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A Noite em que a Academia se Vestiu de Estrelas

Cel Carlos Furtado é colunista da Platforma Nacional do Facetubes

10/10/2025 às 18h56 Atualizada em 10/10/2025 às 19h20
Por: Mhario Lincoln Fonte: Cel Carlos Furtado
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Original do texto.
Original do texto.

Cel. Carlos Furtado

 

Amanheceu o dia 10 de outubro de 1987, e o toque da alvorada na Academia de Polícia Militar de Minas Gerais soou diferente. O som do corneteiro de dia não era apenas o anúncio de mais uma jornada — era o prelúdio de um marco.

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Nos alojamentos, o burburinho era outro. Os cadetes do 3º ano do Curso de Formação de Oficiais, especialmente os que vinham de longe — de Alagoas, Amazonas, Ceará, Maranhão, Mato Grosso, Paraíba e Sergipe —, estavam tomados por uma emoção difícil de descrever. Havia no ar uma mistura de ansiedade, orgulho e saudade. Naquela noite, eles deixariam de ser cadetes para se tornarem Aspirantes a Oficial, e o fariam sob as luzes da primeira solenidade noturna da história da Academia.


A rotina, tão rigorosamente marcada por horários, chamadas e formaturas, se transformava. Cada setor cuidava de cada detalhe com esmero, como quem prepara uma festa sagrada. Belo Horizonte parecia respirar aquele momento — a cidade recebia famílias, amigos, convidados de várias partes do Brasil, todos atraídos pela promessa de uma noite inesquecível.


Recordo-me de ter registrado, no editorial da Revista Comemorativa dos Aspirantes 1987, distribuída aos familiares e convidados, as palavras que traduziam o sentimento coletivo de superação: “Na APMMG nós nos dedicamos ao extremo. Transpusemos montanhas quase inacessíveis, ultrapassamos vales profundos, superamos toda espécie de obstáculos e vemos, enfim, coroados de êxito os esforços desprendidos. E hoje, quando todos os segmentos da sociedade brasileira dirigem suas expectativas à democratização, as Polícias Militares de Minas Gerais, Maranhão, Alagoas, Mato Grosso, Ceará, Amazonas, Paraíba e Sergipe, movidas por alto espírito profissional e cívico, empenham-se em fortalecer as condições de segurança e tranquilidade pública, formando e aprimorando o seu componente mais importante: o policial-militar.”


Foi um dos meus primeiros passos na literatura — ousado, talvez —, pois escrever e romper tradições em Minas Gerais não era tarefa simples. Mas aquela turma não nasceu para o comum.


Quando o crepúsculo desceu sobre a Academia, o pátio se iluminou. Sob o brilho das luzes e o reflexo das espadas, 81 novos Aspirantes ergueram a voz para jurar fidelidade à Pátria, mesmo com o sacrifício da própria vida. Era o momento culminante de anos de disciplina, de tantas alvoradas frias, refeições no rancho, marchas sob o sol, noites insones de estudo, chamadas, hinos, desfiles e incontáveis revistas.


Naquela noite, o tempo pareceu suspenso. A missa solene, conduzida pelo inesquecível Tenente-Coronel Capelão Padre Luís de Marco Filho, o querido “Mancha Negra”, foi um instante de fé e comunhão. Depois, a formatura militar — impecável em cada movimento — e o baile dos Aspirantes, sob a vigilância do Cel. Maurilio Modesto Cunha, onde o brilho dos uniformes se confundia com as lágrimas de alegria e o orgulho estampado nos rostos de pais, mães e irmãos.

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O curso, longo e exigente, havia moldado homens de fibra. Foram anos dedicados a aprender Direito Penal, Constitucional, Administrativo, Direitos Humanos, Criminologia, Psicologia Criminal, Trânsito, Atividades de Bombeiro, além das duras rotinas de ordem unida, tiro, judô, natação e educação física. Mais do que lições acadêmicas, foram lições de vida.

 

A formação era mais do que técnica — era espiritual. Estava assentada sobre valores éticos, morais e religiosos, que se tornariam a bússola de toda uma carreira.


Hoje, 38 anos depois, ao recordar aquele 10 de outubro, ainda me vejo ali — fardado, vibrante, tomado por um misto de esperança e dever.
Vejo o pátio iluminado, as espadas reluzindo sob o luar de Belo Horizonte, e ouço, ao longe, o som da corneta que ainda ecoa, como se chamasse de volta o jovem cadete de outrora.


E é então que percebo: alguns dias não ficam no calendário — ficam na alma.


E aquele 10 de outubro de 1987 foi um deles.

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Carlos BragaHá 7 meses Braga - Portugal Meu Caro Amigo e Confrade, boa-tarde! Enquanto cá estamos, lembramo-nos uns dos outros, com sentimentos próprios, que também são os dos outros, mas não existem outros onde o tempo e o espaço, a matéria e o conhecimento são únicos, somos nós os Aspirantes a Oficial da Turma de 1987, da Academia de Polícia Militar de Minas Gerais, em síntese, uma constelação onde os limites de atuação são a própria lei, discricionários: sim. Arbitrariedades nunca. Apenas a certeza do cumprimento do dever. Abraços
LagaresHá 8 meses BH, MGCaro amigo, Cel Furtado, "O que é, por conseguinte, o tempo? Se ninguém mo perguntar, eu sei; se o quiser explicar a quem fez a pergunta, já não sei." (Santo Agostinho) Uma professora de cursos de pós-graduação para alunos de diversos países perguntou a um deles (de um pequeno país da África): "Como se diz "tempo" em sua língua?" Ele respondeu com uma palavra. "E lugar?", foi a nova pergunta. Ele respondeu com a mesma palavra.
LagaresHá 8 meses BH, MGMas, Furtado, nossas mentes não têm fronteiras: podemos recuar e avançar no tempo... ou seria no espaço? Essa coisa que não existe, o tempo, só é percebida depois que passa. E como passa rápido! Certamente, foi uma alegria para a PMMG ter você entre os formandos de 2007, naquele 10 de outubro (embora você pense que a alegria era sua...). Parabéns pelo brilho com que se conduziu no CFO _ e que manteve ao longo da carreira no oficialato _!
LagaresHá 8 meses BH, MGAmanhã, domingo, nós, os remanescentes dos aspirantes de outubro de 1967, estaremos nos reunindo para um almoço comemorativo dos 1, 2, 3..., digo, 58 anos de formatura! Bons tempos... que não voltam mais! Estenda, por gentileza, meus cumprimentos a todos os aspirantes de 1987. Cel Lagares.
ADRIANA GAVIAO GIUGNIHá 8 meses Belo HorizonteMuito obrigada pelo envio do texto. Excelente. Parabéns! Suas lembranças destilam poesia e emocionam. Tornam-se, de certa forma, nossas lembranças também.
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