraída pelo silêncio absoluto. Cresça em silêncio. É mais fácil o mal chegar perto de quem grita, do que aquele que pensa, silenciosamente.
Anos depois, estudando as percepções filosóficas da inveja, deparei-me com o texto de Confúcio, muito parecido com as palavras experientes de minha mãe: "Uma semente cresce sem som, mas uma árvore cai com um ruído enorme. A destruição tem ruído, mas a criação é silenciosa. Esse é o poder do silêncio, crescer silenciosamente".
Indiretamente, tais citações revelam uma conexão intrínseca com um dos fenômenos mais complexos da psique humana: a inveja, uma força que não apenas corrói o invejado, ao permitir-se influenciar, mas também consome o próprio invejoso, perpetuando uma busca incessante por objetivos inalcançáveis. Nesse contexto, pode-se citar inclusive, Melanie Klein, uma das principais sucessoras de Sigmund Freud.
Segundo Klein - muitas pessoas não concordam com tal posição - a inveja emerge da inevitável sensação de insatisfação que acompanha todas as experiências humanas após o nascimento. Essa insatisfação é alimentada pelas falhas e carências do ambiente, que contribuem para intensificar os sentimentos de descontentamento e ressentimento (...)".
Ora, então, a inveja é, muitas vezes, considerada um sentimento de ressentimento ou desagrado em relação à felicidade, sucesso ou posses de outros, acompanhado do desejo de possuir o que o outro possui.
Alguns filósofos, como São Tomás de Aquino, argumentam que a inveja é um pecado porque corrompe a alma, desviando-a do amor a Deus e ao próximo, e causando tristeza pela prosperidade alheia. Nessa perspectiva, a inveja é vista como uma forma de egoísmo que impede o desenvolvimento espiritual e moral do indivíduo. Um pecado?
Bem, até mesmo Santo Agostinho pesa na balança essa ideia de inveja, como pecado grave e divide em dois momentos. Para ele, antes de tudo, a inveja é um pecado capital, ou seja, um pecado grave que pode levar a outros pecados. Ele a descreve como a tristeza ou pesar pelo bem alheio, desejando que o outro perca aquilo que possui.
No entanto, ele também fala de uma forma mais "qualificada" de inveja, que ele chama de "zelosa" ou "emulativa". Essa forma de inveja seria aquela em que alguém deseja o bem que outra pessoa possui não para destruir ou prejudicar o outro, mas para ter algo semelhante. Nesse sentido, Santo Agostinho considerava essa forma de inveja menos grave do que a inveja propriamente dita, pois poderia levar a pessoa a buscar o bem e a virtude.
Por outro lado, há pensadores que questionam a validade de 'possíveis pecados humanos' como uma categoria moral, incluindo aí, a própria inveja. Filósofos como Friedrich Nietzsche e Michel Foucault criticam a ideia de 'pecado' como uma construção social que visa controlar e reprimir os desejos humanos naturais. Para eles, a inveja não seria necessariamente um pecado, mas sim um sentimento que surge da comparação social e da busca por reconhecimento e valorização.
E o caro leitor? Quer nos brindar com sua opinião?
SETEMBRO SETEMBRO AMARELO: “ATENÇÃO! SINAL AMARELO”
MUNDO NOVO “OBRAS LITERÁR(IA)S?”, crônica do professor e membro APB-MA, José Neres.
Mohana e Cassas “PLENITUDE HUMANA”: O LIVRO EM QUE JOÃO MOHANA COLOCOU O HOMEM DIANTE DE SI MESMO
Literatura Gótica Aluísio Azevedo Gótico: Lourival Serejo restitui uma vertente da obra do escritor ao debate literário brasileiro
EXCLUSIVO A CURIOSIDADE “MATA”. MAS, ANTES, DIVERTE — E ENSINA
Convidados APB 29 DE AGOSTO DO IPIRANGA AO TRATADO DE PAZ E AMIZADE Mín. 12° Máx. 19°
Mín. 11° Máx. 18°
Tempo nubladoMín. 8° Máx. 22°
Tempo limpo
Marco Neves De Homero ao autoclismo português: 3000 anos de grego
Coronel Carlos Furtado FALMA: unidos, conquistamos espaço para a literatura maranhense
José Neres “OBRAS LITERÁR(IA)S?”, crônica do professor e membro APB-MA, José Neres.
Academias Brasil/Exterior Coirmãs JOÃO AURÉLIO DO VALE: “ENQUANTO HOUVER QUEM CARREGUE ESSA BANDEIRA, A HISTÓRIA DO MEU PAI NÃO IRÁ MORRER”