
O Português de Portugal e o do Brasil
Marco Neves (Lisboa). No Youtube. Canal de Marco Neves, professor, tradutor e autor de vários livros sobre a língua portuguesa e a linguagem humana. Assine o canal para receber vídeos sobre línguas, livros e outras viagens.
Por que razão o português de Portugal e o português do Brasil são diferentes? Esta é uma das perguntas que mais recebo aqui no canal e vou tentar explicar de forma resumida e certamente que as pessoas que me ouvem do Brasil vão ter também algo a dizer podem acrescentar alguma informação e podem também corrigir algo que eu diga que não esteja perfeitamente corret. (...) Eu vou falar de quatro razões com certeza que há mais mas eu queria falar destas quatro, em particular, primeiro: a variação que é uma característica de todas as línguas humanas. (Vídeo completo, abaixo):
Alguns dos comentários na página de Marco Neves, no Youtube:
1 - @wolfram7543
"Também ocorreram várias imigrações em massa no Brasil de pessoas vindas da Itália, Japão, Alemanha, França, Polônia, Holanda, Ucrânia, Rússia, Espanha, Coreia, China, Líbano, Síria, Líbano e outros países árabes, de pessoa de origem do que é hoje Israel etc. Dentro do próprio Brasil temos sotaques diferentes, mas não há dificuldade de entendimento, em relação a linguagem, entre as pessoas das diversa regiões do Brasil. A imigração de Açores é bem restrita, ficando mais localizada do Estado de Santa Catarina. Sempre acompanho seus textos, que são ótimos".
2 - @mauriciomarzano
"Professor, uma dica: o livro FALARES AFRICANOS DO BRASIL. É um livro sensacional e explica alguns de nossos vícios. Em Minas, meu estado, o plural é apenas no artigo. Dizemos “a cadeira” e “aS cadeira”. Outra coisa sensacional são algumas metáforas. Em uma língua africana um dispositivo para se carregar fezes chamava-se camburão. Hoje a palavra designa o carro da policia que carrega presos. E há muitas outras. Do falar indígena, admiro-me dos nomes de frutas e árvores: jaboticaba, pitanga, gabiroba, jenipapo, etc. E tudo tinha um significado preciso que qualquer indiozinho diferenciava uma de outra. O reinol já não tinha esta criatividade. Árvore era pau: pau-brasil, pau-ferro, pau-formiga, etc. Nosso português falado tem meia dúzia de erros - que vc considerou em sua viagem a São Paulo, como um dialeto igual ao alemão suiço. Vou listá-los: praticamente não usamos o pronome oblíquo. Preferimos usar o pronome reto: comprou o carro? Sim, comprei ele. Ninguém diz comprei-o. A ênclise está em extinção e a mesóclise é proibida. Se alguém usá-la tem que pedir desculpas, como o fez o Pres. Temer. Por usarmos s terceira pessoa, você, erramos toda concordância: Você vai me emprestar o TEU carro? Estamos muito limitados no uso de tempos verbais. Jamais iremos ao cinema. Nós vamos amanhã ao cinema. A importação de línguas exóticas foi outro fato. Havia no sul regioes que falavam o Taliano, uma mistura de dialetos italianos e alemão. Com a WWII, Vargas proibiu falar italiano e alemão, com risco de prisão. São Paulo no principio do século XX era bilingue, português e italiano. Aí pergunto: o que é esterçar um carro? Fico satisfeito do Pombal ter acabado com a língua geral paulistana. Seria um vulgar que todo brasileiro teria que aprender para ir a Sampa. Como o Guarany no Paraguai. Ficaram rsauícios num certo sotaque dito “caipira”. Peça a um paulista do onteriir ou um sul-mineiro para falar PORTA e VOLTA. O som do R e do L é o mesmo, vindo da língua geral. Finalizando, tenho ódio de quem diz falar brasileiro. Se eu ficasse um mês em Portigal entenderia tudo. Uma uktima curiosidade: estudei o curso primário pouco depois da ditadura do Estado Novo ( Getulio era o nosso Salazar). O nome oficial da matéria era Língua Pátria".
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