
Luis Augusto Guterres
Foto: com Carlos Nejar (Academia Brasileira de Letras), o mais destacado poeta da atualidade. Nejar é procurador de justiça aposentado, poeta, ficcionista, ensaísta e tradutor. Segundo a Academia Brasileira de Letras, Carlos Nejar já publicou mais de 70 livros, entre poesia, ensaio, conto, crítica literária, literatura infantojuvenil e traduções. No destaque, na visita que o poeta Carlos Nejar fez a OAB-MA, sendo recepcionado por Daniel Blume (AML), diretor da instituição e eu (AMLJ).
A PALESTRA
##Assisti a uma das palestras mais memoráveis de que tenho lembrança. Carlos Nejar, aos 86 anos, com um vigor de jovem e voz de soprano, discorreu para uma plateia predominantemente composta por jovens estudantes de direito sobre a dualidade ou proximidade entre o mundo jurídico e a literatura. Duas frases da palestra me marcaram: primeiro, quando o poeta gaúcho expressou que "a finalidade maior da justiça é ser misericordiosa", e depois, perto do final, quando disse que "sem literatura não existe humanidade". Vale registrar o momento das perguntas, quando foi questionado sobre o que um jovem deve fazer para se tornar escritor, e ele prontamente respondeu: "ler muito".
##A respeito da minha observação o escritor, poeta e juiz de direito, Weliton Carvalho fez o seguinte comentário: "o poeta dos Pampas sabe por oficio e vivência que o sentido último da vida reside na transfiguração. O direito também é arte..., porque é sobretudo linguagem. Dworkin lança mão da metáfora do direito como um romance a ser escrito ao longo da história. E o diálogo entre o direito e a literatura ocorre no nível da interdependência. O livro Germinal, de Émile Zola catalisou a formação do Direito do Trabalho. E no nosso Josué Montello com A Décima Noite se inspirou no Código Civil de 1916 para denunciar o domínio do homem sobre a sexualidade feminina. A literatura e o direito têm muito o que dizer um para o outro".
NA CONVERSA
PALESTRA
Durante o evento literário na OAB-MA, com a presensa de Carlos Najar, Daniel Blume, na abertura, disse uma frase que achei emblemática:
-Quem estuda só Direito, não sabe Direito!
Fica a dica.
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LANÇAMENTOS
A escritora, ensaísta e acadêmica Ceres Costa Fernandes lança, nesta quarta, 9 de outubro, às 19h, no Convento das Mercês (Rua da Palma, 502, Desterro), uma seleção de obras que atravessam crítica literária, crônica e ficção, entre elas Apontamentos de Literatura Medieval – Literatura & Religião, Contos de Desamor e De Peixes & Solidão. Professora aposentada da UFMA e integrante da Academia Maranhense de Letras (Cadeira 39), Ceres consolidou trajetória de referência na literatura maranhense e lusófona, com atuação em projetos culturais e curadoria de debates, além de reedições e lançamentos recentes que reavivam vozes da tradição local.
Nascida em Salvador e radicada no Maranhão desde a infância, Ceres é mestra em Letras (PUC-Rio), especialista em literatura portuguesa e autora de títulos que vão do ensaio ao conto, como O narrador plural na obra de José Saramago, Surrealismo & loucura e Café Literário – Memória — produção que lhe rendeu distinções acadêmicas e reconhecimentos públicos ao longo de cinco décadas. A noite de autógrafos no Convento das Mercês reforça a centralidade de sua obra na cena cultural de São Luís, ao aproximar leitores de diferentes gerações e celebrar uma carreira que alia rigor crítico e compromisso com a formação de público.
Grato pelo convite.
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