Gratidão
Carlos Furtado convidado da Plataforma Nacional do Facetubes
“A gratidão não é apenas a maior das virtudes, mas a mãe de todas as outras.”
— Marco Túlio Cícero
A vida é um conjunto fascinante de momentos variados — alegres, emocionantes, nostálgicos, por vezes, tristes ou irritantes — que nos proporcionam sensações diversas, ora agradáveis, ora lamentáveis.
Na primeira fase da vida, até os 50 anos, vivemos um período ascendente, construtivo, explosivo, cheio de vitalidade. Tudo parece possível de ser replanejado. É uma época em que a saúde é favorável, e a capacidade regenerativa do organismo, extremamente eficiente.
Por outro lado, à medida que o tempo passa, o corpo já não responde da mesma forma. Inicia-se uma fase em que, inevitavelmente, nos tornamos mais cuidadosos, seletivos, exigentes — e o próprio organismo exige atenção redobrada. A idade, silenciosamente, começa a cobrar seus cuidados.
É nesse contexto que gostaria de centrar minha reflexão. Ultrapassados os 63 anos, percebo que o corpo já não consegue acompanhar todas as demandas que a mente ainda insiste em impor. Surgem comorbidades — genéticas ou adquiridas — e, por mais que se busque equilíbrio, crises inesperadas podem surgir. Em alguns casos, novas enfermidades se manifestam, exigindo o uso contínuo de medicamentos ou até internações, com o objetivo de preservar ou recuperar a qualidade de vida.
É nesse momento da vida que a presença de uma companheira torna-se ainda mais essencial — aquela que está ao seu lado para acompanhar cada evolução, representar suas vontades, verificar se as decisões tomadas estão alinhadas com seus interesses e com seu bem-estar. Em situações delicadas, quando se está sob efeito de medicamentos ou inconsciente, é ela quem se torna o alicerce, a voz e o amparo.
Recentemente, tenho vivido um período emocionalmente delicado, com perdas familiares e de amigos queridos. As “feridas” causadas por essas ausências ainda estão em processo de cicatrização. Em meio a isso, fui surpreendido por uma crise de “diverticulite”, exigindo uma internação para tratamento inicial intensivo, já em casa, agora sob os cuidados específicos, posso avaliar.
É nesse universo de emoções e desafios que deixo meu agradecimento mais profundo à minha amada esposa — pelo cuidado, zelo, carinho e atenção dedicados a mim, não apenas neste momento, mas em todos os dias de nossa vida a dois.
Com gratidão e amor.
Carlos Furtado
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