Orquídea Santos é chefe da ASCOM, da Academia Poética Brasileira.
Acadêmica APB, Carmen Dias, da Seccional do Paraná, analisa poesia inédita de Mhario Lincoln, uma das muitas que serão publicadas em seu novo livro "O SEXTO SEXO". Abaixo, o poema enviado para a poeta paranaense.
CICLO DISFUNCIONAL
*Mhario Lincoln
Não tenho paciência
para sentir saudade;
esse doído vazio
da ausuência.
Porque saudade
é sinônimo de abandono.
Não me sinto bem
sendo abandonado.
Abandono tem razão
e disfunção: mental,
erétil ou social.
Razão pra discutir isso?
Não! Há coisas normais na vida.
E outras, chatas e fantasiosas?
Cada um pensa do jeito que quiser.
Cada qual é cada qual; e por isso,
a razão, nem sempre é razão
e o coração, nem sempre é coração.
Ah, coração vagabundo, poético,
indescente, rasgado, imortal,
indigente, elegante, saltitante,
pulsante e triste.
E lá vem a tristeza novamente.
Logo nessa longa idade!
Nesse ciclo insistente, disfuncional,
que, ao fim, acaba levando
outra vez no rumo da saudade!
A interpretação de Carmen Dias (APB-PR)
Caro Mhario,
Compreendo profundamente as palavras que compartilhou. A saudade é uma emoção complexa, um eco do passado que ressoa em nosso coração. Ela nos lembra de momentos preciosos, mas também pode ser dolorosa, especialmente quando sentimos o vazio da ausência.
O abandono, por sua vez, é uma ferida que deixa marcas profundas. Às vezes, é causado por razões claras e outras vezes, por disfunções que não conseguimos compreender completamente. O coração, esse vagabundo poético, muitas vezes nos leva por caminhos inesperados, onde a razão e a emoção se entrelaçam.
Mas, mesmo na tristeza, há beleza. A saudade nos conecta ao que foi, e o coração, mesmo rasgado, continua a pulsar. É um ciclo, como você descreveu, e talvez seja a própria essência da nossa humanidade.
Que possamos encontrar conforto nas lembranças e na esperança de que, um dia, a saudade se transforme em algo mais suave, como uma canção antiga que nos embala.
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