*Mhario Lincoln
Fiquei muito feliz em rever meu amigo Ubiratan Sousa, num reencontro virtual memorável. A conversa através de mensagens que venho tendo com ele ao longo dos últimos dias, me permearam de razões para escrever este texto abaixo:
O compositor maranhense Ubiratan Sousa é uma figura emblemática na cena musical do Brasil, especialmente por sua dedicação à valorização e difusão do folclore do Maranhão, uma das mais ricas e originais manifestações culturais do Nordeste. Sua obra transcende as fronteiras regionais e alcança reconhecimento nacional, evidenciando a universalidade e a força da cultura popular maranhense.
Participando ativamente do movimento musical do país, Ubiratan Sousa não apenas apresenta sua habilidade como compositor, mas também desempenha um papel crucial na promoção do Bumba-meu-boi, a maior manifestação folclórica do Maranhão. Suas composições, permeadas de elementos típicos dessa festa, servem como veículo para o compartilhamento de histórias, tradições e valores que são fundamentais para a identidade cultural do estado.
Ao longo de sua carreira, Ubiratan tem sido merecidamente reconhecido e premiado em diversos festivais nacionais, consolidando sua posição como um dos principais expoentes da música folclórica brasileira. Seu trabalho não apenas enriquece o cenário musical, mas também contribui para a preservação e revitalização do patrimônio imaterial brasileiro, garantindo que as futuras gerações possam apreciar e se orgulhar de suas tradições.
Um exemplo claro disso é a belíssima letra (e música) que Ubiratan fez com o irmão Nessa letra que Ubiratan Sousa fez com o irmão, saudoso Souza Neto, é uma crítica poderosa em defesa de Chico Mendes e da luta contínua contra o desmatamento e o uso abusivo da Floresta Amazônica, o pulmão do mundo.
"TRIBUTO A CHICO MENDES"
Chico Mendes, com suas palavras fortes, disse: “Não quero flores no meu enterro, pois sei que vão arrancá-las da floresta” e “Se descesse um enviado dos céus e me garantisse que minha morte iria fortalecer nossa luta até que valeria a pena. Mas a experiência nos ensina o contrário. Então eu quero viver”.
Assim como as palavras de Chico Mendes, a letra e a música de " Tributo a Chico Mendes", insere a floresta, os rios, o Poraquê, o Saci Pererê, os mananciais, o Jatobá, o Uirapuru, os seringais, Xapuri e muito mais. Ela fala de uma floresta ferida, mas sempre renascendo, com o caule brotando “lágrima-vida”, uma referência à seringueira.
Como me afirmou em mensagem, o próprio Ubiratan Sousa, "(...) cada elemento citado na letra é questionado: “Poraquê, para que mananciais?” E a resposta vem: “Raiz de uma vida que a morte arrancou”. “Pererê, pra que ter os seringais?” E a resposta é dada: “seu tronco tombado em solo sangrento”. O Jatobá, que cairá sem motivo, ouve novos cantos e se cobre de flores".
E em um momento belíssimo da letra, ela diz: “E a mão que acena o último adeus recolhe, afaga, planta os sonhos teus: A nova paisagem que o Mundo há de ver. A Mata refeita, de novo ferida, do caule brotando a lágrima-vida (a seringa). A tua promessa em que o Mundo há de crer: Viver, lutar por um ideal… Crescer, lutar, banir o mal, dizer, sem medo o que pensar e até morrer pra conquistar.”
É imprescindível reconhecer e valorizar o legado de Ubiratan Sousa, não apenas como um talentoso compositor, mas também como um incansável defensor e divulgador da cultura-raiz do Brasil. Sua obra é um testemunho da beleza e da força do folclore, desempenhando um papel vital na perpetuação da identidade cultural brasileira e na defesa de um meioambiente já degradado.
BOI VERDE E AMARELO
"Boi Verde e Amarelo" é uma composição que remete às tradições folclóricas brasileiras, especialmente à manifestação cultural do Bumba-meu-boi, presente em diversas regiões do país. O poema traz à tona elementos característicos dessa festa, como a figura central do boi, o chapéu de fitas e o apelo à esperança e à libertação.
A repetição do verso "Levanta meu Boi, que o dia já nasceu" sugere um chamado ao despertar, não apenas do boi, mas também do povo, para um novo dia repleto de possibilidades. O boi é convidado a marcar seu espaço, a se levantar e a mostrar sua força, simbolizando a resiliência e a capacidade de superação do povo brasileiro.
O texto faz uso do refrão "Mostra pra esse Povo que a Esperança não morreu" para reforçar a ideia de que, apesar das adversidades, ainda há motivos para acreditar em um futuro melhor. A esperança é um tema recorrente no folclore brasileiro, refletindo a perseverança e o otimismo diante dos desafios.
A menção ao "chapéu de fitas" remete ao traje típico dos personagens do Bumba-meu-boi, que é colorido e festivo, simbolizando a alegria e a celebração da cultura popular. O ato de tirar o chapéu e gritar "Vivas à minha Nação" e "Viva a Libertação" expressa um sentimento de orgulho nacional e um desejo de liberdade, seja ela cultural, social ou política.
Em suma, "Boi Verde e Amarelo" é uma homenagem à rica tradição folclórica do Brasil, destacando valores como a esperança, a resistência e o amor pela nação. O texto celebra a cultura popular e convida o leitor a refletir sobre a importância de preservar e valorizar as manifestações culturais que fazem parte da identidade brasileira.
VÍDEO-BÔNUS
Figuras icônicas da MPB, nesse vídeo acima: Xavier, ao pandeiro,Tião e Erivaldo, nas matracas e Mochel, ao maracá. Letra do saudoso Irmão Souza Neto.
A LETRA
Levanta meu Boi, que o dia já nasceu (bis)
Marca bem o compasso, que este espaço é todo teu ,
mostra pra esse Povo, que a Esperança não morreu.
Antes que a morte fira, com força o teu coração,
tiro o chapéu de fitas, gritando Vivas à minha Nação,
tiro o chapéu de fitas, gritando Viva a Libertação.
Levanta meu Boi, que o dia já nasceu (bis)
Muito trabalho é pouco, pra lutar e pra vencer,
Mostra pra esse Povo que a Esperança não morreu.
Antes que a morte fira, com força o teu coração,
tiro o chapéu de fitas, gritando Vivaas à minha Nação,
tiro o chapéu de fitas gritando Viva a Libertação.
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