
Joizacawpy Costa
Uma obra bonita, leve, como diz um de seus prefaciadores, Mhario Lincoln.
Logo no primeiro poema, Maria nos traz a abstração da poesia, sim, como um motivo pelo qual nasce o poema. E num gesto de leveza, as palavras constroem movimento. Pois é impossível não imaginar essa contemplação que nasce não meramente nos olhos, mas no jeito de olhar, ao imaginar os movimentos entre os dedos, e é nessa fluidez que ela sustenta o poema até o fim com belos artifícios poéticos que se misturam e dão harmonia ao poema.
Nessa escrita fluida, que evoca liberdade, a autora vai movimentando as palavras e o texto de modo a mexer com o leitor. Despertando-lhes sensações, como se quem lê entrasse no poema mesmo sem perceber.
O mergulho em seu “eu” traz um aspecto corajoso da escritora, de mostrar-se sem disfarce, que ela diz ser um esboço mal acabado de quem é, mas com consciência do que lhe constitui e reconhecendo ser a poesia um pedaço de si.
Ela continua sua construção e o que se pode perceber é que não há preocupação com rigores, o que prevalece é a liberdade que a poesia oferece. "A rima perfeita não existe/Pois ela é espelho da alma infinita...”. Ela traz de modo consistente e sutil, ao mesmo tempo, coisas muito minuciosas que para alguns passam despercebidas, mas ao olhar atento do poeta, não. Falo dos cheiros e de uma diversidade de cheiros em variadas superfícies, eles se transformam no papel com a destreza da escrita de Maria. Acontece o mesmo com o som, com o movimento, com as formas. Como num campo magnético de puro encanto, ela transforma a poética vivida em poética escrita nos presenteando com seu olhar sensível e atento ao mundo em seus mais variados aspectos.
Como explicar a poesia e encontrar a resposta exata? Não. Maria José não se conforma com possíveis respostas prontas para a poesia e por isso mesmo indaga do começo ao fim: O QUE É A POESIA?. Talvez a resposta mais próxima seja a transcendência que ela traz ao final, depois de tantas perguntas.
Adentrar nesta obra é ter, em cada página, momentos de deleites poéticos, mas também momentos de reflexões profundas e necessárias. Depois de falar tanto em palavras, em escritos vem "Páginas em Branco" e é na perspectiva da página em branco que o poema traz um dia novo, pronto para registrar novas histórias, aprendizados e experiências. A metáfora da página em branco para exemplificar um dia novinho de vida é perfeita, ao passo que sabemos que a todos nós é permitido começar. A grande diferença é saber usar as tintas da vida para escrever e desenhar páginas que passam pelos passos da vida e que estão dispostas a continuar com altivez e certas do ponto de chegada.
Recomendo leitura, livro rico em lirismo para deleite e para reflexão.
Como bem disse o prefaciador Mhario Lincoln
"Borboletas de Papel não é uma leitura: é um espelho. E quando me vi refletido nessas palavras, não saí dessa bela experiência o mesmo Mhario que entrei nela. A poeta e seus versos me abraçaram com leveza, mesmo que resquícios de poesia densa, exista”. Entendi perfeitamente o pensamento dele, é um mergulho na leveza das asas da borboleta em voo, mas ao mesmo tempo a força do seu processo de transformação que é a metamorfose, porque ela se reinventa em sua própria poesia.
Como assegura Wanda Cunha em sua parte do prefácio: "Em Poesia, Maria José Lima mistura sensações no elevo quase sinestésico que a consome, enquanto criadora em busca de sua criatura.” E é nesse compasso de composição poética que não é meramente escrever versos que Maria José Lima ganha seu leitor ao transmitir sentimentos que se misturam, que se assemelham, e que se diferenciam ao mesmo tempo.
Joizacawpy Costa.
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