ANTOLOGIA. Ah, as Antologias!
Linda Barros, professora e atriz. Membro da Academia Poética Brasileira
Vivemos em uma sociedade em constante transformação e mudança. Tudo muda o tempo todo e, consequentemente, temos que estar em comunhão com essas mudanças, caso contrário, somos deixados para trás, ficamos a ver navios. E nessa constância transformadora estão os textos que produzimos e consumimos. A pergunta que fica no ar: escrevo para quê? Ou quem vai ler esses textos? E o mais importante, onde encontrá-los?
Infelizmente nosso país não é muito chegado à valorização cultural, principalmente no que concerne às suas riquezas locais, relacionadas às mais diversas vertentes artísticas. Na área das produções que tange à escrita, espaços para publicações são o que não faltam: em meio às inovações tecnológicas, encontramos sites, blogs, revistas eletrônicas, que estão por toda parte, de braços abertos para acolher os novos ou os mais experientes autores.
Nesse contrapasso das mudanças, principalmente das tecnologias, das mídias digitais, surgem as antologias, verdadeiras vitrines literalmente abertas para colherem e receberem os mais diversos gêneros textuais prontos para publicações. Antologia vem do grego “anto”, que na botânica é Análise detalhada sobre as flores; estudo das flores, ou seja, é coletar os melhores textos de determinados autores, por exemplo Meus Poemas Preferidos, de Manuel Bandeira, publicado em 1966, Meus Versos Mais Queridos, de Guilherme de Almeida, publicado em 1967, são alguns exemplos de Antologia no sentido literal da palavra.
A primeira antologia que se tem registro é de autoria do poeta grego Meléagro. No entanto, até meados do século XVIII a palavra "antologia" não era utilizada para se referir às coleções de textos literárias, mas sim termos como "florilégio", "romanceiro", "silvas" ou "flores". (fonte: Enciclopédias & Significados). Na literatura, as antologias são formadas e compreendidas como um documento onde comporta diferentes gêneros literários, de diferentes autores, ainda que os mais comuns sejam os gêneros prosa e verso.
Mais especificamente, Antologia é o conjunto formado por diversas obras, não se limitando somente à literatura, mas abrange também a música, o cinema, a área jurídica, a medicina e outras áreas do conhecimento, onde também podem explorar vários tipos de temáticas. No entanto, na literatura, por norma geral, as antologias são organizadas dentro de um único volume, formando uma coletânea de obras que abrangem um tema, período histórico, um autor específico ou vários autores.
Na trivialidade das antologias, temos a mais comum e mais abrangente, que é antologia poética. Ela, consiste na reunião de diversos poemas em uma mesma publicação, nesse caso específico, os textos são selecionados pelo próprio autor para disponibilizar na antologia desejada. Lembrando que as antologias não são concursos, são seleções de textos, mas sem o cunho de competição.
As antologias têm o grande papel social de trazer à tona autores, iniciantes ou não, dando-lhes a oportunidade de mostrar seus trabalhos literários. É muito comum as Academias fazerem suas antologias com seus próprios membros e/ou convidados. Há também as antologias temáticas voltadas especificamente para as mulheres, para as etnias ou de gênero. Com relação a valores monetários, muitas delas paga-se uma pequena taxa para custos da confecção da mesma, o que não impossibilita a oportunidade de qualquer pessoa participar, já que os valores são irrisórios, em outros casos, muitas das antologias não têm custo algum, nesse caso elas são digitalizadas.
E respondendo às perguntas feitas no início deste texto, para quem escrevo? Será que temos leitores ou será que os leitores só leem aquilo que lhes interessam de fato? E onde encontrar esses textos? Nesse caso, nas antologias. E mais, será que os autores que publicam nas antologias, leem os textos dos outros autores? Ou limitam-se somente ao seu texto? Sendo assim, qual o objetivo das Antologias? Apenas trazer autores de renome ou não ou será que há uma união coletiva de leitores prontos para se deleitar com as pluralidades de textos encontradas nas Antologias? Não se faça de rogado caro leitor, leia a si e aos outros.
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