*Mhario Lincoln
"A poesia é a linguagem da alma que se expressa através das palavras". MHL
Tive a imensa honra de ser convidado a escrever o Prefácio dessa obra da poeta, escritora e pensadora paranaense Mariângela Pellizzer, nascida em Campo Mourão-PR, na verdade, a minha madrinha e anfitriã no queridíssimo Centro de Letras do Paraná, uma das casas de literatura mais antigas e respeitadas de todo o sul do Brasil. E o fiz com muita emoção, haja vista o trabalho ter um conteúdo diferenciado e emocionante.
Antes mesmo do lançamento da obra, que deverá ocorrer brevemente, Pellizzer me autorizou a publicar esse Prefácio, que o faço agora, abaixo, ainda, sob forte sentimento de ter entendido a essência desse trabalho que, com certeza, será uma das mais aclamadas deste lado do Brasil. Parabéns, Mariângela.
Eis o Prefácio:
"A delicada tarefa de escrever com a linguagem do coração é
verdadeiramente desafiadora. A linguagem do coração tem a
capacidade de encantar, produzindo obras de uma singeleza
rara, que deixam impressões profundas nos leitores. Essa é a
promessa cumprida por LETRAS QUE SE ENLAÇAM, uma obra
de Mariângela Pellizzer.
A importância de criar poemas simples, que enriquecem a
alma, está intrinsecamente ligada à habilidade de capturar a
essência da vida e das emoções humanas em sua forma mais
pura. Essa coletânea de pensamentos, frases, poemas e
crônicas, com detalhes
românticos e virtuosos, que certamente tocarão profundamente
os leitores, despertando emoções genuínas.
Nesse contexto, é impossível não lembrar das brilhantes
poetisas Cora Coralina e Adélia Prado, representantes
autênticas de obras que celebram as pequenas alegrias da
vida, da natureza e da experiência humana. Elas abraçaram a
simplicidade com maestria na poesia brasileira, inspirando
gerações futuras a explorar essa vazão, porém, tão difícil de
ser colhida por muitos.
Mariângela Pellizzer, no entretanto, segue essa tradição, como
eu já esperava, ao mergulhar em suas palavras. Seus escritos
ressoam como poesia pessoal, orgânica, também conhecida
como poesia da alma, buscando dar voz aos sentimentos mais
profundos e intrínsecos de um indivíduo.
A autora ultrapassa as limitações das palavras,
buscando comunicar as emoções complexas e sutis que
frequentemente escapam de descrições diretas.
O filósofo
dinamarquês Søren Kierkegaard, (eu sempre o cito quando oportuno), pai do existencialismo,
acreditava na importância da introspecção autêntica e na
reflexão sobre a condição humana interior. E aqui, o trabalho
de Mariângela Pellizzer é um convite para essa introspecção,
uma jornada rumo aos cantos mais profundos de nossos
interiores. O livro transcende as meras construções ortográficas,
revelando camadas de significado em cada página.
Ele abre
espaço para discussões, não só sobre a beleza das palavras,
mas também sobre a psicologia, a filosofia e o propósito da
experiência humana.
Na verdade, ao ler toda a obra, decidi escolher dois momentos
que representam o todo e assim, exemplificar a razão do
"eu poético" da autora, equilibrando-o entre dois pontos seguros,
onde está fincada uma linha tênue por onde caminha silenciosa
e cuidadosamente a poetisa Mariângela Pellizzer.
Abaixo, esses
dois pontos escolhidos.
Ainda no começo, a autora escreve: "(...) Existe uma diferença
marcante entre emoção e sentimento". Essas palavras ressoam
como uma verdade universal. “As emoções podem nos
desequilibrar, enquanto os sentimentos têm o poder de
apaziguar e fazer crescer”. Essa distinção é crucial para
compreender a complexidade do ser humano, e Mariângela
Pellizzer explora essa dicotomia de maneira poética e profunda.
Já o poema "Borboletas no Estômago", em outro extremo, é
um exemplo marcante. A metáfora das borboletas é uma
imagem icônica para a paixão, que nos envolve em sensações
intensas. A linguagem direta e interrogativa utilizada pela
autora envolve o leitor, tornando-o cúmplice do desejo por uma
experiência avassaladora.
A dualidade presente no poema, entre querer viver
intensamente e as consequências descritas logo após, revela
uma compreensão complexa da paixão. Mariângela sugere que,
embora traga alegrias, a paixão também traz consigo
desequilíbrio e incerteza. O apelo final, "Apaixone-se!", soa
como uma chamada à ação existencial, convidando o leitor a se
entregar às emoções intensas e complexas da paixão como
uma forma de autodescoberta e conexão com o mundo.
*********
Portanto, esta obra criada com o coração, é um néctar singular onde Mariângela Pellizzer costura emoções e saudade, de maneira cativante, sempre com "simplicidade das palavras, revelando uma grandeza verdadeira da expressão humana", ecoando as palavras sábias de Rabindranath Tagore.
Eu agradeço incomensuravelmente a oportunidade de lê-la, cara confreira. (...)."
Um grande abraço.
Mhario Lincoln,
Presidente da Academia Poética Brasileira.
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