
Joizacawpy Costa
A décima oitava Feira do Livro de São Luís-FELIS, cujo homenageado maior foi o padre João Mohana, encerra sua edição com palestra de grandes intelectuais da literatura maranhense, um momento orquestrado, pelo professor José Neres e pelo professor José Dino.
Valorizar a literatura local é um passo para a disseminação da identidade de um povo. Somos todos brasileiros sem muros, mas acredito que conhecer o que é nosso amplia o olhar para se conhecer mais e ir além. Quando nos sentimos pertencentes a um lugar e de tudo que nele existe, com certeza passamos a respeitar melhor e a cuidar bem dele. Se o Maranhão é um verdadeiro celeiro literário, é preciso plantar essa semente em nosso povo, ou seja, a semente que guarda nossa literatura precisa ser plantada para nos dar mais frutos.
O principal auditório da FELIS ficou repleto de pessoas que queriam ver e ouvir nossos escritores e estudiosos. O evento culminou como um imenso mosaico de diversas vozes maranhenses, ativas e vivas. Sem, no entanto, esquecer os primeiros, as gerações que ajudaram a construir esse acervo literário primoroso.
As escritoras, Regina Costa, Joizacawpy, Maria José Lima, Hemily e o escritor Rômulo Reis iniciaram o momento com declamações de poesias autorais, uma amostra do quanto temos, são vozes espalhadas por todo canto e gerações diferenciadas.
A trova também teve seu espaço no Sarau, representada pela presidente da Academia Maranhense de Trovas __ AMT, Wanda Cunha, Franci e José Carlos Sanches.
José Neres iniciou a palestra fazendo uma pergunta: "Como seria se alguém do passado voltasse para ver como está o Maranhão hoje”? De repente, entra o personagem Henriques Leal ( interpretado por Josimael Caldas), vindo do passado aportando na São Luís de hoje, no Maranhão do presente. Em seguida, Entra a personagem contemporânea, a professora Lúcia (interpretada pela atriz Linda Barros). foi um encontro do passado com o presente, numa interpretação de grande valor teatral. Esses atores deram um show de interpretação.
Nesse diálogo teatral, os artistas trouxeram o passado dos grandes nomes da literatura maranhense e também nome de novos escritores, fazendo uma troca de conhecimentos ora no passado, ora de volta ao presente. Nesse diálogo deram destaque para escritores como Maria Firmina dos Reis, Godofredo Viana, Coelho Neto, Sousândrade, Mariana Luz, Laura Rosa, Gonçalves Dias, Ferreira Gullar, e os autores do presente que estavam na plateia. O diálogo teatral transcendeu o palco e chegou ao público.
O professor Neres destacou ainda a importância de Antônio Henriques Leal como grande biógrafo. Mostrando que muitos têm um trabalho que nem sempre é visto pelo fato de se dedicarem a estudar obras literárias, como: Carlos Cunha e Jomar Moraes. Neres ressalta a atualidade que continua nesse trabalho de estudos literários como o professor Dino Cavalcante que em seu trabalho árduo de pesquisa pode trazer muitas informações necessárias para ampliação do nosso conhecimento sobre autores maranhenses.
Estamos produzindo literatura constantemente e isso dificulta que muitas pessoas conheçam os variados trabalhos dos nossos escritores contemporâneos. Dino ressaltou em sua fala que se por um lado o Maranhão mostra uma renda percapta que classifica o estado como o mais pobre do Brasil, por outro lado, desde o século XIX, em 1832, com a publicação, de Hino à Tarde de Odorico Mendes, eleva o Maranhão ao topo da cultura. Ressaltando as manifestações culturais populares, como o tambor de crioula, o bumba-meu-boi e tantas outras.
Quanto a esse aspecto ressalto, "a literatura anda de mãos dadas com a cultura do povo", sendo tema para composições de muitos escritos. O professor falou da satisfação de ter os Lençóis Maranhenses e São Luís como Patrimônio da Humanidade. E que é necessário reconhecer a literatura como Patrimônio de todos.
Na fala do professor José Dino, houve alguns lamentos, tendo em vista a disseminação da nossa literatura ainda não ser tratada com a seriedade que merece, principalmente, nos espaços educativos como deveria ser.
Dino escancara seu amor, sua felicidade e orgulho de ver sua terra cada vez mais produzindo. Porém, ao mesmo tempo, esboça traços de tristeza ao constatar, por exemplo, que em Codó o livro do Godofredo Viana não é debatido, não é estudado, assim como outros municípios maranhenses também não prestigiam seus ilustres escritores.
O auditório João Mohana foi testemunha de uma noite plena de literatura maranhense que não ficou no marasmo. Se pesquisado a linearidade temporal e histórica do caminho da nossa literatura, vamos constatar que ela sempre esteve ativa, claro que a cada momento de um jeito diferente.
VÍDEO-BÔNUS
Vitoriosamente a literatura maranhense encerra a 18º FELIS com chave de ouro, um verdadeiro encontro fraterno, nesse momento pulsávamos numa só energia alimentada por nosso legado literário.
Ao final da palestra, o secretário de Cultura do município, reafirmou o compromisso do prefeito de promoverem o concurso literário de São Luís, tão aguardado pelos escritores.
A emoção de sentir a força da nossa arte de escrever contagiou a cada um que esteve ali, impulsionando-os a mais reflexões e debates sobre a importância de movimentar a palavra. Viva a literatura maranhense!
Oscilação
Ontem, eu disse...
Se um dia a dúvida me procurar,
Direi a ela que meus sonhos
Se transformaram em certeza,
Que a vida se embala
Na travessia do inexato para o perene.
Que nada naufraga em meu mar,
Feito de esperança,
Que não se cansa de palpitar!
Bravura de quem
Renasce a cada aurora!
Com brilho ardente do sol,
Queima toda oscilação,
Abate todo duvidar!
Porque meu desejo
É ato,
Que não distrato,
E que desato
Em um eterno fato.
Que do recato
É enlevo exato.
Mas...hoje, se a certeza me procurar,
Direi a ela que meus sonhos
Se transformaram em dúvida...
De REGINA COSTA.
O texto interpretado por Josimael e Linda Barros, foi escrito pelo professor José Dino Cavalcante.
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LITERATURA MARANHENSE: A nova geração literária do Maranhão, com grandes nomes da história.
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